Pesquisadora da UFSC desenvolve ‘nariz eletrônico’ para identificar infecções bacterianas letais

18/10/2017 17:57

Desenvolver sensores eletrônicos para a detecção e discriminação rápida de compostos voláteis microbianos é o que farão, conjuntamente, pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Nova de Lisboa. Chamados de “narizes eletrônicos”, os sensores são especialmente importantes diante da ameaça global de bactérias resistentes a antimicrobianos que se espalham a ritmo alarmante, pois a detecção precoce auxilia o controle de uma propagação.

A bióloga brasileira Regina Celis Lopes Affonso concluiu o doutorado em maio e em outubro foi selecionada na chamada pública que o European Research Council (ligado à Comissão Europeia) promoveu com entidades como a FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina). “Considerando minha experiência em biologia celular e biologia vegetal, estarei contribuindo com o grupo europeu, da renomada pesquisadora Ana Cecília Roque, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (Universidade Nova de Lisboa)”, disse Regina. “Focaremos especificamente na detecção microbiana rápida. Este projeto tem alta aplicabilidade na área da saúde, considerando que o desenvolvimento de sensores, rápidos e seguros, de voláteis de bactérias patogênicas são ferramentas importantes para o controle de infecções bacterianas, especialmente tratando-se de infecções hospitalares.”

O projeto é uma nova abordagem no controle das doenças infecciosas. Para realizá-lo, além do apoio financeiro da FAPESC, Regina Affonso solicitou uma bolsa ao CNPq. “Entrei como pós-doc voluntária, para não parar a pesquisa, e sigo aguardando bolsa ou outro tipo de financiamento”, acrescenta. Se conseguir, ela deverá executar o projeto em um ano, entre março de 2018 e março de 2019.

Intercâmbio

A pesquisa conjunta permitirá à pesquisadora da UFSC adquirir conhecimentos para explorar o potencial de polímeros à base de plantas ou derivados para a produção de géis híbridos usados no desenvolvimento de “narizes eletrônicos” capazes de detectar voláteis de bactérias patogênicas, com foco em Staphylococcus aureus, sensíveis à antibióticos e cepas resistentes.

A análise de metabólitos voláteis microbianos é uma área de crescente interesse em diagnósticos. Os estudos de sistemas voltados para a detecção e discriminação de compostos e substâncias voláteis tem se destacado na área da nanobiotecnologia devido ao grande interesse na detecção de gases, substâncias voláteis e aromas. Os setores da economia mais interessados nesse tipo de controle são a indústria alimentícia, a indústria química, os setores ambientais e a área da saúde. Dentre os diversos tipos de sensores matriciais de gases, conhecidos como narizes eletrônicos, os feitos à base de polímeros vêm se destacando devido ao baixo custo, fácil processabilidade, operação em temperatura ambiente e boa resposta sensorial.

Os sistemas eletrônicos têm se mostrado boas alternativas, pois auxiliam na padronização de respostas e controle de qualidade. A utilização de polímeros condutivos se deve a fatores como seu relativo baixo custo, suas facilidades de fabricação, operação em temperatura ambiente e boas respostas.

*Reportagem veiculada no site da Fapesc.