Pesquisadores da UFSC participam de missão em Minas Gerais com foco nos produtos locais

27/03/2018 11:29

O mestrando Leandro Guimarães, vinculado ao Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território (Lemate), e o professor Aparecido Lima da Silva, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), da UFSC, participaram de uma missão de estudo no estado de Minas Gerais. Juntamente com uma equipe interinstitucional e representantes de agricultores da Serra Catarinense, eles estiveram, entre 2 e 7 de março, nos municípios mineiros de Tiradentes, São Roque de Minas e Patrocínio.

O objetivo da missão foi vivenciar as experiências de indicação geográfica e valorização de produtos e serviços locais. Assim, os integrantes da “Missão MG” conheceram as novas tecnologias, tendências, boas práticas e as ações de cooperação empreendidas nos municípios visitados, que podem ser adaptadas à região serrana de Santa Catarina.

A missão foi organizada pelo Sebrae-SC e contou com participação de representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Associação de Municípios da Região Serrana, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Associação Empresarial de Lages, Câmara de Dirigentes Lojistas de Lages, Associação Brasileira de Produtores da Maçã, produtores de maçã e de mel de melato e pesquisadores da UFSC.

O primeiro destino da atividade foi Tiradentes, onde o grupo pôde presenciar iniciativas da valorização dos produtos e serviços locais por meio da gastronomia e a realização de uma feira municipal, que integra um roteiro turístico nos produtores da região, denominado “Rota do Sabor de Tiradentes”. Além disso, os envolvidos dialogaram com duas representantes da Associação Empresarial de Tiradentes, organização que promove diferentes ações, como eventos e capacitações, além de atuar junto ao poder legislativo municipal.

Na sequência, foi realizada uma visita a São Roque de Minas, situado na Serra da Canastra. Neste município foi possível conhecer a história do queijo mineiro artesanal canastra e a atuação da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan). A Associação possui a certificação de registro de Identificação Geográfica do Queijo Minas Artesanal Canastra, que garante aos seus associados a agregação de valor, reconhecimento da notoriedade do produto e uma maior proteção do queijo produzido na região frente ao mercado nacional.

Por fim, o grupo conheceu algumas experiências em Patrocínio. Na Federação dos Cafeicultores do Cerrado foi assistida uma palestra sobre a história da indicação geográfica do café do Cerrado Mineiro e da Denominação de Origem, que foi a primeira denominação de origem de café no Brasil. Hoje, a federação é formada por representantes de 55 municípios e contém sete associações e nove cooperativas de produtores de café da região. Todos os produtores que participam dessas organizações passam por um processo de certificação da origem de qualidade da região, através de um sistema de rastreabilidade e de um selo de origem que certifica a origem e o laudo da qualidade do café.

A partir das experiências vivenciadas, os participantes discutiram as potencialidades da região serrana no que se refere à valorização dos recursos territoriais e, especificamente, a implantação da Indicação Geográfica para maçã fugi, o mel de melato e os vinhos finos de altitude da serra catarinense. Nesse sentido, foi reiterada a importância de um projeto de maior abrangência voltado à adaptação da metodologia da “Cesta de bens e serviços territoriais” formulada originalmente na França. A adequação dessa metodologia para a realidade catarinense teve início no fim do ano passado, por uma equipe interinstitucional, na qual incluem membros da UFSC, Sebrae, Mapa, Udesc, Epagri e Secretaria do Estado de Planejamento.

A “Missão MG” representa mais um passo no sentido de fortalecer parcerias institucionais e estimular novas ideias, que promovam o desenvolvimento rural. As iniciativas de indicação geográfica ou de denominação de origem são ferramentas de valorização de produtos específicos, mas também de desenvolvimento territorial sustentável.

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