Pesquisa UFSC: albumina sérica prediz risco de hospitalização em mulheres submetidas a hemodiálise

17/09/2014 08:48

Pesquisa desenvolvida pela nutricionista Patrícia Szuck, para obtenção do mestrado no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGN-UFSC), orientada pela professora Elisabeth Wazlawik, demonstrou que a albumina sérica prediz o risco de hospitalização em mulheres com doença renal crônica submetidas a hemodiálise. O estudo, que acompanhou 138 pacientes submetidos a esse procedimento (idade média de 55 anos, 60% homens) por dois anos, foi realizado em duas clínicas de diálise de Santa Catarina – uma em Florianópolis e outra em São José.

Considerando-se que as taxas de hospitalização entre os pacientes em hemodiálise são elevadas, o objetivo do estudo foi verificar a capacidade preditiva de indicadores nutricionais no risco de hospitalização em pacientes submetidos ao procedimento de filtração extracorpórea do sangue, sendo utilizados nove indicadores (avaliação subjetiva global; escore de desnutrição-inflamação; rastreamento de risco nutricional 2002; porcentagem de massa de gordura; circunferência muscular do braço; força do aperto da mão; ângulo de fase, obtido por impedância bioelétrica; albumina sérica e linfócitos totais).

Os pacientes foram avaliados em 2011 por esses indicadores, e, no período de dois anos, foram observados os dados referentes às hospitalizações.

A incidência cumulativa de hospitalização ao longo do estudo foi de 48%. Os pacientes hospitalizados apresentaram maiores valores de índice de massa corporal e menores valores de albumina sérica em relação aos que não foram hospitalizados. O nível de albumina sérica foi o único preditor de hospitalização, e os pacientes com níveis dessa proteína menores que 3,8g/dL tiveram densidade de incidência de hospitalização 2,5 vezes mais elevada do que os pacientes com níveis maiores de albumina. O sexo foi modificador de efeito: nas mulheres de 7,3; nos homens, 1,37.

Esse resultado é importante, considerando-se que a albumina faz parte dos exames laboratoriais de rotina. Assim, sugere-se que, além do uso de indicadores apropriados do estado nutricional, como o escore de desnutrição e inflamação (específico para pessoas com doença renal crônica), a albumina seja considerada para avaliar o risco de hospitalização. Consequentemente, isso pode propiciar uma intervenção precoce e um menor número de hospitalizações.

Saiba mais:

A doença renal crônica é um problema de saúde que leva à perda progressiva e irreversível da função dos rins, e para a qual é frequentemente indicada uma terapia como a hemodiálise, que consiste na filtração extracorpórea do sangue, a partir de uma máquina chamada dialisador.

O comprometimento do estado nutricional está associado a resultados indesejáveis: foi demonstrado que pacientes desnutridos permanecem cerca de 50 a 70% mais tempo hospitalizados, com maiores chances de readmissão hospitalar; além disso, a hospitalização nos pacientes em diálise afeta a qualidade de vida e os custos do tratamento.

Como o estado nutricional interfere no prognóstico de várias doenças, é fundamental avaliar os indivíduos em tratamento hemodialítico por meio de indicadores apropriados, para minimizar o risco de desnutrição dos pacientes.

Mais informações: e , ou Laboratório de Nutrição Clínica – (48) 3721-2281.

Edição: Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC