Mesa-redonda ‘Africanos livres: A abolição do tráfico de escravos no Brasil’ na segunda

25/08/2017 09:17

O Programa de Pós-Graduação em História (PPGHST) da UFSC promove Seminários Histórias Possíveis, encontros mensais de professores e alunos.

Na segunda-feira, 28 de agosto, será realizada mesa-redonda em torno do livro “Africanos livres: A abolição do tráfico de escravos no Brasil”, às 16h, no miniauditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) – 3º andar do bloco de salas de aula.

Professores da UFSC que participam do encontro:

Beatriz Gallotti Mamigonian (História)
Henrique Espada Lima (História)
Ilka Boaventura Leite (Antropologia)
Silvio Marcus Corrêa (História)
Waldomiro Lourenço da Silva Júnior (História)

Sobre o livro:

Em 7 de novembro de 1831, foi promulgada a lei que proibia a importação de escravos para o país e punia todos os envolvidos na atividade. O extenso contrabando das duas décadas seguintes fez pensar que a lei fosse “para inglês ver”.

Em Africanos livres, Beatriz Mamigonian trata da abolição do tráfico de escravos no Brasil desde sua proibição em 1808 pela Grã-Bretanha e dos tratados que garantiram a liberdade dos africanos resgatados dos navios negreiros. A lei de 1831 é o eixo narrativo do livro, ao qual se imbricam a análise da experiência dos africanos livres, de sua administração pelo governo imperial e dos efeitos sociais e políticos do contrabando. Os acordos bilaterais e a legislação nacional determinavam que esses africanos fossem submetidos durante catorze anos a um regime de trabalho forçado, período em que seriam supostamente educados para a liberdade, mas que durou muito além do prescrito.

Um dos temas centrais deste livro é a polêmica campanha britânica pela liberdade dos africanos livres e daqueles importados mantidos como escravos desde 1831. A autora revisita o contexto da Lei Eusébio de Queirós (1850) e a “Questão Christie”, episódio que resultou no rompimento de relações diplomáticas entre Brasil e Grã-Bretanha entre 1863 e 1865. Nos dois momentos, a campanha britânica ganhou a opinião pública, incluindo negros livres, libertos e escravos. Diante das ameaças à soberania nacional, o governo brasileiro teve que demonstrar coesão institucional e política para conter as pressões abolicionistas e repactuar com os senhores de escravos os termos para a manutenção da escravidão.

Mamigonian reescreve capítulos de história política e diplomática brasileira a partir do problema da proibição do tráfico, ao incorporar à trama as experiências dos africanos livres e daqueles ilegalmente escravizados. Africanos livres permite reconstruir a importância da lei de 1831 para a política imperial e as relações exteriores, assim como para a resistência escrava e o abolicionismo radical.

 

Lançamento: companhiadasletras.com.br