Professor da UFSC fala sobre busca por vidas fora da Terra durante o ‘Pint of Science’

16/05/2018 19:02

“Posso imaginar um número infinito de mundos como a Terra, com um jardim do Éden em cada um”. A frase foi dita pelo filósofo, teólogo e astrônomo italiano Giordano Bruno, que viveu entre 1548 e 1600. De lá pra cá, os estudos sobre vida em outros planetas cresceram entre os cientistas, se distanciando cada vez mais da religião. Diferente da época de Bruno, quando descobertas científicas eram censuradas e trancafiadas em quartos escuros, hoje elas ganham espaço em lugares públicos, descontraídos, onde o conhecimento e o bom humor dividem uma mesa, durante o happy hour. Esse foi o cenário em que o professor de Física da UFSC, Roberto Saito, apresentou a palestra “Mundos distantes: Planetas extrassolares e vida no universo”, durante o evento Pint of Science, na noite da última terça (15).

Apesar do clima chuvoso, o Boteco Bacana – localizado no bairro Santa Mônica, em Florianópolis -, reuniu mais de 100 pessoas interessadas pela conversa. Com a grande maioria do público formada por jovens universitários das áreas das ciências biológicas e exatas, o interesse pelo papo científico fez até motoristas estacionarem o carro em áreas indevidas, tamanho era o entusiasmo. E quando  Larissa Zeggio, coordenadora do evento na cidade, chamou Saito para o início da apresentação, os murmúrios do público diminuíram e a atenção tomou conta do espaço boêmio.

Uma viagem interestelar em busca de vida

Enquanto petiscos e copos suados com cerveja deslizavam entre as mesas, a conversa iniciava com citações de pensadores sobre mundos além da nossa galáxia. Em seguida, a plateia foi contemplada com uma perspectiva geral sobre a imensidão do universo e como a Terra é apenas uma grão de areia em um deserto. Segundo Saito, somente na Via Láctea, podemos ter cerca de 17 bilhões de outros planetas com tamanho semelhante ao nosso. Entretanto, a distância entre os astros é muito grande, dificultando o trabalho de quem procura vestígios de vida.

Embora seja complicado rastrear elementos e organismos fora do nosso planeta – ainda mais fora do nosso Sistema Solar -, o astrofísico levantou um dado otimista: “a maioria dos corpos celestes catalogados foram descobertos após os anos 90”, informação que evidencia a grande evolução das pesquisas nas últimas décadas, auxiliadas pelo telescópio espacial Kepler.

Saito também revelou que com a construção do telescópio E-ELT , que deve ficar pronto até 2024, contendo uma lente de 40 metros de diâmetro, será possível dar um salto nas descobertas, observando planetas extrassolares mais de perto e, talvez, encontrando vida extraterrestre. Esta que é buscada desde 1974, quando cientistas enviaram através do radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, uma mensagem codificada em matriz matemática para o conjunto estelar M13, com distância de 25 mil anos luz da Terra. Sendo assim, a tentativa de comunicação, que viaja pelo espaço por meio de ondas de rádio, demorará milhares de anos para chegar ao endereço planejado. Caso tenhamos resposta, só saberemos daqui a muito tempo. Enquanto isso, a humanidade continua aguardando.

Público contagiado

Após o fim da palestra, grupos de amigos cochichavam sobre o tema e levantavam reflexões no círculo, mostrando que a proposta do Pint of Science havia funcionado. O evento seguiu com a  apresentação da pesquisadora Cristiane Ribeiro – doutora em Farmacologia pela UFSC -, sobre o uso medicinal dos derivados da maconha.

Rodrigo (23), mestrando em Geografia também pela UFSC, comenta que decidiu ir ao bar pelo seu interesse em astronomia e divulgação científica. “Vi o cartaz lá no CFH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas), na universidade. Queria ver como seria esse evento, achei que seria interessante”.

A noite foi encerrada com rodadas de perguntas do público aos dois palestrantes. Após o fim das atividades, Saito comentou a relevância do projeto: “É super importante ter um espaço assim para divulgação da ciência. Muitas vezes ficamos só no laboratório da universidade, fazendo pesquisas, e acabamos divulgando estudos apenas em revistas científicas de outros idiomas. E a pessoa que está no nosso lado, nosso vizinho, não tem ideia desse material. Então divulgar em lugares abertos, para o público leigo, ajuda a valorizar a área”.

O Pint of Science se encerra quarta, 16 de maio, com a presença de mais dois docentes da UFSC: Débora Menezes, que fala sobre o uso da física quântica no cotidiano (das 19:30 às 21h, no Mercado São Jorge, Rua Breajauna, 43. Itacorubi) e Rui Prediger, que aborda o impacto do café na saúde (Boteco Bacana, Av. Madre Benvenuta, 1678. Santa Mônica), no mesmo horário. A entrada é gratuita.

 

Alan Christian /estagiário de Jornalismo da Agecom/UFSC