Retrospectiva UFSC 2017: Janeiro e fevereiro

29/01/2018 13:42

Os primeiros meses do ano são tranquilos na Universidade, com os estudantes aproveitando as férias. O funcionamento da UFSC neste período é diferenciado: até meados de fevereiro os trabalhadores atendem à comunidade interna e externa das 7h30 às 13h30. Contudo, momentos importantes movimentaram o período.

Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

No dia 10 de janeiro foi realizada a cerimônia de divulgação do Vestibular UFSC 2017. Satisfação, alegria, frustração, decepção, assim ficou marcado o ambiente naquela manhã. Além da cerimônia, que divulgou os 10 primeiros colocados gerais, muitos vestibulandos, junto com amigos, familiares e professores, se reuniram no Centro de Desportos (CDS) para conferir suas colocações nas listas.

Celebração pela chegada de novos alunos, e também pela participação de oito estudantes e dois professores da UFSC na “Operação Tocantins”, do Projeto Rondon, junto a integrantes de outras universidades. A Operação reuniu 330 participantes em 16 cidades do estado do Tocantins, com ações que objetivavam o desenvolvimento das comunidades locais e a troca de experiências, para os rondonistas e também à população abrangida pela atividade.

Fevereiro, assim como janeiro, contou com um momento comemorativo. Em cerimônia realizada com a presença de pró-reitores e representantes de diversos centros de ensino, ingressaram na UFSC 51 professores; cinco tradutores intérpretes; um auxiliar em administração e um assistente em administração.

Entre os dois primeiros meses do ano, as estudantes de Agronomia da UFSC, Carolina Alves Fernandes e Giulia Fabrin Scussel, estiveram na Antártica participando de uma pesquisa sobre as bactérias presentes naquele ambiente e sua ligação com as mudanças climáticas que acontecem no planeta. A pesquisa é realizada por meio do Laboratório de Ecologia Molecular e Extremófilos (LEMEx), do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB), sob a coordenação do professor Rubens Duarte. Durante o período na Antártica, as pesquisadoras da UFSC realizaram sete saídas a campo, com coletas feitas no solo do recuo da Geleira Collins e de blocos de gelo para serem analisadas.
Com vistas a promover o bem-estar social, UFSC e Ministério da Saúde desenvolveram, entre 2015 e 2016, uma pesquisa sobre resistência da bactéria da gonorreia a medicamentos. O estudo nacional de vigilância da resistência das cepas de gonorreia circulantes no Brasil foi pauta no site da UFSC no dia 12 de janeiro. O trabalho revelou altas taxas de resistência aos antimicrobianos em todas as regiões do país. Os índices de resistência da gonorreia a certos medicamentos preocupam o mundo. “Quando não tratada de maneira correta, ou quando o gonococo desenvolve resistência ao tratamento empregado, a gonorreia pode causar danos graves e até irreversíveis, como doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, abortamento e infertilidade, com graves consequências médicas, sociais, psicológicas e econômicas, em mulheres e homens”, afirmou a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, Aids e das Hepatites Virais (DIHAV), Adele Benzaken.

Foto: Carolina Fernandes

Foi divulgado também o estudo que mostrou que os estudantes universitários optam por refeições mais saudáveis nos restaurantes dependendo do tipo de informação mostrada nos cardápios. A pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da UFSC, foi realizada no Brasil e na Inglaterra, onde eram apresentados cardápios com diferentes informações nutricionais aos estudantes antes de se servirem. O trabalho fez parte da tese de doutorado da nutricionista Renata Carvalho de Oliveira, com orientação da professora do Departamento de Nutrição da UFSC, Rossana Pacheco da Costa Proença. A primeira etapa do estudo foi marcada pelas entrevistas em grupo com estudantes universitários da Grande Florianópolis e da Bournemouth University, na Inglaterra. A segunda etapa da pesquisa correspondeu a um ensaio realizado em um restaurante de Florianópolis. Por ser mais compreensível e útil na hora de realizar as escolhas das refeições, os estudantes universitários brasileiros e ingleses preferiram o modelo de informação nutricional com lista de ingredientes e símbolos de alerta ao invés de informação numérica de calorias e nutrientes, pois muitos não conseguem interpretar se os valores nutricionais são benéficos à saúde ou não.

Neste período também foi pautado o artigo escrito pela estudante do curso de Ciências Biológicas, Iohranna Müller, em parceria com Bianca Vieira, ex-aluna da UFSC e pesquisadora da Universidade de Glasgow, na Escócia. O trabalho, publicado na revista Atualidades Ornitológicas, é resultado de um processo de busca, identificação e análise de cerca de 370 espécimes de aves encontradas nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ao todo, foram catalogados 153 crânios, sete esqueletos incompletos, 19 asas avulsas, 119 peles e três ninhos. Além de divulgar o acervo da Coleção de Aves da UFSC (CAUFSC), o artigo também contribuiu para a correção de identificação de alguns espécimes e forneceu informações para melhorar o estado de preservação dos exemplares mais antigos que foram atacados por fungos.

A série Consciência da TV UFSC, que tem como objetivo mostrar pesquisas e tecnologias desenvolvidas na Universidade e que impactam o dia-a-dia das pessoas, venceu a categoria Estudante do VIII Prêmio Unochapecó – Caixa de Jornalismo Ambiental com a reportagem “Gato por Lebre”. Criada pelo servidor técnico da UFSC, Jonatan dos Santos, a série aborda iniciativas nas mais diversas áreas do conhecimento, como meio ambiente, saúde, tecnologia, acessibilidade. A reportagem realizada pelo estudante do curso de Jornalismo da UFSC, Lucas Krupacz, aborda o trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Polimorfismos Genéticos da UFSC. O episódio vencedor contou com imagens de Paula Barbabela, e produção de Marina Simões e Laura Tuyama.

Neste primeiro bimestre ocorreu na UFSC o V Encontro de Física e Astronomia. O professor do curso de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, apresentou uma palestra que lotou o Espaço Físico Integrado (EFI). Ele expôs o projeto de pesquisa em Física Quântica, suas diferenciações em relação à Física Moderna e o estado da aplicação nas tecnologias contemporâneas. Davidovich foi entrevistado pela Agência de Comunicação da UFSC sobre as perspectivas de inovação e pesquisa no Brasil. Quando questionado sobre sua visão em relação a situação do financiamento à ciência no país, ele afirmou que analisava o cenário com muita preocupação. “Mais que isso, achamos que a situação das fundações de amparo à pesquisa (FAP) em vários estados sofre ameaças contínuas. No mundo de hoje, baseado cada vez mais no poder do conhecimento, o Brasil está jogando na retranca, andando para trás”, destaca.

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

O maior período de férias letivas do ano tradicionalmente é pouco movimentado nos campi. O reduzido número de atividades, no entanto, não significou ausência de importantes eventos. Em 2017, as ações internas relacionadas a pesquisas, por exemplo, e externas — como palestras e a divulgação dos resultados do vestibular — a UFSC iniciou o ano preparada para as atividades acadêmicas cotidianas. Este ano, todavia, não seria marcado pelo cotidiano e uma série de acontecimentos marcaram 2017 como um dos mais difíceis da história da instituição.

Mais informações

A retrospectiva de 2017, produzida no mês de janeiro de 2018, busca oferecer à comunidade universitária uma síntese dos principais fatos deste complexo ano que vivemos. São seis matérias, agrupadas por bimestres. Cada texto é de autoria de um membro da equipe da Agecom, que trouxe seu olhar para os eventos que tiveram cobertura da Agência. Essa retrospectiva visa ao registro e memória de um dos mais marcantes anos da história recente da UFSC.

As matérias são publicadas nas segundas, quartas e sextas, de 29 de janeiro a 9 de fevereiro de 2018 e estão registradas na página Retrospectiva Agecom.

Diana Hilleshein/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC