Pesquisa em parceria com a UFSC é publicada em periódico internacional de Arqueologia

05/04/2017 14:11

Uma pesquisa realizada no Laboratório de Materiais do Ateliê de Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis (Atecor) da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) foi publicada no Journal of Archaeological Science, revista internacional que é referência no campo da Arqueologia. O estudo relata a análise química de artefatos cerâmicos arqueológicos encontrados em uma escavação por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na cidade de Alfredo Wagner, interior de Santa Catarina. 

O trabalho foi feito em conjunto entre o Atecor, o Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC, o Laboratório de Materiais Inorgânicos do Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). A partir das análises químicas pode-se atribuir a temperatura de queima no processo de manufatura destes artefatos. Ainda neste mesmo estudo encontrou-se um marcador inorgânico que pode indicar que a matéria-prima foi coletada em alguma região litorânea. “Isto pode estar associado com a migração desta peça para a Serra ou a coleta da matéria prima de um local próximo ao mar”, explica o químico do Atecor, Thiago Guimarães Costa, que participou do estudo.

Os fragmentos cerâmicos consistem em uma das fontes que podem oferecer informações acerca dos conceitos contemporâneos de cultura e modo de vida de grupos humanos antepassados ressaltando suas tecnologias, identidades culturais, forma de organização social, habitação ou economia do passado aos arqueólogos. Por meio de métodos científicos de análise torna-se possível inferir o processo de produção dos vasilhames cerâmicos, bem como as especificidades dos materiais utilizados.

Assim a caracterização por métodos químicos é fundamental para o entendimento da cultura dos antepassados. No caso dos artefatos encontrados em Alfredo Wagner, esta pesquisa foi um avanço que resultou na descoberta de como os povos de tradição Taquara/Itararé (ocupações pretéritas desenvolvidas por grupos falantes de língua da família Jê. No sul do Brasil, em geral, estes grupos consistem nos ancestrais dos povos indígenas Kaingáng e Xokleng) manufaturavam seus artefatos cerâmicos e um marcador químico foi encontrado em uma das amostras, que mostra que o possível local de retirada da argila foi o litoral.

 

Manuella Mariani/Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC