SIC 2015: pesquisa integra plantas e camarões em cultivo

21/10/2015 13:38

O estudante Lucas Gomes Mendes, da oitava fase de Engenharia da Aquicultura, integra o Laboratório de Camarões Marinhos  (LCM) desde que iniciou o curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele fez parte da pesquisa de mestrado de Isabela Claudiana Pinheiro sobre o desenvolvimento de plantas no mesmo tanque que camarões Litopenaeus vannamei e apresentou seus resultados na quarta-feira, 21 de outubro, durante 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC. Nela, o pesquisador descobriu que é possível produzir quase dois quilos de Sarcocornia ambigua (conhecida popularmente como Salicornia), vegetal que pode ser uma alternativa ao sal de cozinha, para cada quilo de camarão cultivado. “Se no futuro eu não me tornar pesquisador, serei produtor da Sarcocornia, com certeza”, confessa Lucas.

Lucas Mendes    - foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Lucas  G .Mendes  é bolsista do PIBITI desde o primeiro semestre na UFSC- foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Com o auxílio do orientador Walter Quadros Seiffert e outros integrantes do LCM, o estudante cultivou 250 camarões em tanques de 800 litros. Lucas, durante 70 dias, trabalhou em duas produções – uma de tratamento, em que havia a presença da S. ambigua, e outra de controle, sem as plantas. No tanque com o vegetal, a água dos criadores era bombeada para tubos de PVC em que foram colocadas 40 mudas de Sarcocornia ambigua. O consumo da planta é principalmente feito por pessoas hipertensas, já que dela se extrai o ‘sal verde’, com três vezes menos cloreto de sódio que o sal de cozinha. Além disso, a Salicornia é utilizada para descontaminar a água e como matéria prima para a produção de remédios.

O resultado indicou que a S. ambigua pode ser cultivada junto ao camarão e se tornar  uma opção de renda extra para o aquicultor. De acordo com o jovem pesquisador, ainda não há no Brasil o registro de produtores desse vegetal, mas as produções de países como Portugal e Tailândia dão a perspectiva de que esse mercado pode crescer aqui. Quando comparadas as criações de tratamento e controle, o cultivo da planta com os camarões não alterou a qualidade da água ou dos animais nos tanques.

A pesquisa em que Lucas participou é a primeira etapa de uma série de experimentos que o Laboratório de Camarões Marinhos desenvolveu com a Sarcocornia ambigua.

Esse e outros trabalhos podem ser conhecidos na 3ª Feira do Inventor, nesta quarta e quinta, 21 e 22 de outubro, no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O  SIC da UFSC segue até sexta-feira, dia 23, no mesmo local da Feira do Inventor.

Camila Geraldo/estagiária de Jornalismo Científico/DGC/Propesq/UFSC