Núcleo do Hospital Universitário especializado em terapias alternativas abre inscrições nesta terça

14/05/2018 17:37

O  Projeto Amanhecer é uma iniciativa oferecida no Hospital Universitário (HU/UFSC), cujo objetivo é ajudar pessoas por meio de terapias alternativas, como Reiki e Apometria. A ação, que é voluntária, fez 6.358 atendimentos em 2016 (último relatório divulgado).

Desde 2006, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem implantando técnicas alternativas de terapias. Inicialmente eram oferecidas cinco dessas práticas. Em 2017, mais 14 passaram a ser ofertadas. Em 2018, já totalizam 29 práticas. No HU, as terapias são disponibilizadas desde 1996.  

Uma das salas de atendimento. Fotos: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

“Eu acho muito bonito, as pessoas que estão aqui são as que estão extremamente dispostas a fazer o bem, a ajudar da melhor forma possível”, diz a paranaense Renata, de 32 anos, que é paciente do projeto há um ano.

Para participar do projeto, é necessário fazer inscrição presencial, que ocorre bimestralmente. Neste mês, as inscrições abrem nos dias 15 e 16 de maio.

História

Em 1996,  a enfermeira Beatriz Capella, na época diretora de Enfermagem da emergência do HU, iniciou um projeto voltado para os próprios enfermeiros do local. Chamada inicialmente de “Cuidando de quem cuida”, a proposta era fornecer tratamento de massoterapia para os profissionais, que se queixavam de dores, stress e cansaço, devido à rotina da profissão. Para suprir a demanda, ela realizou uma parceria com a coordenadora do curso de Naturologia da Unisul, Maria Sturpp, trazendo alunos da graduação para realizar o trabalho voluntário. Assim começava o seu sonho, que nos quatro primeiros anos funcionou dentro do próprio edifício de saúde.

Já em 2004, quando Beatriz já havia se aposentado, a iniciativa, que agora se chamava “Projeto Amanhecer”, foi acolhida pelo Departamento Pessoal do Hospital. Sob o comando da naturóloga Gilvana Fortkamp, passou a oferecer diversos tipos de terapias, para toda a comunidade universitária.

Oito anos depois, quem assumiu o posto de Coordenadora Geral foi Marilda Nair Nascimento, que está na função até hoje. No ano de sua posse, as terapias passaram a ser oferecidas para o público em geral. Atualmente, o Projeto Amanhecer é um núcleo do HU, vinculado à Coordenadoria Auxiliar de Pessoas. Ele funciona no prédio de Capacitação Técnica, no mesmo terreno do hospital.

Funcionamento

A clínica conta atualmente com 33 terapias diferentes, divididas entre sessões individuais e coletivas. O número e a frequência das sessões para cada paciente inscrito varia de acordo com a atividade e recomendação do terapeuta responsável. Para quem realiza a massoterapia, por exemplo, são ao todo quatro sessões, sendo uma por semana.

O núcleo conta com cerca de 120 voluntários. Quase metade deles são profissionais que também atuam em outros lugares. No setor administrativo, há graduados das áreas de humanas e socioeconômica.

Marilda, coordenadora do Projeto Amanhecer

Marilda pontua que a maior dificuldade do projeto está nos dias de inscrições, pois algumas pessoas esperam até quatro horas na fila para conseguir se matricular. “Precisamos anotar todos os dados de cada paciente. o que acaba levando um certo tempo. Mas estamos conversando com o pessoal da Informática para tentar encontrar uma solução que agilize o processo”, conta.

A coordenadora também revela que está para se aposentar há três anos, porém não consegue por dois motivos: “Tenho um vínculo muito forte com o projeto. Além disso, ainda não encontrei ninguém para dar continuidade quando eu sair. É uma preocupação muito grande.”

A verba para compra de materiais para o escritório e consultórios vem do próprio hospital. Entretanto, alguns produtos específicos, como creme de massagem e aromatizador de ambiente, são adquiridos por doações.

Quem procura o projeto?

Segundo Marilda, a maioria dos inscritos são alunos da UFSC. “Há um aumento dos jovens interessados nas terapias, inclusive alguns procuram apenas para autoconhecimento”, revela.

De acordo com o último levantamento divulgado pela secretaria, em 2016, a faixa etária que mais procura a terapia é de 18 a 28 anos, representando 303 dos 765 pacientes atendidos. Em segundo lugar, vêm os de 28 a 38 anos (191). Quanto às causas que os levam a procurar tratamento, em relatório de 2017, em primeiro lugar vem a ansiedade, com 130 casos, seguido de equilíbrio (72) e autoconhecimento (68).

Sala destinada à bambooterapia

Impacto social

Além de promover a saúde e o bem estar, a clínica consegue construir uma rede solidária entre os participantes. Marilda destaca que alguns dos pacientes, após concluírem as sessões, acabam se tornando voluntários do projeto, atuando como terapeutas ou na parte administrativa. “As pessoas percebem que estão todas no mesmo barco e decidem ajudar umas às outras. É muito gratificante perceber como o projeto é importante para a sociedade”, completa.

Durante as terapias, a relação terapeuta-paciente funciona de forma mútua. Maria Spiller, profissional de Reiki na clínica há três anos, comenta que sua trajetória dentro do núcleo tem sido de muito aprendizado: “Na medida em que trabalhamos com os problemas das pessoas, também nos ajudamos. Aprendemos muito no contato com o público. E é algo que levamos para a vida. Tudo está integrado”.

Próximas inscrições

Quando: dias 15 e 16 de maio.

Onde: Secretaria do Projeto Amanhecer.

Horário: Das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Quem pode participar: toda a comunidade.

Valores: as inscrições são gratuitas.

*Para quem possui vínculo com o HU, é necessário apresentar documentação que comprove o mesmo (atestado de matrícula, crachá, etc).

**Serão oferecidas 150 senhas por período, distribuídas de acordo com ordem de chegada.

Como se voluntariar?

Processo: enviar e-mail () ou comparecer na secretaria, informando qual a área de interesse.

Requisitos: possuir certificado de curso na área em que deseja atuar e graduação superior (qualquer área).

 

Alan Christian e Aline Souza/estagiários de Jornalismo da Agecom/UFSC