Atendimento veterinário na UFSC Curitibanos: a extensão mais próxima da comunidade

04/04/2018 16:49

Cedup, no bairro São Francisco, em Curitibanos. Fotos: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

Fábio Júnior Arruda Lima estuda e trabalha na UFSC Curitibanos. O futuro médico veterinário é o primeiro contato do público externo com a instituição, para atendimento clínico a animais domésticos, selvagens e de grande porte. Ora na recepção, ora em sala de aula, Fábio conhece como ninguém como se dá esse importante trabalho do curso de Medicina Veterinária, no meio-oeste catarinense. Na triagem, agenda atendimentos, repassa informações, gera boleto, cuida do estoque, arquivo, entre outras atividades.

O curso, criado em 2012, oferece atendimento veterinário aberto à comunidade e com preço bem acessível. As pessoas interessadas devem entrar em contato por telefone ou por e-mail para agendar dia e horário. Como a UFSC não presta um serviço de urgência e emergência é necessário o agendamento prévio. A consulta é feita em sala de aula pelos estudantes a partir do sétimo semestre, com a supervisão do professor. No dia preestabelecido, é regra que o animal esteja em caixa de transporte, no colo ou com coleira.

O atendimento veterinário é feito em sala de aula pelos alunos, com a supervisão do professor

Animais de grande porte são atendidos na propriedade de origem. Cães e gatos são atendidos no Centro de Educação Profissional Professor Enori Pozzo (Cedup), no bairro São Francisco. O espaço possui uma área construída de 5 mil metros quadrados e é de propriedade do Governo do Estado, que concedeu boa parte da estrutura para utilização da UFSC. No local estão os laboratórios que atendem as áreas profissionalizantes do curso.

Devido à grande procura e à boa aceitação da comunidade pelo serviço da UFSC, já há uma lista de espera. Os custos de, R$ 15 para atendimentos em sala de aula e R$ 30 externos, são inferiores ao que se encontra no mercado e servem somente para cobrir despesas, explica a coordenadora geral Marcy Lancia Pereira. “O intuito não é concorrer com as clínicas, nosso público maior são os animais dos próprios alunos, amigos e familiares”. E como tem crescido a demanda, a coordenação planeja a abertura de horário extra de atendimento.

Durante 2017, a Medicina Veterinária atendeu por volta de 480 casos novos de Clínica e Cirurgia, entre cães, gatos, animais selvagens e grandes animais. “Neste número não estão incluídos os retornos e é maior ainda, porque nem todos são registrados, como os que são feitos em rebanhos. A Patologia que recebe material externo também tem uma contagem separada”, reforça a coordenadora sobre a crescente procura e a importância desse trabalho da UFSC à população animal.

Professora da UFSC Marcy Lancia Pereira coordena o programa de extensão

A docente também explica que a UFSC ainda não consegue realizar todos os tipos de serviço, por exemplo, radiografia, que hoje em dia é terceirizada. No Cedup, há oito laboratórios e um em fase de construção, “o quê nos deixa bem servido na parte de exames”, ressalta. Os laboratórios são: de Doenças Parasitárias dos Animais, de Análises Clínicas e Hematológicas, de Doenças Infectocontagiosas, de Semiologia, de Microscopia, de Anatomia Animal, de Patologia, de Técnicas Cirúrgicas e o que está em execução, o de Clínica e Imagem de Pequenos Animais (Lacipa).

As obras do Lacipa iniciaram em janeiro de 2018 e devem finalizar em maio deste ano. Todos os atendimentos relacionados a pequenos animais estarão concentrados neste novo espaço, que contará com recepção, arquivo, farmácia, vestiários, salas de triagem e para pequenos procedimentos, dois ambulatórios e área de internação para cães e gatos.

Alexandre de Oliveira Tavela, professor e coordenador do curso, acrescenta que além dos ambulatórios, “o Lacipa integrará setor de imagem, uma sala será adaptada para raio-x e ultrassom, e um bloco para cirurgia, com pré-operatório, anestesia e esterilização”.

Os laboratórios existentes são equipados com frezeres, geladeiras e cubas para armazenamento de material biológico, além de equipamentos para processamento, análise e diagnóstico, bem como para cultivo de microrganismos como micrótomo, histotécnico, câmaras incubadoras, estufas, centrífugas e cerca de 50 microscópios.

A professora Marcy coordena este grande programa de extensão, dividido em subprojetos, sob a gestão financeira da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). A estrutura e gestão atual viabilizam a manutenção do curso e dos serviços à comunidade.

Para a infraestrutura estar completa, é indispensável a implantação do Hospital Veterinário. Tavela informa que “em abril deste ano, a UFSC irá começar um novo projeto de hospital associado. Lembra que não é responsabilidade do curso, e que este tipo de estrutura tem que se autogerir. Atualmente, ainda falta a parte de grandes animais, enquanto isso, os laboratórios existentes dão um suporte”.

Cinthia Alexsandra de Medeiros é administradora no Cedup e, juntamente com a professora Marcy, auxilia na gestão dos recursos do programa, como por exemplo, questões de inadimplência, pagamentos e prestação de contas.

A administradora contextualiza que a Universidade está no Cedup desde 2014. “A concessão do governo era por quatro anos, porém, por interesse das duas partes, a nossa permanência já está confirmada até 2028, também por conta da vinda do curso de Medicina Humana para a UFSC Curitibanos.”

Mais informações: agendamento pode ser por e-mail ou pelo telefone (48) 3721-7167
Cedup – Av. Adv. Sebastião Calomeno, Bairro São Francisco

Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

Fotos: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC