Fonoaudiólogos da UFSC criam centro de referência em voz e deglutição com apoio da Fapesc

28/06/2017 15:55

Devido à inexistência de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina nas áreas de voz e disfagia, uma equipe formada por médicos e fonoaudiólogos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estudou por três anos as alterações nas estruturas envolvidas no processo de deglutição, que podem levar a problemas respiratórios.

A pesquisa foi desenvolvida no Ambulatório de Voz do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, em Florianópolis, que tem se tornado um Centro de Referência no estado, desde a sua criação, em 2009. A clínica hoje atende cerca de 30 pacientes por mês, com demanda crescente.

Pesquisa foi desenvolvida no Ambulatório de Voz do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago.

Durante o ato de deglutir pode haver entrada de alimento, saliva ou líquido nas vias respiratórias, levando a problemas como pneumonia e infecções recorrentes. “A disfagia significa dificuldade para comer, dificuldade para deglutir. São alterações no ato de engolir que dificultam ou impedem a ingestão oral segura, eficiente e confortável, caracterizada pela anormalidade da transferência do bolo alimentar da boca para o estômago”, explica Maria Rita Rolim, professora do curso de Fonoaudiologia e coordenadora do projeto apoiado pela FAPESC. O diagnóstico prematuro da disfagia pode prevenir a ocorrência de desnutrição, desidratação e alterações pulmonares, que podem levar à piora no quadro de saúde geral do indivíduo ou até mesmo à morte. Com o projeto, os pesquisadores se voltaram à melhoria da qualidade dos atendimentos aos pacientes do SUS na área da deglutição e alterações vocais.

A ocorrência de disfagia pode ter as mais diversas origens, principalmente doenças ou lesões neurológicas que afetam o controle da deglutição, como acidente vascular cerebral, traumatismo cranioencefálico, neoplasias em sistema nervoso central e periférico e doenças degenerativas. Os atendimentos a cerca de 1000 pacientes no HU detectaram que as lesões mais encontradas a partir do exame de videolaringoscopia foram nódulos (22,6%), pólipos (11,7%) e edema de Reinke (7%). As lesões encontradas eram de caráter benigno, e por este motivo os pacientes não podem ter cirurgia realizada pelo SUS. O diagnóstico foi feito por meio do exame de videolaringoscopia, que permitiu verificar a condição laríngea dos pacientes, assistidos pelo médico Otorrinolaringologista.

Texto: Jéssica Trombini – Coordenadoria de Comunicação da FAPESC