Desigualdade de gênero no jornalismo foi tema de roda de conversa no CCE

08/03/2017 19:10
Foto: Manuella Mariani/Estagiária da Agecom/UFSC.

Foto: Manuella Mariani/Estagiária da Agecom/UFSC.

“Algo que passa despercebido para a maioria da população e infelizmente também para nós jornalistas é a desigualdade de gênero na produção jornalística. É preciso  identificar como se dá o machismo no cotidiano dos jornalistas. Devemos levar essa reflexão para as redações”, atentou a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, convidada para uma roda de conversa organizada para marcar o Dia Internacional da Mulher nessa quarta-feira, 8 de março. A atividade, que ocorreu no varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), foi promovida pelo Coletivo Jornalismo sem MachismoDepartamento de Jornalismo, Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (Posjor/UFSC), Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho, Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) e FENAJ.

Maria José assinalou que, no processo de produção das notícias, as mulheres são menos procuradas como fontes: “Isso é uma realidade. Se vocês pegarem qualquer jornal do Brasil, tanto em mídia impressa, como digital e eletrônica, as mulheres são sempre minoria. Até porque nós, jornalistas, temos um vício muito grande de ficar nas fontes oficiais: governo, organizações, poderes estabelecidos são normalmente nossa fontes preferenciais. E nos cargos de poder os homens são maioria.” Ela acrescenta que as mulheres são escolhidas como fontes geralmente para reportagens supostamente de interesse feminino. “E digo supostamente porque são futilidades, frivolidades: beleza, jardinagem… E o pior: isso é regra nas publicações dirigidas ao público feminino. Eu me pergunto: qual é o perfil das mulheres que consomem essas mídias direcionadas para as mulheres?”

Foto: Manuella Mariani/Estagiária da Agecom/UFSC.

Foto: Manuella Mariani/Estagiária da Agecom/UFSC.

A jornalista também abordou outros aspectos do machismo nas redações: “Quando as mulheres são destaques em sua área de atuação, na produção jornalística elas são muitas vezes desqualificadas como destaque. O que mais aparece são seus atributos femininos. Isso é muito comum no esporte. Um estudo mostrou que as manchetes envolvendo as mulheres durante as olimpíadas no Brasil eram todas machistas. Uma atleta não é valorizada por seu desempenho, mas sim por sua beleza. São as ‘musas do esporte’. Isso é muito preocupante.” O assédio moral e o assédio sexual nas relações de trabalho também foram abordados por Maria José.

Durante a roda de conversa, foi divulgada a instalação da Comissão Nacional de Mulheres na Fenaj, que terá a participação de duas integrantes do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina: as jornalistas Linete Braz Martins e Tânia Machado de Andrade. Maria José afirmou considerar essas comissões e os espaços de debate muito importantes para a luta contra o machismo e as desigualdades de gênero. “Espero que espaços como esse se multipliquem  pelo país afora e não apenas no mês de março, que é um mês de luta, mas em todos os meses do ano”, finalizou.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC

 

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