Reitor da UFSC realiza coletiva com Agecom e estudantes de Jornalismo sobre 1º ano de sua gestão

11/05/2017 14:55

Reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, completa 1 ano de gestão. Foto: Jair Quint/Agecom/UFSC

Nesta quarta-feira, 10 de maio, na data exata em que completa 1 ano de gestão, o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, conversou em seu gabinete com estudantes do Jornalismo, dos projetos de extensão de telejornalismo (TJ UFSC) e do site Cotidiano, e com a Agência de Comunicação (Agecom) e a TV UFSC, sobre pontos importantes desse primeiro ano de sua administração.

Os estudantes fizeram as primeiras perguntas ao reitor e o questionaram sobre os programas de permanência dos alunos, a Delegacia da Mulher, o Centro de Convivência, o andamento das obras nos campi, o curso de Medicina em Araranguá, os estacionamentos, o cardápio no Restaurante Universitário, as festas e as contrapartidas da Prefeitura de Florianópolis para a UFSC na obra de duplicação da rua Edu Vieira. Confira a avaliação do reitor sobre esses temas na entrevista do TJUFSC, disponível neste link.

Outras questões:

Agecom: de forma geral, como o senhor avalia as oportunidades e os desafios do primeiro ano de gestão da UFSC?

Cancellier: Eu acho que aproveitamos todas as oportunidades, não deixamos escapar nenhuma delas, seja na parte da gestão, na execução do orçamento, na busca de novos recursos, na demanda que existia de se relacionar com os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas, sociedade organizada, Indústria, Comércio, Agricultura e também com os órgãos de controle. Internamente, da mesma forma, havia uma circunstância e uma condição favorável para que a Reitoria voltasse a ser um centro catalizador, uma referência da Universidade de uma política de diálogo, de compreensão e de colaboração.

Acredito que foi feita uma boa leitura do ambiente interno e externo, seja naquilo que era uma representação política ou da sociedade e creio que essa análise foi bem aproveitada. E a partir daí ficou definido o método de trabalho. Surgiu ao longo do processo eleitoral e foi se consolidando, virou um discurso e se estabeleceu uma política interna de pacificação e uma externa de reaproximação.

A UFSC tem que estar no noticiário positivamente. Isso nos obriga a ir ao governo, à federação das indústrias, ao parlamento, ao Tribunal de Contas, à Assembleia Legislativa, às empresas, tem que andar, vender a imagem da UFSC. Internamente é o mesmo processo, uma boa condução no Conselho Universitário, nas câmaras de ensino, nos laboratórios, Apufsc, Sintufsc, representação dos estudantes, fazer uma política de aproximação interna. Paciência, calma e capacidade de dialogar.

Na avaliação geral, aconteceu o impeachment, a reforma do ensino médio, depois a reforma constitucional da redução dos gastos, alteração na legislação trabalhista e agora na previdenciária. Muita coisa em um ano e se conseguiu manter o ritmo.

Agecom: este ano houve corte de recursos nas universidades federais. Se a UFSC sofreu algum corte, quanto do nosso orçamento foi reduzido?

Cancellier: Tinha a expectativa de capital de 35 milhões para realizar obras, como o prédio do CFM, CED, CFM, CCB, CDS, CSE e retomar as obras de Joinville e Curitibanos. Isso só de obra grande, e dentro deste orçamento, toda a manutenção e os outros serviços decorrentes. Perdemos 10 milhões. Dentro dos 25 ainda pode ter um contingenciamento, mas vamos supor que no final do ano a gente execute 100% do orçamento ao final do ano teremos disponibilizados 10 milhões a menos do que foi em 2016.

Faz falta e isso nos obriga a redimensionar. O importante é sair da inércia, refazer o projeto, licitar e vai que melhore o orçamento em 2018, ou que haja uma suplementação orçamentária, como ocorreu em 2016.

Agecom: quais as áreas mais atingidas pelo corte de recursos do Governo Federal?

Cancellier: As obras sofreram com o corte e quanto aos cursos, na parte de pós-graduação que trabalha com recursos para os programas e para bolsas há uma retração, mas de acordo com relatos dos pró-reitores de pesquisa e de pós-graduação, há uma diminuição.

O duodécimo dos centros de ensino foram mantidos, os recursos para a assistência estudantil houve um aumento de 1 milhão de reais. Nós não podemos ampliar o número de bolsas, não podemos construir uma nova ala do Restaurante Universitário, entretanto não irá diminuir nada, ampliamos em 200 bolsas, mas não diminuiu o valor da bolsa e aquelas indexadas pela inflação serão reajustadas. As que não têm previsão de reajuste pelo menos serão mantidos pelos mesmos valores. Não diminuiu quantidade e valor. Vagas na moradia estudantil da mesma forma, o auxílio para habitação, 250 reais para 2 mil estudantes) permance. Uma adequação dos programas de pós que não tem recursos Proex, pode ter uma redução do número de membros de bancas, de viagens. São medidas de prevenção.

Foto: Jair Quint/Agecom/UFSC

Contratação de pessoal não mudou, foram 207 nomeados em 1 ano, entre técnicos e docentes, seleção de professor visitante, programa de redistribuição; a política de pessoal foi muito boa. 70 % das posses foram direcionadas para os centros de ensinos, não foram para a burocracia e sim para as áreas que mais precisam.

Agecom: outubro de 2016 foi marcado pelas ocupações de estudantes em alguns centros de ensino e a greve dos técnicos-administrativos, contra as PECs 241 e 55. Qual foi o posicionamento da Administração Central quanto às manifestações?

Cancellier: O que facilitou a conversação foi a posição da Andifes em relação à reforma do ensino de amplo debate e, em relação à reforma orçamentária, a de limitação das despesas, ela tirou uma posição crítica. Isso ajudou já que os conselhos universitários de todo o Brasil seguiram essa posição. E a nossa foi de respaldo também. Houve movimento de paralisação e de ocupação. Ficou claro para os setores que, institucionalmente, a UFSC havia se posicionado criticamente na hipótese da redução de recursos nas instituições públicas de ensino. Isso ajudou na aproximação com o movimento dos estudantes e dos técnicos.

Quanto às ocupações dos estudantes, em todos os momentos a Reitoria chamou os diretores de centros, respeitando a autonomia de cada um; muitas das soluções tiveram características locais.

As ocupações se deram mais especificamente no CFH, CED, CCE e CSE. As direções dos centros, o Ministério Público Federal, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Reitoria fizeram toda a negociação e a transição com o movimento de ocupação. Nós tínhamos uma data para a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em novembro, e um limite para preparar o vestibular até 15 dias de antecedência. Como alguns centros foram ocupados, a data de liberação total foi a negociação.

Na greve dos técnicos em torno de 15% da categoria pararam, as atividades de ensino, pesquisa e extensão continuaram normais, e pela primeira vez o RU não fechou na greve.

Agecom: a UFSC implantou as 30 horas na Biblioteca Universitária (BU). Qual a perspectiva da implantação nos demais setores?

Cancellier: Sim, tem um cronograma. O HU foi o primeiro, depois a BU. O decreto diz que pode implantar as 30 horas nas seguintes situações: serviço além das 21 horas; o setor fica aberto 12 horas contínuas; e a terceira hipótese é o atendimento ao usuário. Observa-se que não é para todos indiscriminadamente. Foram criadas as comissões locais tanto no administrativo quanto no acadêmico para apurar essa incidência, que fizeram seus estudos e mandaram para a comissão central e para a Procuradoria Federal. A central verificará tecnicamente se é viável essa implantação, se atende aos requisitos do decreto, se o número de servidores é suficiente para atendimento, e a procuradoria, a viabilidade legal. A comissão central validando, a procuradoria validando, eu assino a portaria para aquele setor por um ano. É obrigatório ter a avaliação, acompanhamento do processo para verificar a dinâmica.

Agecom: “30 horas” está associada ao processo de implantação do ponto eletrônico? Em que fase ele se encontra?

Cancellier: O processo das 30 horas é da conjuntura motivada pela ação interna, pode se caracterizar por um movimento dos trabalhadores, por uma ação do sindicato, por uma percepção da Administração Central. O ponto eletrônico não depende, vem de uma decisão judicial. A justiça Federal decidiu que o nosso ponto manual não é suficiente. E determinou que em 2016 fosse reservada dotação orçamentária e fosse feita a licitação. Nós fizemos a reserva, feito todo o estudo, termo de referência. Já tem uma empresa vencedora e está atualmente na fase de especificação. Se não tivesse as 30 horas, o ponto ia sair de qualquer forma.

Vai ser uma boa experiência na UFSC. Nós temos 3.200 técnicos e vamos verificar se a redução de oito para seis horas diárias significará uma melhora na qualidade de vida dos servidores. Outra coisa que vamos verificar é se o serviço prestado irá melhorar, porque em tese um cobre outro e expande para 12 horas de atendimento. Se os estudos feitos correspondem a uma realidade.

Agecom: nesta gestão foi criada a Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (Saad). E adotou-se uma nova política na UFSC. Quais foram os avanços nessa área?

Cancellier: A criação da Saad já é um avanço, deixou de se trabalhar com comissão, grupo de trabalho e criou-se uma estrutura no mesmo patamar da Administração Central. Significa mais ou menos dizer que estamos aqui, que é para valer, tem que criar a narrativa e ser convincente para as pessoas. O slogan do vestibular, o calendário, tu vai colocando na rotina, na normalidade do discurso e da vida prática, que aqui tem diversidades, que aqui mudou, que as questões de gênero, machismo e de preconceito são combatidas. A UFSC está atenta.

Uma das ações da secretaria é de educação e conscientização, para isso realizaram vários eventos ou programaram, dentro de uma ideia de debater, esclarecer para acabar com o preconceito. Quanto mais se se fala, em tese menor a incidência.

Mas a incidência ainda ocorre. Primeira é a criação em si e algumas ações gerais como a do vestibular e a do calendário. Segunda são as ações da secretaria de conscientização e de debate e a terceira que são, ainda, as incidências. Quando os fatos ocorrem, a secretaria pode tomar uma posição, ela tem esse poder. Ela recebe a informação, processa e encaminha para a ação institucional.

Quando o fato envolve o aluno encaminha para a coordenadoria do curso para providências e quando envolve professor tem o processo administrativo disciplinar, são as duas formas de punição. Há uns três ou quatro casos sendo verificados. Agora entrará a nova fase de modificação da resolução que trata de sanções disciplinares. São várias ideias, até de sanções socioeducativas.

Não que a universidade seja punitiva. Não deu pelo convencimento, esclarecimento, então haverá sanções. Já houve aluno que teve que participar em curso de gênero, suspensão de três dias, e pensa-se em também perder um benefício se tiver, ou um semestre.

Sanções destes tipos causam repercussão e o processo administrativo deve ser garantidor do direito de defesa, da produção de provas, não pode ser um instrumento de criar outro tipo de injustiça.

Agecom: em junho haverá a implantação da primeira coleta seletiva da UFSC. Como a gestão avalia o reposicionamento da Universidade nas questões ambientais?

Cancellier: O reposicionamento da UFSC na questão ambiental é excelente. Um dos quatro pilares do nosso projeto é uma UFSC saudável, pensando exatamente nesse ponto.

Lixo, manancial de água (córregos e rios), bosque são também pilares. Então temos uma Coordenadoria de Gestão Ambiental e um programa de sustentabilidade, Nomeamos para a coordenação o professor Rogério Portanova, da área do Direito, ambientalista, dirigiu a Fatma, a Fapesc, com esse mesmo objetivo.

A UFSC tem muitos trabalhos de grupos de pesquisas, de estudos, de empresas juniores, de equipes, muitas iniciativas relacionadas ao lixo, ao bosque ou ao saneamento das águas. A função da Administração Central é dar vazão a essa pluralidade de ações e essa coordenadoria tem que ter essa capacidade de articular, estimular, fazer com que ao final de um período essa política ambiental tenha uma marca.

Agecom: o reitor possui uma experiência no Jornalismo e como esta influenciou na decisão de retomar a autonomia da Agecom, após um período de estagnação?

Cancellier: Sim, a passagem no jornalismo me ajudou muito na universidade. Fiz o mestrado e o doutorado e tinha uma facilidade incrível de fazer os papers, a dissertação, a tese, pela experiência na escrita e de texto. A nossa profissão é interessante porque tem um poder de síntese, conta toda a história em uma manchete, e uma segunda chance no lead. Cinco linhas para contar uma história.

No caso da Agecom, na nossa opinião, o Gabinete da Reitoria não precisa de uma assessoria de imprensa. A comunicação deve ser para divulgar projetos, intercâmbios, artigos que podem ser notícias positivas e que são divulgadas minimamente. Se pensar que há 110 cursos, há pauta para todos os dias na área da pesquisa, da inovação, da cultura e do ensino. Hoje em dia com as redes sociais todo mundo é uma fábrica de notícias.

A estrutura da Agecom é grande em comparação as outras federais. Somos top e não conseguimos dar conta da nossa produção. Quando eu entrei e o Áureo (chefe de Gabinete), e como somos da comunicação, tínhamos que dar um jeito na Agecom e desfizemos a comunicação que existia no gabinete.

Tinhamos só uma CD4 e o nosso objetivo era unir TV UFSC e Agecom. A equipe escolheu por permanecer a direção na TV e, em seis meses, conseguimos regularizar a situação funcional e devolver a direção da Agência.

Agecom: a Agecom completa 25 anos em junho deste ano e com a atual gestão retomou a autonomia que lhe é de direito. Como a administração avalia a relevância da autonomia da comunicação para o desenvolvimento da UFSC?

Cancellier: A autonomia da Agecom foi reconquistada e não significa matérias críticas à Universidade, ela não é imprensa externa, é órgão da Administração e tem que ter a liberdade de selecionar a pauta. Tem um caso de racismo, pode-se cobrir levando em conta os dois lados. A Agecom tem por obrigação dar a versão da administração, o que a Saad fez, e funcional de noticiar.

O que vai diferenciar a sua cobertura da do veículo privado, é que a Agecom é órgão institucional de imprensa. Autonomia é importante porque não fica vinculada a pautas de gabinete, e sim da UFSC.

Agecom: qual a sua análise da política atual de segurança nos campi e quais os projetos desta área?

Cancellier: A UFSC é um ambiente seguro, primeira coisa a se destacar. Pelo tamanho da Universidade e o número de pessoas que circulam diariamente, é um espaço seguro comparado com qualquer cidade do mesmo porte. Não é um território livre, pelo contrário. Os números de furto, sequestro, roubo, e o espaço da criminalidade são mínimos.

A novidade são as câmeras, os drones, maior circulação das viaturas, as filmagens, o projeto Rota Segura (iluminação e monitoramento por câmeras), tudo isso ajuda a prender o infrator, então o episódio recente no CFM, dois dias depois a pessoa foi identificada. O tempo de reação está cada vez menor. Os equipamentos ajudam no tempo de detenção e no recolhimento dos infratores.

A Polícia Militar age dentro do campus. Vai ou não ter PM no campus, um debate que existe. Hoje há uma parceria. A PM está aqui há seis meses sem alarde, no combate da criminalidade. O que não há é a repressão da PM.

Há situações em que a nossa ação é mais rápida que a da PM, a capacidade de resposta da  nossa equipe está, pela sistemática do trabalho que foi montada, bem mais ágil. A equipe consegue deter o infrator e levar à PM. Os dados mostram que houve uma queda da ação criminosa, no número de ocorrências. Há a sensação de insegurança, mas ela diminuiu consideravelmente.

À noite, se alguém estacionou o carro muito longe ou se sente inseguro no percurso até a condução, pode contatar os agentes da UFSC que eles acompanham. A disposição do plantão 24 horas também tem dado boa repercussão. A segurança é uma preocupação permanente.

Agecom: há previsão de novos concursos para UFSC?

Cancellier: Provavelmente, no segundo semestre haverá concurso para uma média de 60 professores e técnicos.

 

Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

 


Entidades opinam

O coordenador geral do Sintufsc, Celso Martins, avalia como uma boa gestão, procurando o diálogo com a entidade e avançando na implantação das 30 horas de trabalho na UFSC. O sindicato vai continuar na luta, na defesa das 30 horas para todos na instituição. (Sintufsc)

“Cumprimento o reitor Luiz Carlos Cancellier pela serena competência com que tem dirigido esta que é uma das mais importantes universidades do país”, afirma o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte. Ele destaca que há um ano a federação e suas entidades (Sesi, Senai, IEL e Ciesc) assinaram termo de cooperação com a UFSC para a promoção do ensino, pesquisa e extensão voltados à indústria. (Fiesc)

“Deve-se reconhecer que esta gestão sempre esteve aberta ao diálogo. Isto é fundamental na relação entre a Universidade e o Sindicato que representa legitima e legalmente os professores das universidades federais de Santa Catarina”. (Apufsc-Sindical)

O reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo tem realizado uma ótima gestão frente a UFSC, não poupando esforços, a despeito de todos os desafios que tem se apresentado, inclusive no âmbito educacional. Tenho convicção de que sua postura ética e competência técnica continuarão sendo os pilares de sua gestão pelos próximos anos. (João Paulo Kleinübing, presidente do fórum parlamentar catarinense)