Núcleo Interdisciplinar em Políticas Públicas discute dados da violência dentro do campus

28/06/2017 16:45

O Núcleo Interdisciplinar em Políticas Públicas (Nipp) organizou a palestra “Vitimização e o sentimento de insegurança na UFSC” na última sexta-feira, 23 de junho. O evento foi dedicado à exposição dos resultados de um questionário aplicado aos alunos de graduação da UFSC sobre segurança dentro do campus e ao redor da Universidade. O formulário foi respondido paralelamente por estudantes da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó). O universo da pesquisa envolveu 21.975 alunos e teve um retorno de 3% dos participantes. Foram consideradas 372 respostas com uma margem de erro de 4,9% nos números. O questionário foi formulado com 44 questões sobre o sentimento de insegurança, vitimização e aspectos sociodemográficos dos estudantes de graduação. A divulgação e envio dos formulários para os estudantes foram feitos pela Agecom.

Apresentação do professor Erni Seibel. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC

A pesquisa tem como base os dados que a The United Nations Interregional Crime and Justice Research Institute (Unicri) usa como referências. Ela foi adaptada aos moldes da UFSC e à sua realidade. Antes de ser veiculado, o formulário passou por uma avaliação do Comitê de Ética da Universidade. Foram englobadas questões sobre as percepções dos participantes em relação aos principais problemas do país e ao aumento da criminalidade. Os dados revelaram que as pessoas se sentem mais inseguras dentro da Universidade do que em outros lugares da cidade. A percepção sobre o aumento da criminalidade se deve principalmente pelo contato com o rádio, TV e outras mídias do que por amigos e familiares.

As questões sobre vitimização foram formuladas com base em uma pesquisa hemerográfica com mais de 550 matérias de diversos jornais. Além de entrevistas com gestores da UFSC, da Unochapecó e com as equipes de segurança de ambas universidades. Foram contemplados aspectos como características das vítimas e dos agressores; quantos e quais crimes foram cometidos, assim como suas características; crescimento do nível de criminalidade em relação ao tempo; se os crimes são reportados e se não foram, por quais motivos?; se existem políticas de prevenção e qual a relação entre o medo e a criminalidade. Além do senso de vulnerabilidade dos participantes e as consequências que difusão do medo causa nos hábitos da população.

A equipe que formulou e analisou os dados foi composta pelos professores Erni Seibel, Irme Bonamigo (Unochapecó), Luiz Carlos Chaves, Marcelo Simões Serran de Pinho, Felipe Mattos Monteiro, a doutoranda Gabriela Ribeiro Cardoso e o mestrando Denis Berté Salvia do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP). A pesquisa foi a primeira entre as universidades brasileiras que aborda diretamente a segurança dentro do campus e para uma análise de dados mais efetiva os resultados podem ser separados por sexo e centros de ensino.  Segundo o professor Erni Seibel, “o survey pode servir de base para a formulação de políticas sobre segurança pública dentro da universidade e seus entornos. Já que todas as políticas devem ter como base uma pesquisa de vitimização”. O professor também destacou a importância de criar métodos de avaliação dessas políticas por parte do Conselho Universitário. Na UFSC a única política que passou por avaliação foi a de ações afirmativas, em 2012.

Dados

O sentimento de insegurança predomina entre os universitários, 74,3% disseram que se sentem inseguros dentro da universidade e 65,8% declararam que se sentem inseguros nos arredores do campus. Dentro os crimes mais temidos pelos estudantes ficaram: assalto, homicídio, furto de veículo, sequestro e abuso sexual. Entre os participantes 93% demonstraram medo de assaltos dentro da universidade; 81% tem medo de homicídios; 80% de furto de veículos; 70% de sequestro relâmpago e 68% de abuso sexual.

A pesquisa sobre vitimização, ou violência concreta, revelou que 37% dos estudantes já foram vitimas de furto de veículo; 29% de furto de bicicleta; 25% tiveram as residências invadidas; 23% sofreram algum tipo de discriminação e 19% foram vítimas de agressão sexual.

Giovanna Olivo/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC

Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC