‘Não é gasto, é investimento’: Helena Nader palestra na UFSC sobre cortes de recursos da Ciência

25/10/2017 17:58

Fotos: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

A palestra “Como evitar o colapso da ciência brasileira” foi proferida pela professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento, realizado na UFSC na terça-feira, dia 24, foi promovido em função da reabertura da Secretaria Regional da SBPC em Santa Catarina e da 14ª Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. O tema foi voltado para a conscientização da importância da Ciência para o desenvolvimento do país e pela volta do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O MCTI foi extinguido e transformado em Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em maio de 2016. Nader explica que não é a primeira vez que isso acontece, o que demonstra a fragilidade do sistema. “É importante saber a história para saber lutar”, advertiu ela. O MCTI foi criado em 1985, com o governo de José Sarney, e desde então passou por desaparecimentos e retornos, substituído ora por secretarias, ora por ministérios ligados a outras pastas. “É uma cultura, e nós temos que lutar contra ela”, ressalta Nader.

A professora chamou atenção para a necessidade de mobilização em relação às medidas que estão sendo tomadas e que afetam a educação e a ciência no país, e portanto a sociedade como um todo. “É a volta do obscurantismo”, afirma.

Nader apresentou vários gráficos, ressaltando a importância do conhecimento e divulgação dos dados para entender porque Ciência não é gasto, e sim investimento. O desempenho dos estudantes do ensino básico de acordo com o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e PISA (Programme for International Student Assessment), por exemplo, demonstra que o Brasil tem resultados muito piores que a média desejável. “É este jovem que vai entrar na universidade e depois no mercado de trabalho”, comentou a professora. Já em relação ao ensino superior, ela mostrou que, de 1980 a 2014, houve um grande aumento de matrículas nas universidades privadas, o que sugere, de um lado, a melhoria do acesso à universidade, mas também que as universidades públicas não estão se adequando às novas demandas.

“Mas o que há de bonito no nosso sistema? Por que a nossa ciência, em tão pouco tempo, teve um resultado tão fantástico?”, questiona Nader. Segundo ela, a resposta é a SBPC, que faz parcerias entre agentes público e privados, federais e estaduais e entre ministérios. “Essa articulação foi o que levou a nossa ciência a chegar onde chegou.” Ela também citou a PEC 85, que institui o Sistema Nacional  de Ciência, Tecnologia e Inovação, fruto de 10 anos de trabalho; e a Lei 13.243, sancionada em 11 de janeiro de 2016 pela presidenta Dilma Rousseff, que dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científico, à pesquisa, à tecnologia e à inovação.  

Lavínia Beyer Kaucz / Estagiária de Jornalismo / Agecom / UFSC