‘Seu filho quer estar contigo porque te ama’, diz Carlos González durante abertura de evento de amamentação

24/11/2016 14:21
O pediatra Carlos González durante palestra de abertura do XIV Enam e IV Enacs. (Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC)

O pediatra Carlos González durante palestra de abertura do XIV Enam e IV Enacs. Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

O pediatra e escritor espanhol Carlos González, conhecido por seu livros em defesa da amamentação e da criação com apego, falou para um auditório Garapuvu lotado, no Centro de Cultura e Eventos, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na última quarta-feira, dia 23. A conferência abriu o XIV Encontro Nacional de Aleitamento Materno (Enam) e IV Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS). González alertou sobre a ineficácia do castigo e os mitos de dar colo em excesso, além de demonstrar, com exemplos da natureza, como a criação dos filhos é instintiva.

“Cada animal faz o que é normal à sua espécie. Há os que nascem sabendo caminhar, os que querem estar o tempo todo ao lado da mãe. Como viviam os nossos antepassados? Deixavam um bebê sozinho, na selva?”, questionou o médico. González falou sobre o choro do bebê e a necessidade primária de apego, principalmente à mãe. “Por que as crianças têm apego? Por necessidade de defesa, para satisfazer a falta da mãe, é uma necessidade primária do ser humano e acontece independente se o bebê é amamentado, ou se dorme na cama dos pais ou se fica no colo o tempo todo. Dizer que se o bebê ficar muito tempo nos braços da mãe vai ser um chorão e só vai querer ficar no colo é uma grande mentira. O bebê chora porque quer estar junto à mãe. A mãe não entende que satisfazer as necessidades de fome e frio não é suficiente, há a necessidade de apego. Seu filho quer estar contigo porque te ama,” salientou.

O autor citou as obras do escritor John Bolwby, que desde 1960 fala da teoria do apego. “O bebê sempre escolhe um objeto de apego, geralmente é a sua mãe, que também é quem satisfaz suas necessidades alimentares. A partir desse primeiro objeto, ele estabelece outros. A mãe é geralmente a base segura a partir da qual a criança pode explorar. Quanto melhor for a relação do filho com sua mãe, melhor será com outras pessoas”, ressaltou González.

A presidente do evento, Evangelia Kotzias Atherino dos Santos discursa durante a solenidade de abertura. (Foto: Divulgação/Foto Congresso)

A presidente do evento, Evangelia Kotzias Atherino dos Santos discursa durante a solenidade de abertura. Foto: Divulgação/Foto Congresso

Questionado sobre como a universidade pode fazer a sua parte na formação de profissionais para lidar com crianças dentro da filosofia do apego, o pediatra apontou que o cuidado começa com a maneira com que o ambiente universitário acolhe as crianças. “É muito importante facilitar que as estudantes possam vir com seus filhos estudar. Não se trata de oferecer um serviço de cuidadores para as estudantes ou uma licença prolongada, mas permitir que levem seus filhos à sala de aula. Elas precisam ser acolhidas, e também as professoras, as funcionárias, para que possam estar mais tempo com seus filhos. A universidade daria o exemplo a toda a sociedade. Não se pode querer que a melhor política de apoio à maternidade venha de uma fábrica de automóveis. A universidade é que deve fazer melhor que os outros espaços, é quem deve começar”, complementou. González salientou a importância de apresentar as obras de Bowlby aos futuros psicólogos e educadores.

Durante o evento, González, que é autor de “Bésame Mucho: como criar seus filhos com amor” e “Manual prático de aleitamento materno”, traduzidos para o português, lançou o livro “Meu filho não come”.

Solenidade de abertura

Autoridades durante a abertura do evento. (Foto: Divulgação/Foto Congresso)

Autoridades durante a abertura do evento. Foto: Divulgação/Foto Congresso

Estiveram presentes na solenidade de abertura do XIV Enam e IV Enacs a vice-reitora Alacoque Lorenzini Erdmann; a presidente do evento e professora do Departamento de Enfermagem, Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos; a coordenadora da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (Ibfan Brasil), Fabiana Müeller; a representante do Ministério da Saúde, Fernanda Ramos Monteiro; o secretário-adjunto da saúde de Santa Catarina, Murillo Ronald Capella; o secretário da Saúde de Florianópolis, Daniel Moutinho Júnior; a deputada estadual Ana Paula Lima e a consultora de Sobrevivência e Desenvolvimento Infantil do Unicef, Valderez Aragão.

A abertura contou com apresentações culturais e discursos sobre a importância da realização do evento, em especial no momento político atual. O Encontro continua até a sexta-feira (25) com extensa programação, inclusive para crianças e comunidade.

Mais informações: www.enam.org.br.

Mayra Cajueiro Warren/Jornalista da Agecom/UFSC