Indústria da Construção Civil e instituições de pesquisa debatem alvenaria estrutural

27/04/2012 15:56

O aumento da oferta de blocos estruturais de qualidade, o desenvolvimento de novos materiais e técnicas e a industrialização do processo de construção estão entre os avanços na indústria. Mas o reduzido número de profissionais habilitados, mesmo que a demanda seja alta, a dificuldade de adoção de normas técnicas, o melhor entendimento estrutural de prédios de grande altura e a pequena oferta de disciplinas específicas nos cursos de Engenharia são desafios na adoção de um dos métodos mais utilizados na Construção Civil: a alvenaria estrutural.

A tecnologia adotada há milênios e que continua sendo estudada e aprimorada será o foco da XV Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural, pela primeira vez sediada pelo Brasil. O evento será realizado de 3 a 6 de junho, em Florianópolis (SC). “É uma oportunidade para que profissionais da construção e acadêmicos possam interagir com autoridades do mundo em alvenaria estrutural e tirar partido da experiência que podem transmitir sobre projetos, as construções e as pesquisas nesta área tão importante”, destaca o professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Humberto Roman, que compartilha a coordenação do evento com o professor do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) Guilherme Aris Parsekian.

“Nos últimos 30 anos, com extensos trabalhos de pesquisa, a imaginação de projetistas e melhoria da qualidade dos materiais, a alvenaria estrutural tem apresentado mais visíveis avanços do que qualquer outra forma de estrutura usada na construção civil. Como consequência, é um dos mais econômicos e modernos métodos de construção. Em países como Inglaterra, Austrália, Alemanha e Estados Unidos, é o mais utilizado e de maior aceitação pelo usuário”, lembra Roman. Segundo ele, o encontro vem sendo realizado em países de expressão no desenvolvimento internacional da engenharia civil, e para obter o direito de ser sede, o Brasil competiu com Inglaterra, Alemanha e Portugal.

Barry Haseltnine (um dos responsáveis pela norma de alvenaria estrutural do Mercado Comum Europeu), Adrian Page (da University of Newcastle, Australia), Robert Drysdale (McMaster University, Canada); Richard

Klingner (University of Texas, Estados Unidos); Jason Ingham (The University of Auckland, Nova Zelândia); Gregg Borchelt (presidente do Brick Industry Association, EUA [ Associação de Indústria de Tijolos dos Estados Unidos]), Nigel Shrive (University of Calgary, Canada) e Paulo Lourenço (Universidade do Minho, Portugal) estão entre os conferencistas.

A programação prevê conferências, apresentação de artigos, cursos de curta duração e o Dia do Construtor, um pré-evento que tem a finalidade de discutir de maneira prática a construção em alvenaria estrutural no Brasil e no mundo. Serão sessões técnico-científicas de pesquisadores e empresários da indústria da construção. Essa agenda é direcionada a projetistas, produtores de materiais e componentes para a construção e construtores.

Estão à frente da organização a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e das instituições internacionais Universidade do Minho (Portugal), University of Calgary (Canadá) e University of Newcastle (Austrália).

Mais informação no site www.15ibmac.com/home /ou com os coordenadores do evento Guilherme Aris Parsekian () e Humberto Roman ()

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha comprova redução de peixes no litoral

16/04/2012 08:30

Nos censos visuais os pesquisadores estimam a quantidade e o tamanho dos peixes em áreas demarcadas. Fotos: Rede Sisbiota-Mar

Resultados preliminares da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar) confirmam cientificamente cenário conhecido na prática por pescadores e comunidades litorâneas brasileiras: a quantidade de peixes na costa está muito menor do que em ambientes mais protegidos, como as ilhas oceânicas. Nestas ilhas, a biomassa marinha chega a ser quatro vezes maior do que nas localizadas próximo ao litoral.

Os dados que resultam de censos visuais subaquáticos realizados em expedições marinhas serão apresentados na Austrália, no mês de julho, em um dos mais importantes eventos científicos na área de pesquisa marinha, o 12th International Coral Reef Symposium (ICRS 2012).

“As ilhas oceânicas estão muito mais preservadas do que as da costa, pois no litoral a pressão é muito maior. Era um dado já esperado e agora documentado”, informa o professor do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, Sergio Floeter, coordenador da Rede Nacional.

O apoio financeiro direcionado ao Sisbiota-Mar pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e CNPq já permitiu a realização de expedições ao Atol das Rocas, Barreirinhas e Maracajaú (no estado do Rio Grande do Norte); a Tamandaré e ao arquipélago de Fernando de Noronha (Pernambuco); a Maragogi (Alagoas); a Ilhas de Guarapari (Espírito Santo) e Baía de Todos os Santos (Bahia).

Em cada uma das saídas de campo, censos visuais possibilitaram a mensuração da biomassa. Esse dado representa a média de peixes em quilogramas, em áreas demarcadas de 40 metros quadrados. As informações são registradas pelos pesquisadores em mergulhos, com estimativas, além de quantidade, do tamanho dos peixes. De acordo com Floeter, essa é uma metodologia adotada por pesquisadores da vida marinha há mais de 20 anos. A Rede já realizou levantamentos de cerca de 100 amostras de 40 metros quadrados em cada ilha ou local da costa (o que representam aproximadamente quatro quilômetros quadrados investigados em baixo d’água em cada expedição).

Dados que já haviam sido obtidos em estudos anteriores e sua comparação com os atuais revelam grandes diferenças entre os ambientes. Em relação a ilhas de Santa Catarina, por exemplo, o ambiente oceânico de Atol das Rocas (também uma Reserva Biológicas Marinhas, assim como a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo) tem biomassa quatro vezes maior (12.9 kg/40m² documentados no Atol e 3,3 kg/40m² em ilhas de Santa Catarina).

De acordo com Floeter, a Ilha da Trindade, localizada cerca de 1.200 quilômetros a leste de Vitória, é outro local em que foi documentada grande biomassa . “Não é um parque ou reserva, mas é muito distante, por este motivo fica mais preservada”, avalia o biólogo que integra o Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC e já orientou diversos trabalhos de graduação e pós-graduação sobre as comunidades de peixes no litoral catarinense.

No caso das ilhas de Santa Catarina, com estudos realizados pela equipe de Floeter desde 2006 e que incluem ambientes da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, os dados não são bons. “Mas a biomassa dentro da Reserva é ainda assim bem melhor do que fora dela”, ressalta o pesquisador, otimista com o trabalho proporcionado pela  pesquisa em rede, que integra estudiosos de oito universidades brasileiras (UFSC, UFRGS, USP, UFF, UFRJ, UFES, UFC e UFRPE), envolve 15 programas de pós-graduação, 15 Pesquisadores de Produtividade do CNPq e jovens pesquisadores.

Todas as equipes têm laboratórios, equipamentos de mergulho e coleta que serão direcionados a gerar  suporte científico para estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional

Segundo ele, a rede consolida esforços regionais iniciados há mais de uma década, permitindo que grupos de pesquisa atuem de forma harmônica e padronizada. Ela é constituída por três núcleos principais – Sul (nucleado na UFSC), Sudeste (nucleado na UFES) e Nordeste (nucleado na UFRPE). Todas as equipes têm laboratórios, equipamentos de mergulho e coleta, muitos deles comprados com recursos do edital Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), lançado pela Fapesc em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao longo de três anos, devem ser aplicados quase R$3 milhões em pesquisas que vão gerar suporte científico para estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional e conhecimento sobre o potencial farmacológico dos biomas marinhos. Nos dias 26 e 27 de março, pesquisadores da Rede se reuniram em Vitória (ES), para integração e compartilhamento dos estudos. De acordo com Floeter, a equipe já processa também resultados promissores sobre espécies marinhas que podem contribuir com o desenvolvimento futuro de fármacos, mas que levarão ainda algum tempo para serem divulgados.

Mais informações com o professor Sergio R. Floeter, (48) 3721-5521 / e-mail

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Saiba Mais:

O Sisbiota-Mar envolve a integração de mais de 25 projetos de pesquisa e extensão vigentes sintetizados em três frentes:

– Projeto 1 Ecologia – enfoque nos padrões e processos ecológicos da biodiversidade marinha brasileira

– Projeto 2 Evolução – lida com os padrões e processos evolutivos de formação da biodiversidade marinha brasileira no espaço e no tempo, em um contexto histórico

– Projeto 3 Química Marinha – tem como objetivo investigar do ponto de vista químico as relações ecológicas e aplicar o conhecimento

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Pesquisa reforça indícios de que condições na infância afetam obesidade em adultos

10/04/2012 07:55

Premiada no final de 2011 pela Capes como a melhor tese defendida na área de saúde coletiva, pesquisa do médico e professor do Curso de Nutrição da UFSC David Alejandro González Chica reforça a ideia de que o ganho de peso rápido depois dos quatro anos pode resultar em problemas de obesidade na vida adulta. O estudo foi desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas.

Em seu trabalho o médico avaliou as associações entre a circunferência da cintura, a medida do quadril e a relação cintura-quadril em adultos jovens, relacionando estes dados ao estado nutricional e aos padrões de crescimento nos primeiros anos de vida. O pesquisador associou também os dados de circunferência com fatores socioeconômicos na infância e na idade adulta, além de cor da pele.

O estudo foi realizado a partir de uma pesquisa com nascidos na cidade de Pelotas no ano de 1982 e que foram novamente visitados em 2006. A avaliação de dados de quase cinco mil crianças desde o nascimento até os 23-24 anos indica que o ganho de peso em diferentes etapas da vida influencia de forma diferente o acúmulo de gordura na região abdominal – o mais perigoso fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares na fase adulta. O trabalho também mostra associações diretas entre peso ao nascer e ganho de peso em todas as faixas etárias.

Ganhar muito peso depois do segundo ano de vida e na adolescência, indica a investigação, pode ser prejudicial para a saúde, pois aumenta os níveis de obesidade abdominal na vida adulta. Por outro lado, o ganho de peso nos dois primeiros anos de vida se mostrou benéfico para a formação do quadril, o que teria um efeito positivo para a saúde na vida adulta ao estimular a acumulação de massa muscular, conhecido fator de proteção para doenças cardiovasculares.

“A obesidade em adultos, portanto, poderia ser reduzida evitando que crianças de quatro anos ou mais ganhassem peso rapidamente”, alerta o professor. “Os resultados sugerem que as medidas de saúde pública direcionadas ao combate da obesidade e das doenças cardiovasculares, além de enfocar fatores contemporâneos como sedentarismo e hábitos nutricionais da população, deveriam considerar a importância das condições socioeconômicas e do ganho de peso desde os primeiros anos de vida”, complementa.

De acordo com David, a gordura abdominal é usualmente medida por meio da circunferência da cintura ou da razão cintura quadril (RCQ). No entanto, para compreender o efeito de diversas exposições na composição corporal as três medidas antropométricas (cintura, quadril e razão cintura quadril) precisam ser avaliadas de forma independente.

Ele lembra também que diversas condições precoces e tardias podem afetar a formação dos tecidos corporais. Em sua tese o pesquisador resgata a visão de autores que encontraram em países desenvolvidos associação com variáveis perinatais – o período perinatal da gravidez humana caracteriza as 22 semanas completas (5 meses e meio) e os 7 dias completos após o nascimento – e da infância como o peso ao nascer, o tempo de amamentação e os padrões de crescimento.

Há também trabalhos que relatam relações com variáveis na vida adulta como a classe social, o fumo, o consumo de álcool e a inatividade física. No entanto, são limitadas as informações disponíveis sobre este tema em populações de renda média ou baixa.

Em sua tese David discute o processo de formação e desenvolvimento dos principais tecidos que constituem cintura e quadril. O abdômen, por exemplo, é constituído principalmente por vísceras, tecido adiposo subcutâneo e visceral, e pelos músculos da parede abdominal. Variações na circunferência da cintura resultam principalmente de mudanças na quantidade de gordura abdominal visceral. Já o quadril é constituído por três tecidos principais: ósseo, muscular e adiposo subcutâneo. Mudanças da circunferência do quadril podem acontecer por alterações em qualquer um desses tecidos.

David lembra que a obesidade pode ser considerada como o acúmulo ou excesso de gordura corporal numa quantidade que traga prejuízos à saúde. A gordura pode estar depositada debaixo da pele (gordura subcutânea) ou ser mais profunda, principalmente dentro do abdômen (a gordura visceral, associada a maiores problemas de saúde). A obesidade abdominal (cintura de mais 80 cm para as mulheres e mais de 94 cm para os homens) é considerada de maior risco para doenças cardiovasculares.

David alerta que muitas pesquisas sobre o tema avaliam as condições atuais como determinantes da obesidade. No entanto, vários estudos mostram que a obesidade é também determinada por fatores com ação em etapas iniciais da vida e que têm repercussão até a idade adulta.

Mais informações: David González Chica / / (48) 3721-5070

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais

Obesidade
Considerada como doença desde 1985, a obesidade vem merecendo atenção cada vez maior por parte dos médicos e instituições de saúde pelos problemas associados, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças cardíacas, distúrbios respiratórios e do sono, além da artrose. A prevalência de obesidade está aumentando em países de alta, média e baixa renda.

Problema em crescimento
No Brasil, país de renda média, as prevalências de excesso de peso e obesidade mudaram drasticamente nos últimos 30 anos. Em homens, a prevalência de excesso de peso triplicou entre 1975 e 2009, passando de 18% para 50%. A obesidade quadriplicou, de 2,7% passou para 12,5%. Em mulheres estas mudanças também aconteceram, embora com menor intensidade, passando de 27,3% para 48% e de 7,4% para 16,9%.

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Universidade testa capsulas de erva-mate

30/03/2012 16:40

A UFSC está buscando voluntários para uma nova pesquisa com a erva-mate. O estudo necessita de pessoas saudáveis e também com colesterol alto, que ainda não estejam tomando medicamento. Podem participar homens e mulheres com idade entre 18 e 60 anos. O objetivo é avaliar se o consumo de cápsulas produzidas na Universidade, contendo extrato seco de erva-mate verde ou tostada, não apresenta problemas à saúde (toxicidade).

“Será também avaliada a propriedade das cápsulas de erva-mate em reduzir o colesterol no sangue, particularmente em indivíduos com problemas de colesterol elevado”, explica o professor Edson Luiz da Silva, do Departamento de Análises Clínicas, que há oito anos estuda os princípios ativos dessa planta.

“Acreditamos que as cápsulas podem facilitar o consumo da erva-mate, pois ela possui sabor amargo, não muito apreciado por algumas pessoas”, complementa o coordenador do Laboratório de Pesquisa em Lipídeos, Antioxidantes Naturais e Ateroscleros.

Ele lembra que estudos anteriores realizados pela equipe que lidera já mostraram que a infusão de erva-mate verde (tipo chimarrão) ou chá mate tostado podem diminuir o colesterol, a glicemia e os radicais livres em indivíduos com colesterol elevado ou com diabetes.

Para a demonstração dos possíveis efeitos benéficos, os participantes devem colaborar para a ingestão de três cápsulas de erva-mate, três vezes ao dia, durante as principais refeições (independente do horário), durante 60 dias.

“É importante que o consumo das cápsulas com o extrato seco de erva-mate não seja interrompido por mais de dois dias seguidos. Além disso, o voluntário deve manter seus hábitos de vida regulares durante o período do estudo, como consumir o mesmo tipo de alimentação, manter a prática exercícios físicos (se for o caso) e, principalmente, não iniciar medicamentos de uso crônico”, alerta o professor. Caso a pessoa esteja usando algum medicamento, a dose não deve ser mudada durante o período do estudo.

A equipe precisa também da autorização dos voluntários para coleta de 12 ml de sangue (três tubos), em jejum de 12-14 horas, no primeiro, terceiro e sétimo dias do início do estudo. Serão ainda realizadas coletas após a quarta e oitava semanas, bem como a medida da pressão arterial, aferição do peso e da altura, exames clínicos completos e eletrocardiograma. As cápsulas deverão ser tomadas inteiras, com o auxílio de água, apenas.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC. O professor alerta que o consumo das cápsulas deve resultar apenas em desconforto das coletas de sangue. Porém, pessoas sensíveis à cafeína (um dos componentes do extrato seco de erva-mate) poderão sentir irritação gástrica, tremores, excitabilidade ou insônia. Caso ocorra algum desses efeitos colaterais, o participante deve interromper o consumo das cápsulas de erva-mate e entrar em contato com os pesquisadores.

“Esperamos que esse estudo traga benefícios, como o estímulo para que mais pessoas utilizem as propriedades benéficas da erva-mate, que poderá vir a ser utilizada como fitoterápico ou como alimento funcional”, destaca o professor.

Mais informações:
Aline Minuzi Becker()
Edson Luiz da Silva ()

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Encontro debate uso de agrotóxicos, impactos sobre a saúde e ambiente

30/03/2012 15:49

Evento organizado por grupo de pesquisa do Departamento de Direito reuniu profissionais de diferentes áreas

Campeão mundial no uso de agrotóxicos, o Brasil discute o problema desde a década de 50 – mas nos últimos dez anos dobrou o uso de herbicidas (em 2000 eram 2,7 quilos por hectare cultivado, em 2009, 5 quilos). O problema foi debatido nesta quarta-feira, 28 de março, na Universidade Federal de Santa Catarina, durante o encontro Agrotóxicos: a nossa saúde e o meio ambiente em questão, promovido pelo Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco, ligado ao Departamento de Direito.

“O problema é de uma complexidade muito grande. Os herbicidas foram desenhados para matar plantas, mas a discussão é difícil, não se consegue informações, ter acesso a estudos, aos protocolos de algumas empresas”, lembrou o professor Rubens Onofre Nodari, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC.

Segundo ele, os herbicidas são o grupo de agrotóxicos mais empregado, tiveram uma expansão vertiginosa e o glifosato é o mais usado. A atuação de pesquisadores não independentes e o fato de grandes empresas patrocinarem publicações em revistas científicas foi outra preocupação levantada pelo professor.

Participante de um trabalho que possibilitou a revisão bibliográfica de 359 artigos científicos sobre o impacto de diferentes herbicidas, em sua apresentação Rubens Onofre Nodari mostrou diversos estudos que relatam efeitos dos agrotóxicos. Entre eles, morte celular, alterações endócrinas, redução de espermatozóides e alterações nos gametas, além de preocupações sobre impactos neurológicos.

O professor citou pesquisas que encontraram resíduos de glifosato no sangue de mulheres não grávidas, grávidas e em fetos – e outros que comprovam a presença de resquícios de agrotóxicos na urina. “Os não nascidos já estão expostos. E se o agrotóxico é encontrado na urina, já passou por tudo”, lamentou o professor. “Estudos de 1989 já mostravam resíduos no leite de mães que estavam amamentando. Em 2012, uma pesquisa em Rio Verde, no Mato Grosso do Sul, analisou o leite de 62 mulheres e todas as amostras tinham resíduos de glifosato”, complementou o pesquisador, também reconhecido por seu trabalho sobre organismos geneticamente modificados.

Para exemplificar o papel negativo de agrotóxicos sobre a biodiversidade, Nodari lembrou do efeito letal sobre anfíbios, que passam por um processo de extermínio, em grande parte provocada pelo desmatamento, mas também impactados por pesticidas. Criticando as “inovações humanas que prosseguem”, citou o caso da soja geneticamente modificada para ser resistente ao herbicida glifosato. Pesquisas mostram que abelhas podem ser afetadas e ter seu comportamento alterado, comprometendo a indicação do alimento para a colmeia. “Toneladas de artigos mostram que nossos processos ainda não são seguros para avaliar os impactos sobre a saúde e o ambiente”, alertou o professor.

Projeto-piloto no Hospital Universitário
“Temos por obrigação prevenir”, reforçou a médica do Hospital Universitário da UFSC Vera Lúcia Paes Cavalcanti Ferreira, que falou sobre agrotóxicos e riscos de câncer. A partir de um trabalho-piloto desenvolvido com pacientes do HU, ela chamou atenção sobre o câncer ocupacional, causado pela exposição prolongada a agentes cancerígenos presentes em agrotóxicos.

O estudo envolveu todos os novos pacientes com diagnóstico de câncer no HU no período de 2009-2010, buscando traçar seu perfil e verificando a correlação com o uso de agrotóxicos. Segundo Vera, a pesquisa que será aprofundada em um Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Medicina mostrou como é difícil estabelecer a relação entre profissão e agrotóxicos.

“No meio rural as pessoas começam a trabalhar muito cedo, entre a exposição e o diagnóstico há um grande período e os próprios médicos esquecem de estabelecer esse nexo”, disse a médica especializada em hemoterapia. Apesar da dificuldade, entre 106 novos pacientes com diagnóstico de câncer no período foram identificados oito agricultores, com presença significativa de mulheres (comprovando seu importante papel na agricultura). O estudo mostrou também que entre outros fatores de risco para o câncer aparece a obesidade, observada em 50% dos pesquisados. Em sua fala a médica ainda resgatou pesquisa de risco realizada entre a população americana, indicando que agricultores têm até seis vezes mais chance de desenvolver câncer do pulmão.

Intoxicações subnotificadas
A médica Adriana Mello Barotto, do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT), apresentou dados sobre intoxicações em Santa Catarina, especificando os dados para o caso dos agrotóxicos. O CIT é um órgão da Secretaria Estadual da Saúde de Santa Catarina que atua no Hospital Universitário, em plantão permanente, auxiliando profissionais da saúde e orientando a população. Segundo ela, entre 1984 e 2011 foram registrados pelo CIT aproximadamente 140 mil casos de intoxicações, a maioria por animais peçonhentos, 11.975 casos por agrotóxicos.

“O sistema de notificação não é obrigatório e é complicado, médicos não fazem a relação causal, falta a relação com a profissão e os casos agudos é que são notificados”, avaliou a médica. Adriana fez também um alerta relatando que entre os casos de intoxicação por agrotóxicos, 44% foram descritos em casos de suicídio, 25% em situação ocupacional e 22% tinham como principio ativo o glifosato.

“Mas o que mais mata é o dicloreto de paraquate, com 41 óbitos”, salientou Adriana, citando um agrotóxico de alta letalidade, proibido pela União Européia em 13 países – e na América Latina com manuseio restrito somente no Chile.

O encontro que recebeu o título de Agrotóxicos: a nossa saúde e o meio ambiente em questão foi organizado em dois painéis. Pela manhã, “Agrotóxicos, saúde e ambiente: aspectos técnicos e éticos” contou também com a presença da professora Michelle Bonatti (que falou sobre percepção e universo significativo no processo de aprendizagem social), do promotor Paulo Roney Ávila Fagúndez (em abordagem do tema Agrotóxicos, meio ambiente e saúde humana: uma questão ética) e da professora do Departamento de Direito da UFSC Letícia Albuquerque (que falou sobre Poluentes Orgânicos Persistentes: Uma análise da Convenção de Estocolmo).

Agrotóxicos, Riscos e Direito Ambiental
Coordenado pelo professor José Rubens Morato Leite, o Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco tem entre suas pesquisas projeto que tem como objetivo analisar o procedimento de registro de agrotóxicos no Brasil, em comparação com o sistema adotado na União Européia.

“Em virtude dos riscos que os agrotóxicos podem gerar, é fundamental verificar se o procedimento do registro pode garantir que as substâncias liberadas para uso comercial no Brasil sejam seguras para o meio ambiente e para a saúde humana”, explica o professor.

Além de detalhar o tratamento dispensado ao tema pelo ordenamento jurídico brasileiro, o estudo vai permitir uma análise sobre avanços e retrocessos da Lei de Agrotóxicos e a relevância da legislação para a gestão dos riscos ambientais. Serão também analisadas experiências mal sucedidas envolvendo agrotóxicos, efeitos colaterais indesejados e meio ambiente.

Para apurar casos de intoxicação em Santa Catarina a equipe atua em conjunto com o Centro de Informações Toxicológicas. O projeto tem apoio da Fapesc e do Edital Universal/2009, financiado pelo CNPq.

Mais informações:
– Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco / Professor José Rubens Morato Leite / / (48) 3721-9733

– Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT) / (48) 3721-9535 / 3721-9173 / 0800 643 5252 (Ligação Gratuita 24h)

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Wagner Behr / Agecom

Sábado marca 190 anos do nascimento de Fritz Müller

30/03/2012 15:00

Site Fritz Müller, o príncipe dos observadores está sendo construído por equipe da UFSC envolvida com a divulgação da obra do naturalista

Nascido em uma pequena aldeia da Alemanha em 1822, aos 22 anos o jovem Johann Friedrich Theodor Müller obteve o título de Doutor em Filosofia pela Universidade de Berlim. Em 1849 concluiu o curso de Medicina na Universidade de Greifswald, mas não colou grau, por se negar a proferir as palavras cristãs contidas no juramento. Em 1852 emigrou com familiares para a recém-fundada Colônia de Blumenau, no Vale do Itajaí, e em 1856 partiu para Desterro (atual Florianópolis), naturalizando-se brasileiro para assumir cargo público de professor no Liceu Provincial (antigo Colégio Jesuíta, atualmente representado pelo Colégio Catarinense).

É nesse momento que inicia o período mais produtivo da obra científica de Fritz Müller. Em Desterro o naturalista tem seu reconhecimento internacional entre a comunidade científica. Ele mantém correspondência com eminências científicas da época, como Max Schultze, Herman von Ihering, August Weismann, Louis Agassiz, Ernst Haeckel e em especial com Charles Darwin (cuja extensa e contínua correspondência se estende por 17 anos, até a morte de Darwin). A história de Fritz Müller completa neste sábado, dia 31 de março, 190 anos, desde o nascimento na Alemanha.

“Este excepcional observador da natureza, que viveu em Santa Catarina por 45 anos, foi sem dúvida o mais importante naturalista do Brasil do século XIX. Deixou um legado naturalístico imenso que descreve a flora e fauna da região sul do Brasil. Identificou e descreveu com notável perfeição um número imenso de espécies animais (principalmente invertebrados) e de plantas do litoral catarinense e da Mata Atlantica, sempre enriquecendo suas descrições com magníficas ilustrações de incrível detalhamento”, descreve o site Fritz Müller, o príncipe dos observadores, que está sendo construído por um grupo de professores da UFSC envolvido com a divulgação da obra do naturalista.

O site organiza informações sobre a história, a vida, a obra, as principais homenagens póstumas e os escritos de Fritz Müller, cientista mundialmente conhecido pela concepção do fenômeno mimetismo mulleriano, estudado em todo o mundo.

Apoio a Darwin
Fritz Müller foi pioneiro ao publicar, em 1864, o primeiro livro no mundo em apoio à teoria evolutiva de Darwin, com provas factuais obtidas em estudos sobre crustáceos, realizados em Florianópolis. Este livro, que atuou decisivamente na consolidação da teoria da evolução das espécies proposta por Darwin, tornou-o mundialmente famoso e o levou a receber, em vida, duas vezes o título de Doutor Honoris Causa, emitido por universidades alemãs.

Diferentes datas têm sido aproveitadas para rememorar a vida e a trajetória do naturalista. Em 2009, ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do seu revolucionário livro Origem das Espécies, a Universidade Federal de Santa Catarina reconheceu o valor da obra de Fritz Müller. Concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa post-mortem, recebido pelo seu descendente Alberto Lindner, professor do Departamento de Ecologia e Zoologia.

Também em 2009 a Editora da UFSC lançou uma nova tradução do livro Para Darwin (Für Darwin, 1864), escrito por Fritz Müller. Elaborada por Luiz Roberto Fontes, médico legista e biólogo, e por Stefano Hagen, médico veterinário, biólogo e professor, a nova tradução se distingue das outras duas que a antecederam por usar como base a primeira edição do livro, em alemão. A publicação foi viabilizada com apoio financeiro da UFSC, Fapesc e Ministério da Ciência e Tecnologia.

De acordo com os autores, a tradução a partir da edição original recupera o estilo da escrita de Fritz Müller, além de alguns conceitos próprios do autor, que foram alterados na segunda edição.

“A tradução resgata para a memória da ciência brasileira o naturalista Fritz Müller, bastante esquecido no cenário científico nacional e mundial, mediante a publicação traduzida de seu único e importante livro, acrescida de resenhas de época, bem como de necrológios da época de sua morte”, explica Luiz Roberto Fontes. Segundo ele, a tradução integral do necrológio feito por Haeckel revela facetas do perfil psíquico desse controverso zoólogo alemão, por muitos considerado um falsário da ciência.

“Homenagear Fritz Muller no ano de 2012, quando completaria 190 anos de idade, representa resgatar para a memória nacional o nosso maior naturalista novecentista, brasileiro por opção e com grandes feitos para a história da ciência brasileira e mundial. Representa também homenagear o Estado de Santa Catarina, que em suas publicações tornou-se mundialmente conhecido, principalmente as localidades de Blumenau, Itajai e Desterro”, destaca Luiz Roberto Fontes.

Saiba Mais no site Fritz Müller, o príncipe dos observadores: http://fritzmuller.paginas.ufsc.br/

Mais informações na UFSC: Margherita Anna Barracco /

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Leia também: Parceiro de Charles Darwin

Palestra sobre desafios da alimentação abre primeiro Doutorado em Nutrição da Região Sul

21/03/2012 10:18

O professor Pedro Israel Cabral de Lima: emoção no retorno à pós-graduação que ajudou a avaliar. Fotos: Wagner Behr / Agecom

“Não foi na Sourbonne ou em outra universidade que travei contato com o fenômeno da fome”. A frase de Josué de Castro, médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à fome foi lembrada na manhã desta terça-feira, 20 de março, durante a aula inaugural do Doutorado em Nutrição da UFSC.

Convidado a marcar na Universidade Federal de Santa Catarina o início do primeiro doutorado da área na Região Sul (nono no país), o professor Pedro Israel Cabral de Lima, da Universidade Federal de Pernambuco, contextualizou a relevância e atualidade do trabalho do médico nascido no Recife, na palestra “Alimentação e Nutrição: de Josué de Castro aos dias atuais”.

O pesquisador da UFPE recuperou a trajetória e a visão de Josué de Castro sobre a problemática da fome – e a partir de gráficos, fotos e vídeos demonstrou como muitos desafios são ainda atuais e pertinentes na trajetória do profissional da área de nutrição.

Geografia da Fome
Josué de Castro nasceu em 1908, no Recife, e morreu em 1973, na França. Cresceu próximo aos mangues do Recife, “habitados por retirantes e caranguejos”. Aos 21 anos se formou em medicina, em 1951 assumiu a presidência do Conselho Executivo da FAO (agência da Organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura), foi também embaixador do Brasil na ONU e criou uma associação mundial de luta contra a fome. Entre suas publicações mais relevantes estão O Problema da Alimentação no Brasil, Geografia da Fome e Geopolítica da Fome.

“Um marco de Josué de Castro é a luta pelo desenvolvimento humano sustentável e muitas de suas preocupações e ideais permanecem vivos”, frisou o professor Pedro Israel Cabral de Lima. Para ressaltar a importância do conhecimento científico, salientou para a plateia integrada por professores, mestrandos e doutorandos que há tantos métodos quantos forem os problemas e os investigadores existentes (citando frase de José Carlos Koche, autor de Fundamentos de Metodologia Científica: Teoria da Ciência e Prática da Pesquisa e lembrando mais um ensinamento que Josué de Castro deixou aos pesquisadores).

“Josué não se limitou a um único método, buscou ferramentas em diversas áreas, como a Antropologia Social, Geografia, Economia, Genética, Biologia, Epidemiologia. Baseou sua forma de pensar o problema da fome na interação entre diversas ciências”, disse Pedro Israel. Em mais uma associação de sua palestra com a Pós-Graduação em Nutrição da UFSC, elogiou o objetivo do programa e suas linhas de pesquisa (veja abaixo), atuais e relevantes diante da complexidade e da responsabilidade para formação de profissionais da área de nutrição e alimentação.

O palestrante destacou também a importância da UFSC contar com seis grupos de pesquisa nesse campo (abaixo) e mostrou admiração pelo trabalho de relevância acadêmica e com interface social dos projetos de extensão.

O professor lembrou que, mesmo com alguns números estagnados na América Latina, a fome no mundo ainda preocupa (são 71 milhões de pessoas em insegurança alimentar no Brasil). “Para o profissional da área, é um desafio entender a cultura alimentar de cada região, as dietas básicas, as influências, as dificuldades no controle do sobrepeso e das doenças decorrentes da má alimentação”, salientou.

A partir de pesquisas, lembrou de questões preocupantes, como a preferência entre adolescentes por biscoitos, salsichas, sanduíches, salgados. E a “dieta de risco” de adultos, caracterizada pelo baixo consumo de frutas e verduras, alto consumo de gorduras saturadas.

Com fotografias de décadas atrás e atuais, o professor Pedro Israel Cabral de Lima ilustrou o problema da alimentação inadequada com a mudança no corpo da população de Olinda – em 1947 as fotos registram perfis longilíneos, em 2012, homens e mulheres com excesso de peso. “Parecem figuras de Botero”, preocupa-se o professor, citando o famoso pintor e escultor colombiano que se destacou com figuras de contornos arredondados.

Além de abordar a má alimentação, Pedro Israel Cabral falou da “Fome Oculta”, problema caracterizado pela carência de micronutrientes como o ferro (estudos mostram índices preocupantes de anemia em crianças), de vitamina A (cuja carência pode provocar problemas na visão) e de B1 (com diagnóstico recente de diversos casos de Beribéri no Brasil, doença que provoca fraqueza muscular e dificuldades respiratórias).

Fazendo história

Rossana Proença: “Lutamos cinco anos junto à Capes para montar o programa”

“Esse momento é a realização de um sonho que começou em 1997, quando um grupo de oito professores estruturou o projeto da Pós-Graduação em Nutrição da UFSC”, lembrou no início do encontro a coordenadora do programa, professora Rossana Proença. “Lutamos cinco anos junto à Capes para montar o programa, que foi aprovado no final de 2001 e começou em 2002. No começo eram oito alunos”, resgatou Rossana.

Atualmente a Pós-Graduação em Nutrição da UFSC tem 20 professores (em breve serão 24 credenciados), 53 alunos no mestrado e 10 iniciando o doutorado. São 36 bolsistas, 102 mestrandos já se formaram e serão outras 23 defesas de mestrado até julho. Entre os profissionais formados, 86% têm publicações com o programa e 70% estão em atividade docente.

“Os números refletem o que estamos fazendo para atender os critérios que nos avaliam. Nosso conceito na Capes passou de 3 para 4 e hoje nosso Departamento atua em todos o níveis, da graduação ao doutorado, como somente outros oito no país fazem”, disse Rossana, registrando também como conquista a criação da área de Nutrição na Capes.

“Os doutorandos chegam para compartilhar esse sonho conosco. Agora a consolidação do doutorado, da produção científica, de laboratórios e a internacionalização são novos desafios”, comemorou a coordenadora.

Mais informações: http://ppgn.ufsc.br / / (48) 3721-5138

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais:

Grupos de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC:
– CECANE/SC (Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar do Estado de Santa Catarina)
– Grupo de Pesquisa em Comportamento e Consumo Alimentar
– Grupo em Nutrição Clínica e Aplicada
– Grupo Nutrição e Saúde
– NEPNE (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Nutrição Experimental)
– NUPPRE (Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições)

 Linhas de Pesquisa:
– Diagnóstico e intervenção nutricional em coletividades
– Estudo dietético e bioquímico relacionado com o estado nutricional
– Nutrição em produção de refeições e comportamento alimentar

Objetivo:
O objetivo geral do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC é a formação de pesquisadores inovadores, resolutivos e geradores de conhecimento em uma área interdisciplinar envolvendo a interface Alimentação, Nutrição e Saúde. A formação acadêmica tem ênfase na construção, desenvolvimento e disseminação de conhecimentos científicos, preparando profissionais qualificados para o Ensino Superior e para a pesquisa neste campo do conhecimento.

 

Sérgio Rezende na UFSC: incrementar citações e formar mais engenheiros são desafios para o Brasil

12/03/2012 08:18

“O decréscimo do número de formados nos cursos de Engenharia é preocupante para o desenvolvimento baseado no conhecimento”. Fotos: Wagner Behr / Agecom

No Brasil a atividade científica teve um começo tardio. Entre as primeiras instituições estão o Observatório Nacional e o Instituto Nacional de Tecnologia, implantados na década de 1920. Somente em 1934 surgiu a primeira instituição de ensino superior brasileira, a Universidade São Paulo – 300 anos depois de Harvard, fundada nos Estados Unidos. Na década de 1950 o país ainda tinha um parque industrial incipiente, era uma nação com poucos cientistas e pesquisadores, não havia um ambiente de pesquisa nas universidades ou preocupação com a inovação nas empresas.

Com estes e muitos outros dados o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, ministrou no dia 7 de março na UFSC a palestra “Ciência e Tecnologia no Brasil: nunca é tarde demais para começar”. Rezende foi um dos convidados do encontro “Desafios e Oportunidades para a Pós-Graduação em Engenharia”, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFSC.

Membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 1977, presidente da Finep entre 2003 e 2005, professor de Física da Universidade Federal de Pernambuco, Rezende agradeceu o convite para falar aos integrantes da Pós-Graduação em Mecânica da UFSC, programa que, ressaltou, é referência no país. “Muitos estudantes não têm essa imagem, mas há 40 anos a ciência no país era quase nada. Foi um desenvolvimento muito rápido”, lembrou o ex-ministro, ressaltando que falar de ciência e tecnologia é falar de riqueza.

Seu panorama ilustrou o início tardio do Brasil no desenvolvimento da C&T, mostrou avanços recentes, oportunidades e desafios nesse campo. Rezende salientou que há uma relação direta entre PIB per capta e investimentos em ciência e tecnologia. Em países como Estados Unidos e Japão, exemplificou, a divisão entre PIB e habitantes resulta em 30 a 40 mil dólares por ano – e 70% dessa riqueza é gerada na economia do conhecimento.

A Coreia, país que tem 3% da área do Brasil, equivalente ao tamanho do estado de Pernambuco, foi citada como um exemplo positivo de determinação no campo da ciência e tecnologia. Na década de 1940 esse país adotou políticas de C&T e indústria articuladas. Na década de 1990 já tinha um sistema de inovação imbricado com o setor produtivo, marcas reconhecidas em produtos eletrônicos, automóveis, navios.

Sérgio Rezende avaliou que apesar de um início difícil e tardio, o Brasil também acumula avanços em sua caminhada científica. A criação do CNPq e da Capes, na década de 1950, são fatos marcantes.  A partir de 1962 o país criou um fundo para apoio aos primeiros programas de pós-graduação modernos e em 1968 a Reforma Universitária possibilitou o tempo integral para professores, consolidando a institucionalização da pós-graduação. Na década de 1970, Rezende destacou a implantação do FNDTC, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Atualmente o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia conta com 235 universidades, 77 mil doutores nas universidades, 8 mil doutores em outros centros de pesquisa e desenvolvimento (esse um dado que, destacou Rezende, deve ser alterado para que o país tenha maior presença da pesquisa no setor industrial).

Entre quase dois mil programas de pós-graduação, 320 são classificados com os conceitos 6 e 7, que representam excelência e nível internacional – como é o caso do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFSC, destacou Sérgio Rezende. Há, no entanto, muitos desafios, como o pequeno número de pesquisadores (são 0,8 por mil habitantes) e o gargalo no setor industrial. “Em um quadro de 70 mil empresas, apenas duas mil têm com atividade de inovação.

“Esse cenário não ocorre em países desenvolvidos, onde muitos doutores atuam nas empresas e não nas universidades”, salientou. Petrobras, Embraer, Embrapa e Embraco foram também citadas por Rezende como exemplos. “A Embraco tem 15 laboratórios e uma história de 28 anos de parceria ininterrupta com a UFSC, onde também participa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Refrigeração e Termofísica”, disse mais uma vez reportando-se à Universidade Federal de Santa Catarina.

Sérgio Rezende destacou que no período de 2003 a 2006 o Brasil adotou uma política de ciência e tecnologia integrada à política industrial e considerou que nas últimas décadas houve um notável avanço orçamentário e do ambiente de inovação. Ressaltou a importância do investimento no programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e da Lei da Inovação.“Nas últimas semanas tivemos a notícia do corte no orçamento para ciência e tecnologia, mas espero que possamos superar esse corte”, disse o ex-ministro.

Outro desafio a ser vencido é o decréscimo do número de formados nos cursos de Engenharia, preocupante para o desenvolvimento baseado no conhecimento. E, alertou, ainda que o país ocupe o 13º lugar no mundo em número de publicações científicas, com 40 mil artigos (Estados Unidos lideram o ranking com 435 mil artigos científicos, seguido da China, com 306 mil), somente 40% dos trabalhos brasileiros têm citação (são mencionados em outros artigos ). “O Brasil precisa de um esforço para melhorar a qualidade de sua produção e dar a devida divulgação à pesquisa. O sistema arrisca pouco. Para de fato contribuirmos com a produção do conhecimento precisamos assumir problemas mais complexos”, avaliou Sérgio Rezende.

O encontro organizado pela Pós-Graduação em Engenharia Mecânica foi prestigiado por professores e estudantes do Centro Tecnológico da UFSC e também de outras unidades de ensino. A agenda iniciou com apresentação do programa pelo coordenador, o professor Júlio César Passos, e seguiu com palestras de Sérgio Rezende, do diretor-presidente da Refinaria Abreu e Lima S.A. da Petrobras, Marcelino Guedes Gomes (que falou sobre os desafios do profissional global) e do reitor da UFSC, professor Alvaro Toubes Prata (que abordou o desafio de internacionalização das universidades brasileiras).

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Mais informações: posmec.ufsc.br/portal/(48) 3721 9277

Livro socializa conhecimento sobre gestão das águas e a Bacia do Rio Uruguai

08/03/2012 12:29

“Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – Natureza e Sociedade” é título da obra que a Rede Guarani-Serra Geral e a Editora da Unoesc lançam no dia 12 de março, próxima segunda-feira. A apresentação do livro, organizada por Joviles Vitório Trevisol, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, e por Luiz Fernando Scheibe, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisadores da Rede Guarani-Serra Geral, acontece a partir de 19h30min, no Auditório da Saúde, na Unoesc, em Joaçaba.

De acordo com os organizadores, a obra nasceu em um curso de extensão realizado em 2009, a partir de uma das metas do Projeto Rede Guarani-Serra Geral, iniciativa que tem apoio da Fapesc, entre outras instituições, e congrega pesquisadores, educadores ambientais, universidades, fundações, agências governamentais nacionais e entidades internacionais. O objetivo foi formar agentes para o desenvolvimento sustentável na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, capacitar professores da região para que sejam agentes multiplicadores de práticas de gestão sustentável dos recursos hídricos e integrar o comitê dessa bacia.

Os capítulos que compõem a publicação correspondem a 12 módulos do curso, complementados por uma análise sobre o projeto Rede Guarani-Serra Geral. “Os docentes-pesquisadores convidados para ministrar os módulos também foram desafiados a sintetizar os conteúdos em forma de artigo. Ao se tornarem públicos, os textos podem ser fontes de pesquisas, estudos e aprofundamentos nas escolas e universidades desta e de outras regiões do estado e do País”, comemoram os organizadores.

Lei das Águas
Com foco direcionado à Bacia do Rio Uruguai, a publicação trata também da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97). Conhecida como Lei das Águas, essa política coloca a temática das bacias hidrográficas no centro das discussões sobre recursos hídricos, gestão ambiental e desenvolvimento regional sustentável. “O livro é um esforço de disponibilizar à sociedade um bem extremamente valioso e cada vez mais importante nos processos de gerenciamento de uma bacia hidrográfica: o conhecimento científico”, ressaltam Trevisol e Scheibe.

Localizada na região Meio-Oeste de Santa Catarina, a Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe abriga população estimada em mais de 300 mil pessoas. Entre 27 municípios que a integram, 14 possuem suas cidades instaladas nas imediações do rio, que concentra no seu entorno mais de 200 mil pessoas. A economia regional, baseada na produção agroindustrial, tem provocado forte pressão sobre os recursos hídricos, gerando escassez ou comprometendo a qualidade da água.

A poluição dos rios, nascentes e poços, a redução do volume de água nos córregos, a crescente perfuração de poços tubulares para extração de água subterrânea, o assoreamento dos rios e a falta de saneamento básico estão entre os problemas ambientais mais preocupantes da bacia.

“A gestão sustentável e democrática dos recursos hídricos continua sendo um desafio no país que possui cerca de 12% de toda a água doce do planeta. Trata-se de uma tarefa de grande magnitude. Governos e sociedade precisam assumir compromissos mais efetivos, com ações permanentes e integradas”, alertam os organizadores.

Mais informações:
– Joviles Vitório Trevisol / / (49) 20493130
– Luiz Fernando Scheibe  / / (48) 3721-8813

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais:

Capítulos do livro “Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – Natureza e Sociedade”

1 – A geopolítica da água e a crise do conhecimento/ geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves (UFF)
2 – O sistema Aquífero integrado Guarani/Serra Geral (SAIG/SG) em Santa Catarina e os recursos hídricos da Bacia do Rio do Peixe / Luiz Fernando Scheibe (UFSC) e Ricardo Hirata (USP)
3- A Política Nacional de Recursos Hídricos e a participação na gestão das águas: desafios para sua implementação em Santa Catarina / Cíntia Uller-Goméz (RGSG) e Vilmar Comassetto (EPAGRI)
4 – Gestão da água na Bacia do Rio do Peixe: integração e sobreposição dos instrumentos de gestão pública / de Daniel Poletto Tesser (UNOESC), Adriana Marques Rossetto (UNIVALI), Paulo Maurício Selig  (UFSC) e Paulo Roberto Ramos (SENAC)
5 – Aspectos históricos e socioculturais da Bacia do Rio do Peixe (1906-1916) / Delmir José Valentini (UFFS)
6 – Água em foco: uma discussão necessária / Jairo Marchezan (UnC)
7 – Biodiversidade de vertebrados do baixo Rio do Peixe/SC / de Anderson Guzzi (UFPI), Clóvis A. Segalin (EPAGRI), Osvaldo J. Onghero (UNOESC), Edson F. Spier  (UNOESC),Tiago Zago (UNOESC), Mario Arthur Favretto (UNOESC)
8 – A diversidade de flora e fauna nas matas ciliares da Bacia Hidrográfica do Rio do Pei / Márcia Bündchen(UNOESC), Maira Aparecida Dalavéquia(UNOESC) e Rodrigo Lingnau (UNOESC)
9 – Qualidade das águas superficiais e subterrâneas na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe /  Eduarda de Magalhães Dias Frinhani (UNOESC), José Carlos Azzolini (UNOESC) e Fabiano Nienov (UNOESC)
10 – Definição de critérios ambientais para a avaliação de impacto ambiental de pequenas centrais hidrelétricas na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – SC / Solange da Veiga Coutinho, Mauricio Perazzoli e Júlio César Moschetta da Silva
11 – Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe: o que dizem os estudantes do Ensino Médio? / Joviles Vitório Trevisol (UFFS)
12 – Metodologias de Educação Ambiental para a Bacia do Rio do Peixe  / Gedalva Terezinha Ribeiro Filipini,  Rita de Cassia Socrepa Baratieri e Joviles Vitório Trevisol  

 

Universidade retoma avaliação da saúde de adultos em Florianópolis

08/03/2012 10:56

Em 2009 os participantes responderam a um questionário sobre condições de saúde e foram realizadas medidas como peso, altura, perímetro da cintura e pressão arterial. Foto: Projeto Epifloripa

Inicia em março a segunda fase do projeto Epifloripa – Condições de Saúde de Adultos e Idosos de Florianópolis. A expectativa da equipe, coordenada por professores dos departamentos de Saúde Pública e Nutrição da UFSC, é concluir a fase de entrevistas no mês de julho. A meta é levantar dados sobre saúde bucal, qualidade de vida, discriminação e alimentação, além de acompanhar a evolução de outras questões que podem interferir na saúde, como a gordura abdominal, o peso e a pressão arterial. O trabalho tem apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Projeto Epifloripa começou em 2009, quando 1.720 adultos, entre 20 e 59 anos, e 1.705 idosos, com 60 anos ou mais, de todas as regiões da cidade, foram visitados em suas casas. Nesta primeira etapa, os participantes responderam a um questionário sobre condições de saúde e foram realizadas medidas como peso, altura, perímetro da cintura e pressão arterial.

“Novamente, precisamos muito da colaboração das pessoas”, solicita o professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Marco Aurélio Peres, principal coordenador da pesquisa.  Segundo ele, a proposta neste ano é entrevistar os mesmos 1.720 adultos de 2009. As pessoas serão visitadas em seus domicílios para avaliação odontológica, responderão a um questionário sobre condições de vida e saúde, trajetória econômica, qualidade de vida, saúde bucal, nutrição, dieta e experiências de discriminação, além passarem por medidas da cintura, peso e pressão arterial.

O levantamento de dados será realizado por cirurgiões dentistas formados pela UFSC, sendo alguns deles alunos de pós-graduação. “Esperamos continuar investigando estas mesmas pessoas ao longo de muitos anos. Este tipo de estudo possibilita conhecer fatores de risco à saúde e denunciar as diferenças nos padrões de saúde segundo grupos sociais, subsidiando políticas públicas direcionadas a melhorar as condições de vida e de saúde da população adulta de Florianópolis. Pretendemos divulgar os resultados para a população, dirigentes e profissionais da saúde”, explica o professor.

Pressão elevada e sobrepeso
De acordo com Peres, alguns aspectos obtidos na primeira etapa da pesquisa preocupam. Os dados mostram que quase 1/3 da população vive com algum tipo de dor crônica; 40% estão com níveis de pressão elevados e quase a metade dos participantes estão acima do peso, sendo 15% destes obesos. Além disso, a pesquisa revelou que o consumo de medicamentos é excessivo (quase 80% da amostra revelou consumo regular), cerca de 20% dos entrevistados relataram episódios de depressão e a maior parte dos adultos não pratica atividade física regularmente.

A pesquisa em 2009 mostrou também que a população utiliza serviços de saúde, boa parte por meio de convênios (aproximadamente 50%) e a cobertura da Estratégia de Saúde da Família é menor do que se imaginava (perto de 30%). “Este é um quadro geral, que varia segundo os grupos sociais; os mais pobres e menos escolarizados apresentam, em geral, as piores condições de vida e saúde”, destaca o professor.

O pesquisador ressalta também que esse tipo de estudo é inédito em Florianópolis e pode contribuir para a melhoria das condições de saúde da população. “As visitas serão agendadas pelo telefone e a equipe que visitará os domicílios é extremamente preparada”, complementa.

Termo de consentimento
A participação acontece após a leitura e assinatura de um documento chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, utilizado em todas as investigações que envolvem seres humanos. No documento são fornecidas informações detalhadas sobre o estudo, direitos dos participantes e tudo o que será realizado durante a pesquisa.

O EpiFloripa respeita critérios éticos indispensáveis a uma pesquisa realizada com seres humanos, como a confidencialidade de informações, o anonimato e a participação voluntária. Os nomes dos participantes e as informações sobre seu estado de saúde não são divulgados. O sigilo é garantido pelo uso de códigos numéricos em todos os registros e pelo arquivamento seguro e com acesso restrito das informações.

Mais informações sobre a pesquisa no site www.epifloripa.ufsc.br

Para a imprensa, com o professor Marco Aurélio Peres / Fone 3721-9046 / e-mail:

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

 

Prevenção será foco no Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

07/03/2012 12:54

Discutir o papel da sociedade civil, das instituições públicas municipais, estaduais e federais na prevenção da Aids. Esse será um dos principais objetivos do II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O evento agendado para os dias 12 e 13 de março, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC e na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, terá a presença, entre outras autoridades,  do prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, coordenador da equipe francesa que identificou o vírus da Aids, Luc Montagnier (participação cancelada).

Segundo relatório do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, ligado ao Ministério da Saúde, no Brasil os primeiros casos de Aids foram identificados no início da década de 1980, sendo registrados, predominantemente, entre gays adultos, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. “Passados 30 anos, o Brasil tem como característica uma epidemia estável e concentrada em alguns subgrupos populacionais em situação de vulnerabilidade”, avalia o documento.

“As avaliações sobre o crescimento da incidência da AIDS destacam que a situação é estável, mas se é estável continua ruim. Precisamos ver o que está sendo feito, onde erramos, pois não estamos reduzindo a incidência em diversos grupos e em alguns a doença está crescendo, como no caso dos adolescentes homossexuais masculinos”, preocupa-se o professor do Departamento de Análises Clínicas da UFSC Luiz Alberto Peregrino Ferreira.

“Se temos campanhas, temos informação, temos distribuição de preservativos, por que razão os adolescentes não estão adotado métodos de prevenção?”, questiona Ferreira. Segundo ele, a primeira edição do simpósio, realizada em 1992, foi um marco no combate da doença no Brasil. Naquela época, o encontro discutiu temas como características da doença, tratamentos, o desenvolvimento de vacinas. Agora uma das principais metas é debater o comprometimento das instituições na busca de soluções inovadoras para as políticas de prevenção. O II Simpósio Nacional Sobre Aids é organizado pela Assembleia Legislativa do Estado, em parceria com Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Aids em jovens
De acordo com o Boletim Epidemiológico Aids e DST 2011, publicado pelo Ministério da Saúde, há uma tendência de aumento na prevalência da infecção pelo HIV nos jovens.

O boletim cita pesquisa realizada junto a alistados no Exército, de 17 a 20 anos. O levantamento revela que a prevalência da doença passou de 0,09%, em 2002, para 0,12%, em 2007. Além disso, acompanhando a tendência observada entre os jovens do sexo masculino, a prevalência na população de jovens homens que transam com homens (17 a 20 anos) também aumentou, passando no período de 2002 a 2007 de 0,56% para 1,2%, praticamente o dobro (enquanto nas mulheres da faixa etária de 15 a 24 anos a doença se manteve constante, em torno de 0,24%).

O relatório mostra ainda que entre jovens homossexuais homens de 18 a 24 anos a Aids atingiu 4,3%. “Quando se compara esse grupo com os jovens em geral, a chance de ter um jovem gay estar infectado pelo HIV é aproximadamente 13 vezes maior”, ressalta o documento.

Veja a programação em www.eventoaids.ufsc.br/programa.html

Serviço
II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Data: 12 e 13 de março
Local: Centro de Eventos da UFSC
Inscrições: Gratuitas, limitadas a 1.300 participantes
Informações: www.eventoaids.ufsc.br

Para a imprensa, mais informações com o professor Luiz Alberto Peregrino, fone (48) 3721-8147 / /

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Saiba Mais

AIDS em Santa Catarina
–  O documento A Epidemia da AIDS em Santa Catarina (1984-2011) , da Secretaria de Estado da Saúde, registra que desde 1984 foram notificados no Estado 25.950 casos em adultos, 929 em crianças e 4.756 gestantes HIV positivas.
– Além disso, desde 1994 foram notificados 139.271 casos de algum tipo de doença sexualmente transmissível.
– O relatório mostra que as taxas de incidência e mortalidade no Estado são sempre mais altas em relação às taxas nacionais.
– E detalha que Santa Catarina apresenta taxas de mortalidade superiores às do Brasil, sendo, provavelmente, devido a diagnóstico tardio, dificuldades na adesão ao tratamento, esquemas de tratamento antirretrovirais e profilaxia das infecções oportunistas inadequadas, além de dificuldades de acesso para acompanhamento médico especializado.
– Florianópolis (com 4.174 casos), Joinville (2.836), Itajaí (2.320), Blumenau (1.630) e São José (1501) são os cinco municípios catarinense com o maior número de casos de Aids entre adultos.
– Dezessete cidades catarinenses constam do ranking divulgado pelo Ministério da Saúde em 2009 em que foram elencados os 100 municípios brasileiros com as maiores taxas de incidência da doença: Florianópolis, Joinville, Itajai, Blumenau, São José, Criciuma, Balneário Camboriu, Lages, Camboriu, Palhoça, Tubarão, Jaraguá do Sul, Biguaçu, Rio do Sul, Araranguá, Içara e Indaial.
– A epidemia vem apresentando mudanças no perfil epidemiológico. A tendência é caracterizada pela heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização.

Aids no Brasil
– De acordo com o último Boletim Epidemiológico (ano base 2010), o Brasil tem 608.230 casos registrados de Aids (condição em que a doença se manifestou).
– Em 2010, foram notificados 34.218 casos da doença e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 17,9 casos por 100 mil habitantes.
– A razão de sexo vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1985, para cada 26 casos entre homens, havia um caso entre mulher. Em 2010, essa relação é de 1,7 homens para cada caso em mulheres.
– A taxa de prevalência da infecção pelo HIV na população de 15 a 49 anos mantém-se estável em 0,6% desde 2004, sendo 0,4% entre as mulheres e 0,8% entre os homens.
– O Boletim Epidemiológico demonstra que, considerando a série histórica, há um aumento de casos em gays de 15 a 24 anos nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. As Regiões Norte e Nordeste não apresentam diferenças significativas nessa população.
– Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 83,1% dos casos registrados em 2010 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 42,4% dos casos se deram por relações heterossexuais, 22% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.
– Em relação à taxa de mortalidade, o boletim sinaliza queda. Em 12 anos, a taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. A queda foi de 17%.

Pesquisadores estudam mosquitos na Ilha de Santa Catarina

06/03/2012 09:24

Tubérculos de mosquito que se cria em bromélias

Com suporte da microscopia eletrônica de varredura, tecnologia que permite a ampliação de amostras e a produção de imagens em alta resolução, equipe do Laboratório de Entomologia da UFSC estuda ovos de mosquitos coletados em diferentes locais da Ilha de Santa Catarina.

A pesquisa passa por etapas de coleta de mosquitos, obtenção de ovos, estudos sobre a biologia dos ovos, análise do material por microscopia eletrônica de varredura, redação de trabalhos e relatórios. As análises dos ovos, que têm dimensões entre 500 a 700 micrômetros (um micrômetro ou mícron equivale à milésima parte do milímetro), são realizadas em microscópios do Laboratório Central de Microscopia Eletrônica da UFSC e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição parceira do projeto. A pesquisa tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“O estudo permitirá, quando se encontrar ovos de mosquitos numa coleção de água, identificá-los corretamente”, explica Carlos Brisola Marcondes, coordenador do projeto, pesquisador com 37 anos de trabalhos em entomologia médica. De acordo com o professor, apenas 12% das 3.600 espécies de mosquitos do mundo tiveram seus ovos descritos. Com trabalhos realizados desde 2000, a equipe da UFSC já encontrou mais de 60 espécies só na Ilha de Santa Catarina, entre 460 documentadas no Brasil – e supõe haver ainda muitas outras a serem encontradas.

Neste novo projeto, a meta é obter e caracterizar por microscopia eletrônica de varredura ovos de pelo menos 10 a 15 espécies de mosquitos das tribos Aedini e Sabethini, obter dados sobre sua biologia e variações regionais. As tribos Aedini e Sabethini têm grande quantidade de espécies (respectivamente 1.255 e 423), várias com importância médica, pois são vetores de agentes causadores de doenças como dengue e febre amarela.

Ovo de Aedes scapularis, mosquito comum em áreas alagadiças em Florianópolis, incluindo o Parque do Córrego Grande e o campus da UFSC

“O conhecimento sobre a morfologia externa de ovos de mosquitos é importante para a identificação de material de criadouros, para a compreensão de sua biologia e da sistemática do grupo, e poucas espécies, especialmente das tribos Sabethini e Aedini, tiveram seus ovos caracterizados”, destaca o professor, autor do livro Entomologia Médica Veterinária, que reúne informações sobre insetos nocivos à saúde animal e humana, além de outros dois livros sobre o assunto e 80 artigos científicos.

Os mosquitos têm sido coletados na Unidade de Conservação Ambiental Desterro, na região próxima da Reserva Carijós e na praia de Jurerê. Serão também obtidos ovos de mosquitos silvestres em outros estados, em regiões com vários graus de preservação.

Em saídas de campo recentes, o grupo esteve em numa área de Jurerê Internacional e observou centenas de mosquitos. Alguns foram capturados e estão sendo identificados como de espécies agressivas e potencialmente perigosas, como Psorophora ferox (“causadora de feridas feroz”). As capturas prosseguem em meio à vegetação, com um coletor de sucção adquirido recentemente pela UFSC.

Mais informações: professor Carlos Brisola Marcondes  / / (48) 3721-5208

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

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Livro reúne informações sobre insetos nocivos à saúde animal e humana

Coral invasor é localizado no entorno da Reserva Marinha Biológica do Arvoredo

17/02/2012 08:20

O coral-sol é uma espécie invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Foto de Otto Schubart Neto/ Divulgação Bertuol Escola de Mergulho

Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)  vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol  em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.

A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.

“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.

Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.

O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.

A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.

A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.

“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.

Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).

A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho.  Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.

Mais informações:
Professor Alberto Lindner (  / Fone: (48) 3721-4744)
Bióloga Cecília Pascelli ()

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

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Professor da UFSC é premiado pelo Howard Hughes Medical Institute

26/01/2012 14:21

André Báfica

O professor André Luiz Barbosa Báfica, 36 anos, (currículo lattes), do Departamento de Microbiologia, Imunologia & Parasitologia (MIP) do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina, foi um dos 28 cientistas selecionados para receber o prêmio International Early Career Scientist (IECS), do Howard Hughes Medical Institute.  O HHMI é uma das mais importantes instituições que apóiam pesquisas na área de saúde e biologia dos Estados Unidos. O prêmio foi divulgado (www.hhmi.org/news/iecs20120124.htm) na segunda-feira, 24 de janeiro. A seleção foi feita dentre 760 jovens pesquisadores do mundo inteiro. André foi o único brasileiro a receber o prêmio de 650 mil dólares ao longo de cinco anos para desenvolver uma vacina mais eficaz para tuberculose.

(mais…)

UFSC colabora com avaliação física do ciclista Murilo Fischer

22/12/2011 16:01
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As pedaladas de Murilo Fischer, atleta catarinense que está na elite do ciclismo internacional, podem ser aprimoradas com a colaboração do Laboratório de Esforço Físico, ligado ao Centro de Desportos da UFSC. Na tarde desta quarta-feira, 21 de dezembro, o ciclista teve sua performance avaliada em uma série de testes realizados na Universidade.

Nas próximas semanas deve retornar (ainda sem data definida) para novas avaliações, antes de partir para a Europa e iniciar a temporada de competições. Listado entre os melhores atletas brasileiros de 2011, modalidade ciclismo estrada, Murilo Fischer venceu em 2005 a UCI Europe Tour da União Ciclística Internacional, em 2002 venceu a 17ª etapa do Circuito Di Colle Umberto, na Itália, e em 2000 foi o representante do Brasil na prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Sydney, entre outras conquistas.

“Essa é uma parte fundamental do treinamento e sabemos que a UFSC é referência. O ideal seria fazer essa avaliação toda semana”, disse o atleta, natural de Brusque, logo depois da bateria de testes acompanhada pela equipe do laboratório e por seu preparador físico, Milton Carlos Della Giustina.

Um dos equipamentos usados nas avaliações de desempenho físico na Universidade é o cicloergômetro, uma bicicleta ergométrica ajustável, capaz de reproduzir as configurações da bicicleta de Murilo, e que é controlada via computador. O equipamento de 32 mil euros foi adquirido pela UFSC há dois anos, a partir de um projeto enviado ao Programa Capes Pró-Equipamentos, e permite que aos poucos maior esforço seja exigido do atleta, ao mesmo tempo em que uma série de variáveis são medidas e monitoradas.

“As pedaladas no equipamento e a coleta de uma gota do lóbulo da orelha de Murilo resultam em informações valiosas, como o consumo de oxigênio, a geração de gás carbônico, a produção de lactato (um subproduto do ácido láctico, “inimigo” dos atletas por provocar dores musculares e câimbra) e a capacidade do organismo de metabolizar essa substância”, explica o professor Fernando Diefenthaeler, especialista em Fisiologia do Exercício e um dos integrantes do Laboratório de Esforço Físico da UFSC.

“Se o lactato não é metabolizado, acaba sendo acumulado e gera a chamada acidose, prejudicial ao organismo. Os testes mostram quando o atleta atinge seus limites e indicam como a preparação física pode auxiliar no aprimoramento do desempenho”, exemplifica o professor. “Estes dados laboratoriais são a agulha da bússola. Eles nos mostram como conduzir o treinamento”, reforçou o preparador físico de Murilo.

Primeiro laboratório implantado no Centro de Desportos, o Laboratório de Esforço Físico é coordenado pelo professor Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo, pesquisador que conta com uma longa experiência na área da avaliação de desempenho físico, fez mestrado e doutorado no campo de Ciências da Motricidade, área de Biodinâmica da Motricidade Humana, linha de pesquisa Metabolismo e Exercício.

O LAEF é um laboratório de pesquisa, extensão e ensino. Atualmente está instalado no Bloco V do Centro de Desportos, próximo à pista de atletismo, com uma área de 98 metros quadrados. Entre os equipamentos, destacam-se duas bicicletas ergométricas, dois analisadores de gases, aparelho para medir a força de membros inferiores e diversos materiais para medidas antropométricas.

Mais informações na UFSC:

– Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo / / (48) 3721-9964

– Fernando Diefenthaeler / / (48) 3721-8530

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Cláudia Reis / Jornalista da Agecom

 

Planetário da UFSC completa quatro décadas nesta segunda-feira

11/12/2011 17:12

Atualmente o planetário localizado no campus da UFSC no bairro Trindade está integrado ao Observatório Astronômico e a brinquedos interativos que representam um “embrião” do Parque Viva Ciência que a Universidade busca implantar no aterro da Baía Sul

Único em Santa Catarina, o Planetário da UFSC completa 40 anos no dia 12 de dezembro. Neste dia haverá sessões abertas ao público às 9h e 10h, às 14h30min e 16h. “Os planetários são simuladores do céu”, explica Edna Maria Esteves da Silva, que coordena o setor na UFSC. “Contemplar o céu estrelado numa noite sem Lua, longe da iluminação da cidade, desperta profunda emoção e encantamento nas pessoas. Os equipamentos de planetário fascinam pessoas de todas as idades, despertando muita emoção”, complementa a geógrafa.

Com 38 lugares, há anos o setor funciona em capacidade máxima, atendendo 15 mil pessoas por ano. Os visitantes são principalmente estudantes da educação básica. Em uma hora a turma recebe  informações sobre o céu da época, sobre constelações e acontecimentos astronômicos que possam ser destacados, como constelações visíveis naquele mês, eclipses ou a passagem de cometas.

Em seguida, os visitantes acompanham a exibição de filmes na cúpula do planetário, com material escolhido de acordo com a faixa etária. Toda quarta-feira o espaço é aberto ao público, a partir de 18h. Neste dia os visitantes podem também conhecer o Observatório Astronômico da Universidade, aberto para que a comunidade possa usar seus telescópios e fazer observações reais de estrelas e planetas. Todas as sextas-feiras o planetário é aberto para palestras do Grupo de Estudos de Astronomia.

Imagens e interatividade
Segundo a coordenadora do planetário, ainda que seja pequeno para atender a demanda (há sempre uma lista de espera), o setor tem como diferencial o fato de não trabalhar somente com a exibição de filmes. “A harmoniosa combinação do tema de uma sessão no planetário, com recursos de imagem, som e a interação de um apresentador podem levar o expectador a experiências ímpares de emoção”, defende Edna.

“Sempre recebemos as turmas com uma conversa, explicando fenômenos como as estações do ano, mostrando o sistema solar, respondendo perguntas, e assim percebemos que tipo de filme é mais adequado para a faixa etária que nos visita”, conta Edna.

Atuando desde 1971, o planetário da UFSC durante muitos anos funcionou com um projetor mecânico. Desde 2008 as apresentações ganharam qualidade com a instalação de um projetor digital, o Digistar, segundo do gênero na América do Sul. O equipamento foi adquirido com recursos da Finep, obtidos em projeto conjunto com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão. Como contrapartida, a UFSC reformou as instalações do planetário para receber o novo projetor, um poderoso banco de dados sobre Astronomia. Com ele, as sessões que eram realizadas de forma verbal, utilizando como recursos didáticos a projeção do céu, um projetor de slides e um projetor de vídeo, passaram também a ser “shows” de imagens, locução e música.

“O novo equipamento pode projetar qualquer tema. Possui um potencial multidisciplinar, combinando com a vocação do Parque Viva Ciência que a UFSC busca implantar no aterro da Baía Sul, em Florianópolis”, lembra Edna. A expectativa da equipe é que com a construção do novo espaço mais pessoas possam ser atendidas.

Mais informações sobre o planetário: / 3721-9241

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Pesquisa comprova presença de corais recifais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo

29/09/2011 07:54

A formação de corais recifais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. Fotos: Paulo Bertuol

Em conjunto com pesquisadores da UFSC que já desenvolviam projetos junto à Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em 2009 o biólogo e mergulhador Paulo Bertuol convidou o professor do Departamento de Ecologia e Zoologia Alberto Lindner para observar corais recifais na região. O fato despertou novos interesses acadêmicos e se tornou tema de uma dissertação de mestrado que está sendo desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC.

Resultados parciais dessa pesquisa foram este ano publicados em um artigo na revista Coral Reefs. “Nesse artigo reportamos a formação de corais recifais mais ao sul em todo o Oceano Atlântico, localizada na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, ao norte de Florianópolis e a mil e quinhentos quilômetros ao sul dos recifes de Abrolhos”, destaca Lindner, que desde 1996 estuda os cnidários, conjunto de animais que inclui corais, anêmonas e águas-vivas e orienta a pesquisa de mestrado da bióloga Kátia Capel.

“Os resultados apresentados no artigo são importantes pois mostram que é possível a formação de bancos de corais recifais mesmo no sul do Brasil, em Santa Catarina”,  complementa Lindner, também coordenador o projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina (veja mais abaixo).

Monitorando o fundo do mar
Desde dezembro de 2010, Kátia vai a cada três meses visitar a reserva para monitorar a população dos corais, que são da espécie Madracis decactis. A região ocupada mede 3400m² e está entre seis e 15 metros de profundidade. A maior densidade (maior número de colônias de corais por metro quadrado) concentra-se em regiões com cerca de nove metros de profundidade, e um dos aspectos já observados é que conforme a profundidade aumenta, aumenta também o tamanho das colônias.

“Para nós foi uma grande surpresa encontrar esse tipo de formação aqui no sul do Brasil. A espécie Madracis decactis havia sido registrada para Santa Catarina, mas não esperávamos observar o desenvolvimento de um banco de corais recifais no estado”, reforça Lindner.

Ao contrário do que acontece em Abrolhos, a espécie de coral encontrada em Santa Catarina não forma recifes, mas um banco de colônias livres sobre o fundo do mar. São duas hipóteses que podem explicar o desenvolvimento desses corais em forma livre.

A primeira é a de que esses animais marinhos estavam em formação rochosa e por algum motivo, como hidrodinâmica (movimento da água), se soltaram e continuaram se desenvolvendo de forma livre. A outra teoria é a de que a larva do coral pode ter se fixado em algum local móvel, como conchas, e se movimentou através das ondas, marés, ou movimento de outros animais. “Esse sítio de corais tem grande potencial para estudos e poderemos desenvolver outros projetos na região”, comemora Kátia Capel.

Vulnerabilidade
De acordo com Lindner, a formação deve ser melhor estudada e protegida, pois representa o limite sul de distribuição de corais recifais em todo o Oceano Atlântico. No Portal Biodiversidade de Santa Catarina, colorido com imagens de esponjas, medusas, corais e peixes, a equipe coordenada pelo professor alerta para a importância do conhecimento e monitoramento da fauna e flora marinha de Santa Catarina.

Logo na página de abertura o grupo destaca que modelos climáticos projetam um acréscimo na temperatura dos oceanos até 2100. Como no Brasil o litoral do estado de Santa Catarina representa o limite sul de distribuição da fauna e flora marinha tropical do Oceano Atlântico, pode ser uma das primeiras áreas no Atlântico onde os potenciais impactos deste aquecimento poderão ser detectados em organismos marinhos. “Isso faz de Santa Catarina um laboratório natural para se monitorar e descrever respostas ecológicas aos impactos antrópicos”, ressalta Lindner.

Independentemente das projeções para os próximos 100 anos, complementa o grupo formado por professores, estudantes de graduação e pós-graduação, é fundamental descrever em detalhe a biodiversidade de organismos marinhos recifais em Santa Catarina, o que pode proporcionar condições mínimas para previsões e modelos estruturados de cenários futuros. “O levantamento taxonômico e o monitoramento da costa é muito importante e se tornou um assunto de interesse da comunidade científica internacional”, destaca o professor.

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) financia as pesquisas por meio dos projetos Jovens Pesquisadores e Biodiversidade Marinha de Santa Catarina, enquanto o Instituto Chico Mendes (ICMBIO) auxilia com a logística e trabalhos de campo por meio da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. A defesa da dissertação de mestrado de Kátia, que trará resultados obtidos nos estudos sobre a espécie de coral recifal Madracis decactis em Santa Catarina, está programada para o próximo ano. A pós-graduanda é co-orientada pela professora Bárbara Segal Ramos, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC.

Saiba Mais:

Portal da Biodiversidade Marinha de Santa Catarina

O Projeto Biodiversidade Marinha do Estado de Santa Catarina é desenvolvido por uma equipe de professores e estudantes da UFSC. Sintetizar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha de Santa Catarina e obter novos dados estão entre os objetivos. Dados sobre espécies de esponjas já estão disponibilizados no site www.biodiversidade.ufsc.br. A iniciativa tem apoio da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).  O trabalho integra a Rede Sisbiota-Mar (Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha), direcionada a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira.

O Sisbiota-Brasil é uma iniciativa conjunta entre os ministérios da Ciência e Tecnologia, da Educação e do Meio Ambiente, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de 18 fundações estaduais de amparo à pesquisa, incluindo a FAPESC. Na UFSC é coordenado pelo professor Sérgio R. Floeter, também do Departamento de Ecologia e Zoologia, e integra pesquisadores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará.

Mais informações com o professor Alberto Lindner (48) 3721-4744 / ou Kátia Capel

Por Rafaela Blacutt (Bolsista de Jornalismo na Agecom) e Arley Reis (Jornalista na Agecom)

Portal reúne informações sobre biodiversidade marinha de Santa Catarina

22/02/2011 07:47

Maior produtor nacional de pescado, Santa Catarina tem o mar como elemento central de sua história, cultura e economia. O Estado é também pioneiro nos estudos sobre a biodiversidade marinha, com pesquisas realizadas desde o século XIX pelo naturalista Fritz Müller. Além disso, Santa Catarina representa o limite sul de distribuição da fauna e flora marinha tropical do Oceano Atlântico e seu litoral pode se tornar um “termômetro” dos impactos e mudanças climáticas.

Levando em conta estas questões, uma equipe de professores e estudantes da UFSC desenvolve o projeto Biodiversidade Marinha do Estado de Santa Catarina. A iniciativa tem apoio da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc).  O trabalho integra a Rede SISBIOTA-Mar (Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha), direcionada a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira

Sintetizar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha de Santa Catarina e obter novos dados estão entre os objetivos do projeto da UFSC. Dados preliminares sobre espécies de esponjas e cnidários estão disponibilizados no  Portal da Biodiversidade Marinha do Estado de Santa Catarina (www.biodiversidade.ufsc.br).

De acordo com o coordenador do projeto, o professor do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, Alberto Lindner, no período de 2010-2011 o trabalho será focado nos animais marinhos mais simples, dos filos Porífera (esponjas) e Cnidária (corais, anêmonas e águas-vivas).

Na primeira versão do portal estão disponíveis as listas de espécies de esponjas e cnidários do Estado de Santa Catarina, compiladas com o apoio de alunos de graduação da UFSC e dos doutorandos João Luís Carraro, da UFRGS, e Sérgio Stampar, da USP. Para as esponjas já estão também disponibilizadas fichas de identificação, com descrição morfológica, espécies similares, distribuição, registro em Santa Catarina, taxonomia e referências bibliográficas.
Lindner explica que integram o portal somente informações  presentes na bibliografia científica.  “Não basta uma pessoa nos dizer que viu uma esponja em determinado local”, explica. Segundo ele, novos relatos sobre organismos marinhos são valiosíssimos, mas para integrar o portal o desafio da equipe é compilar literatura primária confiável, organizando as informações na internet para que possam ser acessadas de maneira simples por outros pesquisadores e também pelo público em geral.

“As listas estão entre os mais importantes componentes do portal e esperamos colaborar para um salto na acessibilidade a estes dados”, destaca o professor. Algumas fichas já disponibilizadas para esponjas fazem link com o Ocean Biogeographic Information System (OBIS), que indica a distribuição da espécie no mundo.
Tropicalização da fauna e flora marinha

O portal colorido com imagens de esponjas, medusas, corais e peixes alerta para a importância do conhecimento e monitoramento da fauna e flora marinha de Santa Catarina. Logo na página de abertura a equipe destaca que modelos climáticos projetam um acréscimo entre 2°C e 7°C na temperatura dos oceanos até 2100. Como no Brasil o litoral do estado de Santa Catarina representa o limite sul de distribuição da fauna e flora marinha tropical do Oceano Atlântico, pode ser uma das primeiras áreas no Atlântico onde os potenciais impactos do aquecimento global poderão ser detectados em organismos marinhos.

“Uma possível consequência que poderá ser observada nas próximas décadas em Santa Catarina é uma maior tropicalização da fauna e flora marinha do sul do Brasil, o que faz de Santa Catarina um laboratório natural
para se monitorar e descrever respostas ecológicas aos impactos antrópicos”, ressalta a equipe.
Independentemente das projeções para os próximos 100 anos, complementa o grupo formado por professores, estudantes de graduação e pós-graduação, é fundamental descrever em detalhe a biodiversidade de organismos marinhos recifais em Santa Catarina, o que pode proporcionar condições mínimas para previsões e modelos estruturados de cenários futuros. “O levantamento taxonômico e o monitoramento da costa é muito importante e se tornou um assunto de interesse da comunidade científica internacional”, destaca o professor.

O projeto Biodiversidade Marinha do Estado de Santa Catarina apoia também uma dissertação de mestrado que investiga a biodiversidade e a distribuição de corais na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em Santa Catarina.
O Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil) é uma iniciativa conjunta entre os ministérios da Ciência e Tecnologia, da Educação e do Meio Ambiente, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de 18 fundações de amparo à pesquisa estaduais. Na UFSC é coordenado pelo professor Sérgio R. Floeter, também do Departamento de Ecologia e Zoologia, e integra pesquisadores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará.

Mais informações www.biodiversidade.ufsc.br / Alberto Lindner / (48) 3721-9460 /

Por Arley reis / Jornalista da Agecom

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Equipes monitoram presença de águas-vivas no litoral e orientam sobre acidentes

Observações do projeto Biodiversidade Marinha do Estado de Santa Catarina, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, indicam que a espécie de água-viva que pode ter causado a maior parte dos acidentes nesse verão é Olindias sambaquiensis, descrita pelo naturalista Fritz Müller em Santa Catarina. A equipe observou e fotografou a espécie no litoral de Florianópolis e vai monitorar sua presença no Estado também no inverno.

Números disponibilizados pelo Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT), que funciona junto ao Hospital Universitário da UFSC, mostram que no final de 2010 foram registradas 48 intoxicações por celenterados (águas-vivas, caravelas e larvas) no final de 2010. No início de 2011 já foram 32 casos registrados no CIT/SC.

O Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina mantém um serviço de plantão permanente durante 24 horas. O contato deve ser feito pelo telefone 0800-643-5252. Além de registrar as ocorrências, a equipe alerta para o que fazer no caso de queimaduras por águas-vivas e caravelas:

Orientações do Centro de Informações Toxicológicas:

– Antes de entrar no mar é fundamental observar na areia da praia se existem águas-vivas mortas. Caso isto ocorra deve-se tomar mais cuidado pois provavelmente existem outras vivas no mar. É importante ter bastante atenção para não encostar em alguma.

– Como neste período do ano, quando a água é mais quente existem muitas águas vivas as pessoas deveriam levar na bolsa de praia um frasco de vinagre para o caso de um acidente

– Quando houver queimadura com água viva, não se deve colocar água doce no local, visto que os nematocistos rompem por osmose e liberam mais “veneno”, aumentando a reação local.

– Se houver tentáculos aderidos a pele, estes podem ser retirados com uma pinça ou por “raspagem” com a borda não cortante de uma faca por exemplo.

– A melhor medida a ser tomada é colocar vinagre no local. O vinagre deve permanecer em contato com a pele de 15 a 30 minutos. O ideal é “esguichar” um pouco diretamente na pele e após isso embeber um pano, por exemplo uma fralda, com vinagre e mantê-la em contato com todo o local “queimado” por 15 a 30 minutos.

– Nos casos de dor leve a moderada, pode ser utilizado um analgésico comum do tipo paracetamol ou dipirona. Se a dor for intensa ou houver outros sintomas como vômitos, é importante encaminhar o acidentado a uma unidade de saúde para ser realizado uma analgesia mais potente.

– Felizmente as águas vivas do nosso litoral não são tão tóxicas como as “australianas”. Lá as águas vivas são os animais que mais matam. Existem espécies tão tóxicas que podem causar a morte em poucos minutos.

Saiba Mais:
48 Intoxicações por Celenterados registrados no CIT/SC, no período de 2010:
Água-Viva: 43
Caravela: 4
Larva de Cnidário: 1

32 Intoxicações por Celenterados registrados no CIT/SC, no período de Janeiro a 16 de Fevereiro de2011.
Água-Viva: 30
Caravela: 2

Mais informações sobre registros de acidentes com águas-vivas e caravelas junto ao Centro de Informações Toxicológicas: (48) 3721-9083 / 0800-643-5252 (Ligação Gratuita 24h) / www.cit.sc.gov.br
/

Mais informações sobre a identificação da espécie Olindias sambaquiensis no litoral de Florianópolis: Alberto Lindner / (48) 3721-9460 /

Estudantes têm hábitos alimentares e de assitir à TV analisados em estudo

14/02/2011 15:38

Será defendida na UFSC nesta terça-feira, 15 de fevereiro, uma dissertação que avaliou a informação alimentar e nutricional da gordura trans em rótulos de produtos alimentícios comercializados em um supermercado de Florianópolis. O trabalho de Bruna Maria Silveira foi desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC, com orientação da professora Rossana Proença.

No dia 9 de fevereiro foi apresentado trabalho sobre incidência e fatores associados ao sobrepeso/obesidade em crianças assistidas por unidades de educação infantil de Florianópolis.  Esta semana, na sexta-feira, defesa de outra dissertação importante: Hábitos alimentares, comportamento consumidor e hábito de assistir à televisão de estudantes de Florianópolis. Só no início do ano serão defendidas junto ao programa 14 dissertações. A Pós-Graduação em Nutrição funciona no Centro de Ciências da Saúde da UFSC.

Mais informações: Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Nutrição-UFSC / (48) 3721-5138

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Dissertações com defesas agendadas para fevereiro e março de 2010:

– Hábitos alimentares, comportamento consumidor e hábito de assistir à televisão de estudantes de Florianópolis

– Informação alimentar e nutricional da gordura trans em rótulos de produtos alimentícios comercializados em um supermercado de Florianópolis

– Controle do sal/sódio no processo produtivo de refeições

– Estratégias de gestão da qualidade dos vegetais e frutas fornecidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos para a Alimentação Escolar

– Incidência e fatores associados ao sobrepeso/obesidade em crianças assistidas por unidades de educação infantil de Florianópolis

– Marcadores de estresse oxidativo em crianças e adolescentes em fibrose cística

– Efeito da quimioterapia sobre o peso corporal e o estresse oxidativo em mulheres com câncer de mama

– Avaliação do estado nutricional: comparação entre métodos de rastreamento nutricional e de composição corporal

– Qualidade nutricional, sensorial, regulamentar e sustentabilidade no abastecimento de carne bovina em unidades produtoras de refeições

– Efeito da suplementação de óleo de peixe nos marcadores da resposta inflamatória e do estado nutricional em indivíduos adultos com câncer colo-retal

– Estado nutricional, indicadores sociodemográficos, comportamentais e de escolha alimentar de comensais em restaurante de bufê por peso

– Associação entre variáveis sociodemográficas, dietéticas, estado nutricional dos pais e sobrepeso / obesidade em escolares de 7 a 14 anos de Florianópolis

– Efeito da erva-mate (ilex paraguariensis) na modulação gênica e na atividade da enzima paroxonase: estudos in vitro e in vivo

– Dieta hipossódica: modificações culinárias em preparações e a aceitação por indivíduos hospitalizados

Evento discute situação das doenças tropicais e controle das epidemias no Brasil

07/06/2010 13:51

Panorama da Influenza H1N1 no Sul do Brasil; situação da dengue em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná; expansão das leishmanioses no Sul do Brasil; coinfecções HIV/hepatites, doenças do viajante. Estes são alguns dos temas que serão debatidos no II Encontro Catarinense de Medicina Tropical Joaquim Alves Ferreira Neto. O evento marca também os 100 anos da descoberta da doença de Chagas e será realizado no Hotel Cambirela, em Florianópolis, no período de 11 a 13 de agosto. As inscrições estão abertas.

Os temas da programação foram propostos em conjunto por pesquisadores e administradores da área de saúde, levando em conta a importância e atualidade regional. O evento vai reunir especialistas nas áreas de medicina tropical e gestão em saúde, gestores estaduais e municipais, estudantes de graduação e de pós-graduação.

A promoção é da Regional de Santa Catarina da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, com apoio da UFSC, SUS e Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.

Mais informações: http://www.proto.ufsc.br/sbmt/index.htm / e-mail:

Na UFSC: Laboratório de Protozoologia / fone (48) 3721-5164

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

<programação:

quarta-feira / 11/08

13h30min– Redes de Pesquisa em Doenças Tropicais no Sul do Brasil

Sociedade Brasileira de Medicina

19h30min: Conferência 1

Papel da Pesquisa e do Ensino da Medicina Tropical nos Desafios para o

Controle e Diagnose de Doenças Endêmicas

Palestrante: Pedro Tauil (UNB/DF)

Moderador: Bruno Rodolfo Schlemper Jr (UNOESC/DIVE/SES/SC)

quinta-feira / 12/08

8h30min Conferência 2

Políticas Governamentais para o Controle de Endemias/Epidemias

Palestrante: Eduardo Hage (SVS/MS/DF)

Moderador: Edmundo Carlos Grisard

10h Mesa-Redonda 1

História das Doenças Tropicais no Sul do Brasil

Doença de Chagas – Dr. Mário Steindel (UFSC/SC)

Malária – Dr. Pedro Tauil (UNB/DF)

Filariose Linfática – Dr. Bruno R. Schlemper Jr. (UNOESC/DIVE/SES/SC)

Esquistossomose – Dra. Marília Siriani de Almeida (FIOCRUZ/UFSC/SC)

Coordenador: Dr. Nelson Grisard (UFSC/SC)

10h Mesa-Redonda 2

Doenças Tropicais e Meio Ambiente

Alterações Ambientais e Doenças Tropicais – Fernando de Ávila Pires

(UFSC/SC)

Hantavirose – Sonia Mara Raboni (ICC/PR)

Leptospirose – Oswaldo Vitorino de Oliveira (UFSC/SC)

Febre Amarela – Alessandro Pecego (SVS/MS)

Coordenador: Alcides Milton da Silva (UFSC/SC)

14h15 Mesa-Redonda 3

Dengue na Região Sul do Brasil: Padrão Epidemiológico, Diagnóstico e

Perspectivas de Controle Vetorial

Diagnóstico Laboratorial da Dengue – Juliano Bordignon (ICC/PR)

Situação da Dengue em Santa Catarina – Suzana Zeccer (DIVE/SES/SC)

Panorama da Dengue no Estado do Rio Grande do Sul – Laura Londero Cruz,

(CVS/SES/RS)

Epidemiologia da Dengue no Estado do Paraná – José Lúcio dos Santos

(SVS/PR)

Coordenador: Alex Onacli Moreira Fabrin (CCZ/FLN)

14h15 Mesa-Redonda 4

Acidentes por Animais Peçonhentos

Experiência do SES Paraná no controle de escorpiões – Emanuel Marques

da Silva (SES/CIT/PR)

Aspectos clínico-epidemiológicos e tratamento de acidentes causados pela

aranha marron – Marlene Entres (HC/PR)

Papel dos Centros de Informação Toxicológica no suporte ao diagnóstico e

tratamento dos acidentes por animais peçonhentos – Dra. Marlene Zannin

(CIT/UFSC/SC)

Aspectos clínico-epidemiológicos e tratamento do acidente Botrópico – Maria da

Graça Bolsinha Marques (CVS/CIT/RS)

Coordenador: Margarete Grando (DVS/SES/SC)

17h Conferência 3

Panorama da Pandemia de Influenza H1N1 no Sul do Brasil

Palestrante: Luis Antônio da Silva (DIVE/SES/SC)

Moderador: Dr. André Bafica (UFSC/SC)

Sexta-feira – 13/0

8h30min Conferência 4

Doenças do Viajante: Regulamento Sanitário Internacional

Palestrante: Maria Aparecida Shikanai-Yasuda (USP/SP Presidente da SBMT)

Moderador: Dr. Fernando Dias de Ávila Pires (FIOCRUZ/UFSC/SC)

10h Mesa-Redonda 5

Expansão das Leishmanioses no Sul do Brasil: Vetores, Epidemiologia,

Diagnóstico e Controle

Aspectos Epidemiológicos da LTA em Santa Catarina – Maria Ernestina

Makowieck (DIVE/SES/SC)

Coinfecção HIV/Leishmania Clínica, Diagnóstico e Tratamento – Marise

da Silva Mattos (HNR-SC/FIOCRUZ-RJ)

Leishmaniose Visceral no Rio Grande do Sul – Dr. Celso dos Anjos

(CVS/SES/RS)

Situação Epidemiológica da LTA no Paraná – Enéas Cordeiro de Souza Filho

(SES/PR)

Coordenador: Eida Maria França (DIVE/SES/SC)

10h Mesa-Redonda 6

Zoonoses Emergentes e Re-emergentes: Epidemiologia, Diagnóstico,

Tratamento e Controle

Cenário atual do complexo teníase/cisticercose e a notificação obrigatória no

Paraná – Natal Jataí de Camargo (SES/PR)

Condutas diagnósticas e terapêuticas da epilepsia na NCC – Paulo T.

Bittencourt (HU/UFSC/SC)

Epidemiologia e diagnóstico da Hidatidose na Região Sul do Brasil – Arnaldo

Zaha (UFRGS/RS)

Situação Epidemiológica e Controle da Raiva no Sul do Brasil. Alda Rodolfo da

Silva (DIVE/SES/SC)

Coordenador: Suzana Zeccer (DIVE/SES/SC)

14h15min Mesa-Redonda 7

Coinfecções HIV/Hepatites: Epidemiologia, Tratamento e Perspectiva Vacinal

Situação Epidemiológica e Tratamento atual do HIV/AIDS – Dr. Luis Gustavo

Escada Ferreira (HRSJ/SC)

Perspectivas de vacina para o HIV – Dirceu Grecco (UFMG/MG)

Situação epidemiológica das hepatites no Sul do Brasil – Rosalie Knoll

(UNIVALI/SMS/Itajaí/SC)

Acesso ao Diagnóstico e Tratamento das Hepatites virais – Fábio Gaudenzi

(DIVE/HNR)

Coordenador: Aguinaldo Roberto Pinto (UFSC/SC)

14h15 Mesa-Redonda 8

Tuberculose e outras micobacterioses de importância médica: Diagnóstico,

Resistência e Tratamento

Panorama da Tuberculose no Brasil – Draurio Barreira (SVS/MS)

Perspectiva da Tuberculose Multi-Resistente – Sérgio Mendonça

(DIVE/SES/FURB)

Micobactérias não Tuberculosas na Região Sul do Brasil – Maria Luiza

Bazzo (UFSC/SC)

Pesquisa da Tuberculose em Santa Catarina – André Báfica (UFSC/SC)

Coordenador: Elma Fiord da Cruz (DIVE/SES/SC)

17 Conferência de Encerramento

Biotecnologia em Saúde: impacto no controle das doenças tropicais

Palestrante: Samuel Goldenberg (ICC/PR)

Mediador: Álvaro José Romanha

Jovens pesquisadores representam a UFSC na 61ª Reunião Anual da SBPC

07/07/2009 08:40
Estudantes recebem prêmio Destaques da Iniciação Científica

Estudantes recebem prêmio Destaques da Iniciação Científica

Seis alunos de graduação representarão a UFSC no maior encontro científico da América Latina, a Reunião Anualda Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Os estudantes participarão da 16ª Jornada de Iniciação Científica, que será realizada durante a Reunião da SBPC, de 12 a 17 de julho, em Manaus, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão da UFSC vai custear, além da inscrição, a hospedagem e o transporte dos jovens pesquisadores.

Os estudantes inscritos para a SBPC foram vencedores do Prêmio Destaques da Iniciação Científica, entregue em abril. Bruna Ribeiro Mileo, Cristiane Regina Muller, Diego Barneche Rosado, Raphael Antônio de Camargo Serafim, Viviane Vieira e Diana Treml apresentaram projetos na 18ª edição do Seminário de Iniciação Científica, realizado na UFSC em outubro de 2008. Pela qualidade de seus trabalhos, foram selecionados entre mais de 500 alunos contemplados com Bolsas de Iniciação à Pesquisa (BIP/UFSC) e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq) que participaram da mostra.

Com recursos do CNPq e da própria universidade, a UFSC investe cerca de 14 milhões anuais na iniciação científica, oferecendo cerca de 500 bolsas por ano. As bolsas permitem a participação dos acadêmicos em projetos de diferentes áreas e deflagram, em muitos casos, a carreira de pesquisador. O ambiente da SBPC, que reúne milhares de cientistas, professores, estudantes de graduação e de pós-graduação deve ser mais um incentivo ao grupo de jovens cientistas da UFSC.

Saiba Mais:

Diversidade e atualidade nos trabalhos

Aproveitamento do óleo da amêndoa de pêssego

O crescente interesse das indústrias farmacêuticas e alimentícias por produtos naturais motivou o trabalho de Bruna Ribeiro Mileo, do Curso de Engenharia de Alimentos, do Centro Tecnológico da UFSC. O projeto ´Avaliação de solventes e técnica de extração na obtenção do óleo de amêndoa do pêssego` foi direcionado ao principal resíduo do processamento dessa fruta, que é o seu caroço. Ele é constituído por uma amêndoa rica em óleo, mas normalmente é destinado à alimentação animal. Uma das maneiras de aproveitar este resíduo é extrair óleo da amêndoa.

O objetivo de Bruna em seu projeto de iniciação científica foi avaliar a técnica de obtenção e uso de diferentes solventes no rendimento do óleo de amêndoa de pêssego. As técnicas de extração utilizadas foram convencionais (soxhlet, maceração com fracionamento e hidrodestilação), mas o trabalho foi também vinculado a um projeto de mestrado que estudou uma técnica alternativa, a extração supercrítica. Além disso, foi estudado o potencial aromatizante do óleo de amêndoa de pêssego em um alimento. O produto selecionado para a aplicação foi o sorvete. O trabalho foi orientado pelo professor Julian Martinez, do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos.

Zoneamento do Parque Ecológico Municipal de Palhoça

A pesquisa de Cristiane Regina Muller, do Curso de Geografia, teve como objetivo realizar a caracterização biogeográfica e levantar o histórico de criação do Parque Ecológico Municipal de Palhoça/SC, para elaborar uma proposta de zoneamento de acordo com a legislação ambiental vigente. Esta unidade de conservação engloba a maior parte dos manguezais do município de Palhoça/SC. No entanto, seu processo de implementação não foi concluído e a situação de conservação é problemática, em virtude da indefinição dos seus limites, da forte pressão de urbanização no entorno e sobre a área, que dificultam sua gestão.

Segundo a estudante, por meio do mapeamento foi possível observar que o manguezal apresentou uma redução de 44,070 hectares, correspondente à diminuição de aproximadamente 10% em relação à área original na época de criação da unidade de conservação. O estudo foi orientado pela professora Ângela da Veiga Beltrame, do Departamento de Geociências.

Projeto Ilhas do Sul

O projeto que contou com a colaboração do estudante Diego Barneche

Rosado, do Curso de Biologia (atualmente cursando Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC), possibilitou um diagnóstico sobre as comunidades de peixes próximas a cinco ilhas catarinenses. Foram realizados 89 mergulhos, entre dezembro de 2007 e abril de 2008, em 10 pontos localizados em cinco ilhas. Três pertencem à Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (Rebio) e são protegidas por lei (Ilha da Galé, Ilha Deserta e Ilha do Arvoredo) e duas não têm restrição explícita à pesca, mas são importantes patrimônios ecológicos (Ilha do Campeche e arquipélago das Ilhas de Moleques do Sul).

O projeto ´Estrutura da comunidade de peixes recifais de ilhas catarinenses costeiras, com ênfase em biogeografia e conservação` foi orientado pelo professor Sergio Ricardo Floeter, do Departamento de Ecologia e Zoologia. Utilizando o método de censo visual (contagem de indivíduos), o estudo não detectou diferenças significativas nos valores de biomassa de espécies-alvo de pesca entre ilhas localizadas na reserva e em outras sem proteção. “A quantidade atual de grandes predadores, como meros, garoupas e tubarões é muito baixa comparada ao existente nas décadas de 50 e 60, o que é muito preocupante”, afirma Diego. A pesquisa alerta para o fato de que a fiscalização na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo pode não estar contendo a pesca ilegal.

Nanopartículas de prata

O estudante do Curso de Química, Raphael Antônio de Camargo Serafim, direcionou sua iniciação científica ao estudo e preparação de materiais ferrofluidos de óxido de ferro e a sua impregnação em polímeros específicos (plásticos), proporcionando materiais para a indústria tecnológica. Os materiais poliméricos modificados podem ser empregados no tratamento do câncer e miomas uterinos, em técnicas conhecidas como embolização e magnetohipertermia. As nanopartículas de prata são estudadas como possibilidade de gerar uma terapia menos agressiva. Levadas com um cateter até o tumor, elas atuam de forma concentrada no local, evitando que células

saudáveis sejam afetadas, como ocorre nos tratamento como a quimioterapia.

O projeto também se valeu de resultados sobre a ação antimicrobiana dos materiais poliméricos impregnados por nanopartículas de prata, já que esse metal é um poderoso bactericida com ação potencializada quando em proporção nanométrica. Raphael desenvolveu seu trabalho junto ao Laboratório de Síntese Inorgânica e Nanocompósitos (LabSiN), ligado ao Departamento de Química, com orientação do professor César Vitório Franco. As análises e caracterizações essenciais foram realizadas em parceria com o Laboratório Central de Microscopia Eletrônica, Laboratório Interdisciplinar de Materiais e Laboratório de Microbiologia do Hospital Universitário.

Relações familiares

A estudante Viviane Vieira, do Curso de Psicologia, direcionou sua pesquisa de iniciação científica ao estudo das relações familiares, fazendo uma comparação entre famílias que moram na Capital e outras que vivem em cidades do interior de Santa Catarina. O objetivo foi identificar, por meio de questionários, como mães avaliavam seus ambientes de criação (físico, social e familiar) durante a infância, quais eram as características de seus relacionamentos na adolescência e quais as estratégias reprodutivas adotadas na idade adulta.

Participaram do estudo 50 mães residentes em três cidades catarinenses – Florianópolis e duas cidades do interior. O estudo mostrou que na capital as mães apresentam maior escolaridade e renda, assim como têm menos filhos. No interior, as participantes indicaram escolaridade menor e maior número de filhos e de parceiros amorosos.

Foi também possível identificar que o estresse familiar e as escassas condições materiais na infância têm reflexos no modo como as mulheres direcionam a sua formação familiar, incluindo número de parceiros, de filhos e espaçamento entre os nascimentos. Um relatório foi enviado para a cidade do interior oeste, descrevendo os resultados e recomendando políticas públicas direcionadas às relações entre mãe e criança, essenciais para o desenvolvimento do indivíduo. A pesquisa ´Investimento e cuidado parentais: aspectos biológicos, ecológicos e culturais` foi orientado pelo professor Mauro Luís Vieira, do Departamento de Psicologia.

Transgênicos na indústria de alimentos

Na área de Ciências da Vida um dos destaques da iniciação científica foi a estudante Diana Treml, do Curso de Engenharia de Alimentos, trabalho desenvolvido no Laboratório de Biologia Molecular do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Sua pesquisa verificou se produtos que contém soja e são comercializados em Florianópolis estão de acordo com o decreto brasileiro sobre rotulagem de organismos geneticamente modificados em alimentos. Essa legislação estabelece que os produtos contendo acima de 1% de OGM devem conter esta informação no rótulo: “contém transgênico”.

Foram analisadas 59 amostras não rotuladas: 47 produtos cárneos (mortadela, empanado, presunto e salsicha), além de 12 derivados de soja (proteína texturizada, extrato de soja e farinha de soja). Entre as amostras analisadas, 52 foram positivas para presença de soja e destas seis foram positivas para presença da soja Roundup Ready (RR), primeiro organismo geneticamente modificado liberado para produção e comercialização no Brasil.

Como a legislação exige a rotulagem quando os produtos contêm acima de 1% de OGM, as seis amostras positivas foram submetidas à quantificação. Após a análise foi verificado que apenas uma das amostras apresentava uma quantidade de soja RR superior a 1%, sendo necessária a sua rotulagem. O trabalho indica que a legislação referente à rotulagem de OGM está sendo cumprida pelas indústrias de alimentos. A pesquisa foi orientada pela professora Ana Carolina Maisonnave Arisi, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Por Tiago Pereira / Bolsista de Jornalismo na Agecom

Foto geral estudantes: Jones Bastos / Agecom

Mais informações:

– Bruna Ribeiro Mileo ()

– Raphael Antonio de Camargo Serafim ()

– Cristiane Regina Muller ()

– Viviane Vieira ()

– Diego Barneche Rosado ()

– Diana Treml ()

Especial Pesquisa: Estudo gera instrumento para avaliação nutricional e sensorial de bufês de café da manhã

10/03/2008 14:14
Avaliação: ´opções principais` e ´opções de melhorias`

Avaliação: ´opções principais` e ´opções de melhorias`

Pular o café da manhã, tomar só um suco, ou nem isso. O hábito pode ser ainda mais comum entre executivos, submetidos a rotinas de viagens, longas jornadas de trabalho e refeições “transformadas” em encontros de negócios. Com foco neste profissional e na importância da primeira refeição do dia, um estudo desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC resultou em um instrumento de avaliação da qualidade nutricional e sensorial de bufês de café da manhã. Testes para o desenvolvimento do sistema AQCM (Avaliação da Qualidade do Café da Manhã) foram realizados em seis hotéis de negócios em Curitiba, no Paraná.

A ferramenta foi pensada para ser de fácil aplicação, a partir de observação visual, e para auxiliar restaurantes no momento de planejar e montar o bufê do café da manhã. Sua concepção leva em conta a oferta de alimentos saudáveis, opções de melhorias, a forma de apresentação e o fornecimento de informações completas aos clientes, entre outras questões. O sistema é resultado da dissertação ´Desenvolvimento de instrumentos para avaliação da qualidade nutricional e sensorial de bufês de café da manhã em hotéis de negócio`, de Suelen Caroline Trancoso. Integrado ao Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (Nuppre), o estudo orientado pela professora Rossana Proença é continuidade de pesquisas direcionadas à avaliação da qualidade nutricional de bufês.

A ferramenta

O instrumento de avaliação proposto define um padrão mínimo que o estabelecimento deve oferecer para seu cliente na primeira refeição do dia. As observações referentes aos alimentos foram descritas com base nas recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2006. O estudo ressalta que o café da manhã pode ser responsável pelo consumo de algumas ou de todas as porções diárias de grupos alimentares como os cereais, frutas e sucos de frutas, bem como leite e derivados.

Com base nos princípios da alimentação saudável, os formulários do instrumento de avaliação foram organizados em 15 grupos de alimentos, divididos em ´opções principais` e ´opções complementares`. Entre as opções principais estão leite, café e chá, sucos e água, iogurte e bebidas lácteas, cereais matinais, frutas in natura, queijos, derivados de carnes (frios), alimentos para o pão e pães.

A expressão ´opções complementares` foi utilizada para designar outros alimentos que freqüentemente aparecem em bufês de café da manhã e também foram verificados nos testes de aplicação, mas sua ausência não influenciará na qualidade nutricional e sensorial dessa refeição. Entre elas estão achocolatados; derivados de carnes (quentes), ovos, salgados e confeitaria (doces).

O instrumento de avaliação foi ainda dividido em avaliação do ambiente de café da manhã e dos alimentos da mesa de bufê. Quanto aos alimentos, além de verificar se os diferentes grupos estão contemplados, a ferramenta leva à observação da cor e aparência, bem como se o restaurante faz a identificação completa na mesa de bufê, entre outros tópicos. Em relação à identificação, o método destaca a importância da disponibilidade ao cliente de informações sobre a presença ou a ausência de substâncias como gordura trans, açúcar, colesterol, lactose e glúten.

“Esta preconização baseia-se tanto nas recomendações de escolhas mais saudáveis durante as refeições quanto no alto índice de doenças crônicas não transmissíveis, intolerâncias alimentares e obesidade em adultos”, salienta Suelen em sua dissertação. A escolha destas substâncias para identificação baseou-se em outro estudo desenvolvido junto ao Nupree e que foi focado na disponibilização de informações alimentares e nutricionais de preparações oferecidas em bufês.

Quanto ao espaço do café da manhã, a metodologia propõe observações sobre o ambiente, se é claro, arejado e sem ruídos; se a localização da mesa de bufê está em destaque no salão; se há evidências de algum critério para a disposição dos alimentos, entre outros itens.

A interpretação das respostas é qualitativa e está dividida em três critérios: menos adequadas, padrão mínimo e opções para melhorias. O formulário de interpretação ainda apresenta ao avaliador opções de como agir diante do resultado encontrado, pois junto com o quadro de resultados é apresentado um plano de ação que auxilia o estabelecimento a oferecer opções e variedades de alimentos que melhor atendam as expectativas e a complexidade das escolhas de seus clientes. “O estabelecimento poderá oferecer, por exemplo, para um cliente com intolerância à lactose, outra opção de leite que não prejudique sua saúde e que respeite a recomendação dietética para esta patologia”, exemplifica a nutricionista.

Suelen destaca que o consumo adequado do café da manhã está associado a um estilo de vida saudável. Segundo ela, há escassez de estudos sobre a produção dessa refeição e necessidade de mais pesquisas sobre o tema.“Embora difundida sua importância, o café da manhã é ainda pouco estudado no meio científico, se comparado ao número de estudos que avaliam outras refeições como lanches, almoço e jantar”, ressalta.

A autora destaca ainda que mesmo sendo utilizado o setor hoteleiro como local para a realização do estudo, a forma como o sistema AQCM foi estruturado e planejado permite a fácil aplicação e interpretação das respostas em diferentes estabelecimentos que forneçam o café da manhã. Ela lembra que os restaurantes, em diversos níveis são considerados pela Organização Mundial da Saúde como parceiros preferenciais e protagonistas importantes na promoção da saúde.

A pesquisa está inserido na temática ´Qualidade na Produção de

Refeições` do Nuppre. É uma continuidade da dissertação ´Desenvolvimento de um sistema de avaliação da qualidade nutricional, sensorial e simbólica de bufês executivos em hotéis de negócio`, de Juarez Calil Alexandre, defendida em fevereiro de 2007. Os dois estudos foram financiados pelo Edital Universal 2006 do CNPq.

Por Arley Reis / Agecom

Saiba Mais

O trabalho alerta:

– Uma alimentação inadequada pode trazer ao indivíduo diversas

conseqüências para a saúde, como o desenvolvimento de doenças crônicas associadas à alimentação, doenças cardiovasculares, obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus e câncer, entre outras

– Evidências científicas relacionam o consumo freqüente de um café da manhã adequado com baixo risco de sobrepeso e obesidade em diversas faixas etárias. Esta refeição é também relacionada com uma melhoria no rendimento escolar, principalmente em crianças e adolescentes.

– O consumo adequado desta refeição pode melhorar o poder de saciedade e assim reduzir a quantidade calórica total ingerida durante o dia, principalmente a redução do consumo de lanches calóricos, que costumam aumentar o consumo energético total de carboidratos e gorduras.

– Na área de nutrição, diversos estudiosos relacionam as refeições feitas fora de casa com dietas ricas em gorduras, destacando-se a gordura saturada, colesterol e sódio; e pobres em fibras, ferro e cálcio. Também consideram que as pessoas tendem a consumir mais calorias quando comem fora de casa. Daí a importância de estudos que melhorem a qualidade nutricional dessas refeições.

– A ausência do café da manhã pode inviabilizar a elevação da glicemia, necessária às atividades matinais, e favorecer uma possível deficiência de cálcio, uma vez que nesta refeição geralmente se concentra o maior consumo diário de leites e derivados.

– Pesquisa de 2005, realizada com 329 executivos da região Sudeste do Brasil, encontrou que 83,2% deles consomem pouca gordura e 56,4% fazem atividade física regular. Entretanto, 62,9% dos executivos tinham excesso de peso e 47,7% apresentavam colesterol elevado, caracterizando um grupo de risco para doenças cardiovasculares.

Mais informações:

– Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (Nuppre)/ e-mail:

– Pós-Graduação em Nutrição / fone (48) 3721-5138