Summer School em Direito Ambiental amplia internacionalização na UFSC

08/12/2017 08:00

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediou a Summer School em Direito Ambiental, totalmente em inglês, com especialistas discutindo desastres ambientais, mudanças climáticas e o papel do Direito. O encontro foi uma parceria do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFSC com a Faculdade de Direito da Universidade de Newcastle (Austrália) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), em colaboração com o Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco (GPDA) e o Instituto O Direito por um Planeta Verde. Além do programa de palestras, houve a realização de visitas técnicas e culturais na Ilha de Santa Catarina.

Professores da UFSC, Universidade de Newcastle, UFF, Universidade de São Paulo e Universidade de Caxias do Sul, 50 alunos brasileiros (de diversas instituições do ensino das cinco regiões do país) e 15 australianos participaram do encontro, que foi aberto no dia 27 de novembro e encerrado nesta quinta-feira, 7 de dezembro.

O professor da UFSC e coordenador científico do GPDA, José Rubens Morato Leite, afirma que a realização do evento em língua estrangeira foi muito produtiva e aponta para novas oportunidades de internacionalização. “O direito ambiental, junto com o direito internacional, se adequa muito bem a este tipo de intercâmbio. É uma demanda importante para a pós-graduação da UFSC”.

Para receber mais professores e alunos de fora e ampliar a internacionalização na UFSC, é preciso constituir uma equipe capaz de oferecer um curso ou bloco de disciplinas de uma área em língua estrangeira, explica Morato Leite. “Uma das metas do programa (de Pós-Graduação em Direito da UFSC) para o chegar à avaliação 7 da Capes é a internacionalização. A Summer School foi uma experiência muito positiva neste sentido”, diz o professor. O embaixador da Austrália no Brasil, John Richardson, e sua comitiva apresentaram oportunidades para internacionalização. “Ele saiu animado e notou que teria mais público com a oferta de cursos em inglês. Facilita a vinda de novos australianos e a oferta de projetos subsidiados pelo governo australiano”, continua Morato Leite.

As saídas de campo do encontro apresentaram locais como a reserva de Carijós, no norte da Ilha, e o projeto Tamar, na Barra da Lagoa. Os estudantes australianos postaram, pelo Twitter, suas impressões sobre os eventos e Florianópolis usando a hashtag #UoNLawBrazil.

Opiniões sobre a Summer School

Shanna Beeton, estudante australiana da Universidade de Newcastle.

“Tem sido uma experiência fantástica. Os alunos, de uma maneira geral, sentem que aprenderam muito aqui durante esse tempo no Brasil. Foi uma experiência muito boa ter colaborado com os alunos do Brasil e espero que essa colaboração continue no futuro. Nós aprendemos muito sobre mudanças climáticas, desastres ambientais e, de certa maneira, sobre injustiças no sistema jurídico, problemas de desigualdade no direito e na maneira como o sistema jurídico se aplica, e o papel do Direito Ambiental nesse contexto. Foi muito interessante comparar o sistema jurídico australiano com o sistema jurídico brasileiro. E explorar a ilha foi bem interessante”.

Heidi Michalski Ribeiro, estudante da pós-graduação em Direito da UFSC.

“Foi uma experiência muito bacana, por ser um evento internacional e envolver essas pessoas de outros lugares. Acho que, além de uma troca de conhecimento muito grande, foi uma troca cultural muito rica. A gente fez amizade com os australianos, eles são muito receptivos, muito parecidos conosco. Até uma coisa que eles perguntaram: o que mais te surpreendeu nos australianos? A gente falou: a similaridade do humor e da receptividade da alegria do brasileiro. Foram palestras riquíssimas de conhecimento. Todos os palestrante se esforçaram ao máximo para palestrar em inglês e isso agradou também aos estudantes australianos. E acho que a palestra que mais marcou todo mundo, foi sobre o caso da Samarco, do promotor Mauro Ellovitch, que trabalhou diretamente no caso. Ele estava muito emocionado durante a palestra e acabou tocando todos porque trouxe dados reais, estava lá. Não foram coisas que coletou da mídia. Foram fotos que ele tirou, dados que ele colheu, foi uma experiência como se a gente estivesse lá. Os australianos ficaram muito chocados e, principalmente com o andamento da justiça brasileira. Isso é uma coisa que eles vão disseminar lá, como é que este caso está sendo levado com tanto descaso? Os passeios de campo foram maravilhosos porque o pessoal de fora acabou conhecendo as belezas naturais de Florianópolis, que são muitas. Foi bem bacana!

Elena Aydos, professora na faculdade de Direito da Universidade de Newcastle da Austrália.

“Fui aluna da UFSC, fiz meu mestrado aqui e moro na Austrália há sete anos. Há três anos eu sou professora titular na Universidade de Newcastle e coordenadora de todos os nossos mestrados, inclusive um mestrado novo em Direito Ambiental, que criei e hoje coordeno. Sou coordenadora do projeto (Summer School) pelo lado da Austrália, que recebeu verba do governo australiano inclusive, para trazer os estudante aqui. Há dois anos atrás, contatei o professor Morato e falei que eu tinha um projeto que gostaria de realizar, trazer meus alunos pro Brasil. É claro que ele disse que sim e, desde então, foi bastante trabalho. Submeti o projeto para o governo australiano, foi um processo seletivo competitivo, já que todas as universidades da Austrália podem participar. Consegui a verba e, a partir daí, começamos a discutir como o programa seria. Já que o objetivo da verba do governo australiano é, não apenas estimular o lado acadêmico, mas também uma imersão cultural do aluno, tivemos sempre uma preocupação em encontrar um equilíbrio entre as atividades acadêmicas que foram realizadas aqui na UFSC e as atividades culturais. Acho que a gente conseguiu. Foi uma experiência incrível, estou muito satisfeita com o resultado”.

Vitória Leopoldina Gomes Mendes, graduanda de direito da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e participante do grupo de pesquisa Jus-Clima

“Achei bem interessantes a troca que a Summer School propiciou. Acho que, primeiramente, foi bem vantajoso no inglês, porque é uma oportunidade rara que a gente tem de exercitar um inglês mais técnico. Achei muito proveitoso a amizade que pude fazer com os estudantes, e conhecer um pouco mais a cultura da Austrália, a forma como eles pensam e veem o direito. Eles têm uma cultura um pouco mais influenciada pelos nativos do que nós, uma conscientização maior. Nós temos mais leis de proteção ambiental, mas eu vejo assim que eles têm algumas atividades que não foram de lei e que são executadas plenamente sem precisar de uma lei impondo. O que mais me chamou atenção foi nós compartilharmos problemas muito semelhantes, principalmente em relação a políticas públicas. Eu pude ver que isso não é restrito ao Brasil, porque o nosso problema é realmente político e econômico. A gente sempre tem aquela ideia que o problema é só nosso, então trouxe de certa forma um conforto, mas também uma preocupação, porque isso significa que o mundo está enfrentando um problema econômico, no sentido de que as questões ambientais elas têm um vínculo com a economia, com a exploração em massa. Então o evento possibilitou a gente discutir um pouco mais isso e buscar soluções em conjunto. Eu pude conhecer um pouco de Floripa, achei bem legal, uma cidade bem bonita com uma biodiversidade bem bacana, com muito a oferecer, tem muita área verde, tem muita área preservada, e  no meio de tanta coisa que a gente viu no Summer School que está errada, é uma coisa boa, traz um certo aconchego para nós da área ambiental. Uma das palestras que mais me tocaram foi a do promotor Mauro Ellovitch. Ele deu uma palestra a respeito da Samarco. Foi muito instigante e que realmente retratou a situação do país de como as questões empresariais de interesses privados podem influenciar a política pública de uma maneira ferrenha. A gente discutiu como alguns países estão tentando resolver o problema, ou atribuindo dignidade à natureza, ou atribuindo valores e direitos à natureza, cada um tem buscado uma maneira. Parece extremo atribuir dignidade a um ser inanimado, mas é porque nós não estamos encontrando outras soluções. Chegou um ponto que a gente tem que dizer pra sociedade: olha, isso aqui tem o mesmo valor intrínseco de uma pessoa. Para ver se desse jeito a sociedade protege”.

Isabella Onzi Flores, graduanda de Relações Internacionais da UFSC.

“Estamos trabalhando desde o início do ano. É muito interessante ver se concretizar agora. É muito bom o contato com as pessoas da Austrália e de outros lugares do Brasil. Tiveram brasileiros que apresentaram tese também, elas foram em inglês, o evento todo foi em inglês. É uma boa maneira de internacionalizar a Universidade. Depois nós iremos fazer uma publicação, um e-book, com todas essas teses”.

Mais informações pelo e-mail:

Diana Hilleshein/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/UFSC

Fotos: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC