Último dia do 4º Festival de Música da UFSC encanta o público

01/10/2017 19:48

Felipe Coelho Trio. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

“Incrível”, “magnífico” e “emocionante” foram algumas das palavras expressas pelo público que esteve presente no último dia do IV Festival de Música da UFSC. A noite começou com a música instrumental de Felipe Coelho Trio, seguida pela sonoridade intensa e performática da dupla Tatiana Cobbet e Marcoliva (Sonora Parceria), ao lado do sexteto Alujazz. O festival ocorreu de 25 a 27 de setembro, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

Felipe Coelho no violão, Tiê Pereira no contrabaixo e Richard Montano na bateria formam o Felipe Coelho Trio, grupo formado há cerca de um ano. No show, os músicos apresentaram sete composições autorais, todas do álbum “Hora Certa”, lançado recentemente. “Estou muito feliz por estar aqui, muito honrado. A UFSC é um ícone nas nossas vidas, um lugar importante, marcante e de muitas alegrias”, afirmou Felipe no início da noite, logo após tocar “Hora certa”, a música título do disco.

“Elaboramos esse repertório para a formação trio, o que de certa forma foi um desafio. Outros projetos costumam ter mais instrumentos de melodia, de arranjo. No trio, o violão fica mais sozinho, mais despido, temos mais responsabilidade para executar. Mas esse desafio também implica uma certa maturação e nos faz crescer”, explicou o violonista, que vem experimentando novas linguagens e propondo novas tendências na música.

Felipe Coelho Trio. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Uma das características de suas composições é a influência oriental, com ritmos compostos, presente em “O monge”, “Batida Herança” e “Dois sóis”. “A música oriental é um planeta inteiro, que me chama muito a atenção e merece respeito, é muito bonita e tem muita profundidade musical”, afirma Felipe. Todas as suas músicas trazem “uma certa fusão da música brasileira, do sul brasileiro, com influências do mundo”. Na música “Batida Herança”, o que predomina é o samba – “um samba aberto, um experimento em cima do ritmo de samba” –; em “Moderninho”, é o choro – na verdade, “uma desconstrução do choro”.

Sobre a música “Telhados”, Felipe contou a história pessoal que inspirou o nome: “Quando eu era pequeno, meu pai me levava para um morro fora do bairro. De lá, víamos várias casinhas, vários telhadinhos, e isso nos dava uma perspectiva diferente, podíamos ver o mundo de longe. E víamos que nossa casa era só mais uma entre centenas. É legal, às vezes, dar um passo para trás e se enxergar como uma parte pequena de algo muito maior. Esse pensamento voltou na minha vida mais tarde, e a música também me faz sentir isso.”

Tatiana Cobbett. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Expressão cênica

Para além da música, a apresentação de Tatiana Cobbett e Marcoliva com Alujazz foi marcada pela dança, expressão cênica, poesia e interação com o público. Usando um vestido longo e colorido, turbante e muitas pulseiras, Tatiana interpretava e, pode-se dizer, encenava cada uma das músicas. Entre elas, a inédita “Coração de Rinoceronte”, apresentada pela primeira vez ao público.

Durante o show, os músicos fizeram uma homenagem póstuma à artista plástica catarinense Eli Heil. “Eli foi uma grande artista visual que nos deixou há poucos dias. Tivemos a satisfação e o prazer de musicar uma obra dela”, afirmou Marcoliva, que também elogiou a iniciativa do festival: “Desde o início da nossa trajetória, participamos dessas ações do DAC [Departamento Artístico Cultural da UFSC]. E isso nos ajudou e nos incentivou muito a continuar com esse trabalho de música autoral. Por isso, estar hoje aqui é motivo de muita emoção, muita gratidão, muita alegria. As ações do DAC são de suma importância para a cena artística catarinense. Que esse projeto tenha vida longa!”

Ao fim da noite, Pedro Neto, 18 anos, estudante da primeira fase de Relações Internacionais – que assistiu a todas as apresentações dos três dias de festival – estava extasiado: “Vim aos três dias, mas hoje vim especialmente para ver Tatiana Cobbett e Marcoliva, que são minha paixão! Foi uma experiência incrível poder vivenciar de perto toda essa cultura de Florianópolis. Eu sou de Brusque e não tinha oportunidades como essas por lá. É muito legal ver a UFSC trazer para perto dos estudantes o que a ilha tem para oferecer. Esse é o quinto espetáculo que assisto aqui no Centro de Eventos. Já vim ver a Camerata Florianópolis e um espetáculo do Balé Bolshoi.”

Sarah Slongo Motta, 20 anos, ex-estudante de Letras, também estava comovida ao final da noite. “Achei magnífico! Eu já conhecia a Tatiana Cobbett e o Marcoliva. É incrível vê-los cada vez melhor, com uma energia mais forte. Esse espaço da UFSC é inacreditável e tem que ser aproveitado. Os estudantes também deveriam se envolver mais. Tomara que tenham muitos outros festivais como esse. É também uma oportunidade para os músicos daqui, para quem faz cultura na ilha, de ter mais visibilidade. E quem sabe a gente veja, daqui alguns anos, um curso de música popular na UFSC.”

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC