Coleção de raridades catarinenses é digitalizada na Biblioteca Central

29/05/2015 10:41

As obras raras da Biblioteca Central Universitária (BU) da UFSC “saem do papel” com sua digitalização, promovida pelo Serviço de Coleções Especiais. Além de conservar os documentos, a iniciativa permite a democratização da informação, já que os volumes ficarão disponíveis na internet pelo sistema Pergamum.

Raridades catarinenses  serão digitalizadas. Foto: Henrique Almeida/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Raridades catarinenses serão digitalizadas. Foto: Henrique Almeida/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

O trabalho começou com as duas mil peças da Coleção Especial de Raridades Catarinenses (Cerc), das quais quase trezentas já foram transformadas em arquivos digitais. “É um acervo local, muito procurado para pesquisa, por isso escolhemos focá-lo no primeiro momento. São folhetos, em sua maioria, e o manuseio físico pode danificá-los. A digitalização vai ajudar a preservar essas obras”, explica a bibliotecária responsável pelo projeto, Joana Carla de Souza Matta Felicio.

De acordo com o projeto elaborado por Joana e pela auxiliar de biblioteca, Gleide Bitencourte José Ordovás, há obras publicadas em Santa Catarina nos séculos XIX e XX, edições raras e exemplares sem cópias conhecidos em bibliotecas e arquivos públicos de Santa Catarina, do Brasil e de outros países. Um dos destaques a serem digitalizados é a Enciclopédia de Santa Catarina, idealizada pelo almirante Carlos da Silveira Carneiro na década de 1950, mas nunca publicada. Ele reuniu diversas informações e imagens (estas já disponíveis no Repositório Institucional da UFSC) de cidades catarinenses.

Jornais catarinenses do século XIX , como a coleção do periódico O Argos, publicado no Desterro – atual Florianópolis – na década de 1860, fazem parte do acervo, constituído ao longo da história da UFSC pela incorporação de bibliotecas de instituições que acabaram se tornando parte da Universidade, como a antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina; por doações, tanto de pesquisadores da história catarinense como de intelectuais e literatos que deixaram parte de seus documentos pessoais e/ou materiais de pesquisa para a biblioteca; e pela aquisição direta da BU.

Bolsistas participam do processo de digitalização. Foto: Henrique Almeida/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Bolsistas participam do processo de digitalização. Foto: Henrique Almeida/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

O processo de digitalização de uma obra, que conta com a participação de dois bolsistas, começa com a higienização a seco, realizada com pó de borracha e trinchas numa mesa de sucção específica para eliminar resíduos. O pó de borracha é utilizado para limpar a obra, com leves movimentos circulares. Ao final, utiliza-se o pincel para retirar o excesso do pó.

Em seguida, é feito o inventário, onde é catalogada previamente uma série de informações, que vão desde o nome do livro e do autor até o estado de conservação e a data de sua publicação e da morte do autor, incluindo também a necessidade ou não da digitalização.

A próxima etapa é a digitalização em si, com a captura da imagem num fac-símile, do qual será gerado um arquivo em formato TIFF, com resolução de 300 DPIs. O arquivo final será pesquisável, utilizando-se o software Optical Character Recognition (OCR) – tecnologia que possibilita o reconhecimento dos caracteres capturados, permitindo a busca por palavras no documento – e em formato PDF.

Para finalizar, serão confeccionados um marcador especial para identificação na estante e a invólucros com papel especial para o acondicionamento dos documentos, de acordo com a necessidade de cada obra.

Joana conta que a disponibilização ao público será realizada respeitando-se as leis de direitos autorais – as obras tornam-se de domínio público após 70 anos da morte do autor. Ela estima que a primeira parte da atividade, iniciada em agosto de 2014 com as raridades catarinenses, seja finalizada este ano. Em seguida, serão digitalizadas as obras raras gerais da Coleção Especial de Obras Raras (Ceor).

Desde maio, o Serviço de Coleções Especiais conta com uma sala exclusiva para consulta ao acervo de obras raras.

Mais informações no Serviço de Coleções Especiais, pelo telefone (48) 3721-2465.

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotos: Henrique Almeida/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC