Tese de estudante da UFSC sobre transformações das redações jornalísticas é publicada em livro

11/07/2018 18:46

A primeira tese de doutorado defendida no Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJor/UFSC), de autoria do jornalista Alexandre Lenzi, acaba de ser publicada em livro. Com o título “Inversão de papel: prioridade ao digital, um novo ciclo de inovação para jornais impressos“, o trabalho foi orientado pela professora Raquel Ritter Longhi e envolveu mais de três anos de pesquisas e entrevistas com profissionais de oito jornais do Brasil, Argentina e Espanha.

Foram entrevistadas lideranças estratégicas dos jornais espanhóis El País e El Mundo, do argentino Clarín, e dos brasileiros Folha de S. PauloGazeta do PovoO Estado de S. PauloOGlobo e Zero Hora. As mudanças no norte-americano The New York Times também são abordadas por meio de pesquisas divulgadas pela própria empresa jornalística. A obra também, também, uma entrevista com o pesquisador e professor espanhol Ramón Salaverría sobre questões como a busca por um novo modelo de negócio aplicado ao jornalismo.

Segundo o autor, o livro direciona um olhar ao mesmo tempo crítico e otimista para o cenário contemporâneo das redações jornalísticas modernas, trazendo relatos e ideias que buscam ir além das queixas sobre a crise do jornalismo. “O estudo aponta a priorização da produção de conteúdo informativo para plataformas digitais como um novo e necessário ciclo de inovação em empresas jornalísticas que viviam, ou ainda vivem, um fluxo de trabalho até então regrado pelo ritmo do impresso”, explica.

A ideia de “inversão de papel”, que consta no título, se refere um processo que acarreta mudanças de formatos narrativos e de processos de produção, com impactos em diferentes frentes, promovendo, por exemplo, a antecipação das jornadas de trabalho e a criação de diferentes deadlines dentro do mesmo dia. “Um movimento que exige investimento em pessoal, tanto em quantidade quanto em qualidade, diante da necessidade de novos perfis profissionais e do respeito às questões trabalhistas. Com o que chamamos de inversão de papel, o jornalismo continua, mas muda a plataforma. A versão impressa permanece sendo publicada, e deve seguir assim por muitos anos, embora possa mudar a periodicidade. Mas a prioridade das redações convergentes já deve ser o digital”, afirma Lenzi.

Esse novo cenário exige, assim, uma nova forma de pensar, de produzir, de agir e de lucrar: “Não se trata necessariamente de zerar e recomeçar o processo, mas, sim, de uma atualização no sentido de um aperfeiçoamento e de ter atenção com novas demandas específicas do contexto digital. Significa estar aberto para pensar procedimentos que não sejam diretamente influenciados pelo impresso, até então um produto com horários e demandas que perdem a força ou até mesmo deixam de ser necessárias quando a plataforma final é o on-line.”.

O livro é dividido em três capítulos: o primeiro sobre as mudanças nos trabalhos de apuração, produção, narrativa e distribuição de conteúdo jornalístico na era da internet; o segundo sobre os ciclos de crises e de inovações que marcam o passado e o presente das empresas do setor; e o terceiro com um panorama atual de grandes redações, complementado com indicações de novos caminhos.

As conclusões apresentam 10 ideias para aplicação prática em redações jornalísticas: 1) assegurar a equiparação salarial entre funções equivalentes no ciclo impresso e no ciclo digital; 2) trabalhar em equipe; 3) promover a visão multimídia ao longo das diferentes etapas de produção; 4) investir em treinamento interno e incentivar o treinamento externo dos funcionários; 5) comprar ou desenvolver sistemas eficientes para publicação de conteúdo on-line; 6) criar um fluxo de atualização em diferentes momentos do dia, independentemente do noticiário factual; 7) ampliar a equipe para antecipar o ritmo de produção; 8) cobrar pelo conteúdo, mas não por qualquer conteúdo; 9) explorar a prática da grande reportagem jornalística como espaço para inovação e experimentação de formatos; 10) incorporar o fluxo digital como prioridade.

 Sobre o autor

Alexandre Lenzi é graduado, especialista, mestre e doutor em Jornalismo. Atuou como repórter e editor em veículos como Jornal de Santa Catarina, A Notícia e Diário Catarinense, tendo reportagens reconhecidas com o Prêmio Fatma de Jornalismo Ambiental e o Prêmio Fiesc de Jornalismo Econômico. Tem experiência em comunicação institucional e em ensino superior. Sua tese de doutorado foi defendida em outubro de 2017

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