Lauro Mattei: primeiro professor da UFSC na presidência da Sober

05/09/2017 14:05

Lauro Mattei: compromisso com pluralidade. Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

Primeiro professor da UFSC a assumir a presidência da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), Lauro Francisco Mattei revela que a entidade, como é conhecida, tem algumas preocupações essenciais que perpassam a sua atuação. A primeira delas é manter uma análise bastante atualizada das transformações que vêm passando a agropecuária brasileira.

“Acho que esse é um ponto que tem muitos estudos em instituições como a Universidade de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba e a Universidade Federal de Viçosa, com pesquisadores de longa trajetória que acompanham as mudanças estruturais que acontecem no sistema agropecuário brasileiro”, observa Mattei.

Outra inquietação da Sober é entender um pouco a dinâmica mais demográfica do meio rural, em termos de mobilidade da população rural e urbana e no que se refere a emprego, situação social e meio de vida rural. “Temos que compreender não só as condições de produção, mas também as condições de vida de quem produz”.

São temas, acrescenta Lauro Mattei, que têm a ver com a orientação atual da sociedade, moldada originalmente numa visão muito tradicional da agricultura brasileira, mas que expandiu seu leque de ações e atividades e hoje possui uma presença muito forte no debate sobre o desenvolvimento rural brasileiro.

“A Sober, que completa 60 anos agora em 2019, tem uma dimensão multidisciplinar que engloba também agrônomos, médicos veterinários, engenheiros florestais, geógrafos, enfim, muitas categorias profissionais que demonstram a pluralidade e a vitalidade dos debates”.

Uma das discussões mais recentes é com relação ao meio ambiente. “Já existe inclusive um grupo de trabalho específico sobre a temática da sustentabilidade numa perspectiva de discussão a longo prazo”, lembra o professor Mattei, natural de São Miguel do Oeste e filho de pequeno agricultor.

A Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural tem, é claro, questões mais prementes na sua agenda, entre elas o acompanhamento próximo das políticas públicas de governo, sobretudo de crédito, preços e de incentivo à produção.

“Num período de crise como nós estamos passando, o setor agropecuário ainda consegue responder minimamente a algumas demandas do país, como a exportação de produtos agropecuários”, avalia.

Mas algumas coisas já acenderam um sinal amarelo: as restrições orçamentárias dos últimos três ou quatro podem, segundo o pessoal mais ligado à área específica da pesquisa agropecuária, comprometer estudos futuros.

Trajetória

Lauro Mattei, que possui doutorado em Economia, ratifica que a diretoria leva sempre em consideração três coisas: a representação das áreas, das regiões do país e tem uma atenção especial com a renovação, preparando os futuros dirigentes. “É o meu caso. Comecei como coordenador de grupo de estudos e apresentação de trabalhos, fui representante da região sul e nas duas últimas gestões vice-presidente.”

“A gente trabalha fundamentalmente em cima de uma estrutura representativa, de tal forma que a sociedade consegue dar conta do interesse de diferentes categorias. São em torno de 600 sócios em dia e nossos congressos envolvem mais de mil pessoas por evento. Recebemos em torno de 1200 a 1400 trabalhos.”

A Sober tem uma tradição de eleger o presidente em congresso a cada dois anos. “Aqui na UFSC há uma cobrança muito grande para que a gente traga o próximo congresso para Florianópolis”, antecipa Lauro Mattei, “e isso pode acontecer já em 2019.”

Ele adianta que conversas com o reitor Luiz Carlos Cancellier já estão sendo mantidas nesse sentido, mas ressalva que a realização do evento aqui em Florianópolis vai depender dos departamentos e dos programas de pós-graduação de Economia, Sociologia, Administração e Ciências Agrárias. “Um congresso desse nível demanda uma logística muito grande em função do número de pessoas envolvidas. E quem sedia que tem organizar tudo.”

Agecom/UFSC