Traduções de Shakespeare publicadas pela EdUFSC integram acervos de bibliotecas inglesas

21/06/2017 19:56

Professor Rafael Raffaelli, com a obra “A tragédia de Macbeth”. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC.

Duas obras de Shakespeare publicadas pela Editora da UFSC (EdUFSC), traduzidas pelo professor Rafael Raffaelli, integram agora o acervo de importantes bibliotecas do Reino Unido. As recentes traduções de A tragédia de Macbeth e Sonho de uma noite de verão foram aceitas na The British Library e Senate House Library, localizadas em Londres; Bodleian Libraries, na Universidade de Oxford; National Library of Scotland, em Edimburgo, capital da Escócia; Library of Birmingham, em Birmingham; e Shakespeare Birthplace Trust, em Stratford-upon-Avon, cidade natal de Shakespeare.

O processo para uma obra integrar o acervo dessas grandes bibliotecas é longo e costuma levar meses. É preciso entrar em contato com o setor de análise ou diretamente com os próprios bibliotecários, caso sejam acessíveis. Existem equipes de curadores para cada área, que avaliam e decidem por aceitar ou não o livro. As traduções de Rafael se destacam por serem publicadas em edições bilíngue, o que gera mais interesse pelas bibliotecas estrangeiras. “As edições bilíngues são menos comuns e isso confere qualidade ao texto”, afirma o professor.

The British Library é a maior biblioteca do Reino Unido em termos de volume: são mais de 20 milhões de obras no acervo. “É a biblioteca das bibliotecas. Ela abastece todas as bibliotecas regionais. É lá que estão documentos valiosos, como o primeiro livro editado no mundo e o primeiro folio de Shakespeare. Meus livros foram incluídos na National Collection, onde estão as obras que devem ser preservadas.”

Outra biblioteca importante, segundo Rafael, é a National Library of Scotland. “Ela só aceita obras relevantes para a história escocesa. Eles já têm livros demais e não aceitam qualquer coisa, por isso fico feliz que minhas traduções tenham sido aceitas.”

A Library of Birmingham é uma biblioteca municipal, mas que se destaca por ter a coleção mais relevante de Shakespeare. “O acervo tem traduções de Shakespeare em 73 idiomas. Só em chinês, são mais de 20 traduções de autores diferentes. É a maior biblioteca de Shakespeare do Reino Unido. E em termos de espaço físico, é a maior biblioteca da Europa”, explica o autor.  Os livros de Shakespeare traduzidos para o português que constavam no acervo da Library of Birmingham eram do século XIX. A tradução de Rafael, portanto, passa a ser a mais recente a integrar a biblioteca.

No acervo da Shakespeare Birthplace Trust, as obras da EdUFSC são as únicas em língua portuguesa. “Essa é uma instituição de grande valor cultural para a Inglaterra”, afirma. “As editoras não percebem a importância de colocar os livros nessas importantes bibliotecas, pois é lá que as obras serão preservadas. Eu quero divulgar o meu trabalho, por isso faço esse esforço.”

Sobre o tradutor

Rafael Raffaelli foi professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de 1980 a 2014. Seu percurso pela tradução começou ao acaso. “Eu utilizava Shakespeare em sala de aula, mas algumas coisas me incomodavam nas traduções, por isso decidi eu mesmo começar a traduzir.” A primeira obra que traduziu foi Macbeth, publicada nos Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas em 2008. A tradução, que está disponível online, foi citada em publicações estrangeiras e, segundo o autor, teve ampla repercussão. “Hoje as obras publicadas online são muito mais divulgadas do que as impressas. Mas é importante o livro impresso, pois essa é a melhor forma de preservá-lo. Além disso, cada edição é uma obra de arte. Temos que pensar em cada detalhe. Eu gosto de acompanhar todo o processo de edição.”

Além das duas obras recém-lançadas, Rafael também já traduziu “Do jeito que você gosta” e A tempestade, ambas publicadas pela EdUFSC. Nesta quinta-feira, 22 de junho, o professor participa do Círculo de Leitura de Florianópolis, com o tema “Shakespeare: sua tradução”.  O encontro, que é aberto a todos, será às 18h30, na sala Harry Laus da Biblioteca Universitária (BU).

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Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC