Estudante da UFSC participa de workshop do YouTube Edu 

18/09/2014 16:42

Na quinta-feira, 18 de setembro, o Google realizou, na sede em São Paulo, um workshop em que produtores de conteúdo educacional na internet, selecionados pelo YouTube, recebem orientações para o aprimoramento de seus vídeos. Eles farão parte da nova plataforma do Google, o YouTube Edu, com a curadoria da Fundação Lemann. Pedro Emílio Niebrehr Loss, estudante de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador do canal “Ciência todo o dia”, é um dos 40 escolhidos.

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Foto: divulgação

– Resolveram juntar, em uma comunidade, todos os que vinham produzindo esse tipo de conteúdo no YouTube. Esses vídeos poderão ser acessados por escolas públicas e por qualquer aluno, e é possível escolher o tema da aula e o professor – explica Pedro.

O estudante foi convidado pelo professor Rafael Procópio, que mantém o canal “Matemática Rio”, para fazer parte do YouTube Edu.

– O canal do Pedro tem um potencial incrível de se tornar o melhor canal de ciências do Brasil. Ele tem carisma e didática. Além disso, o conteúdo, que é interessantíssimo, mata a nossa curiosidade sobre muitas coisas. O objetivo maior é mostrar aos professores/criadores de conteúdos educacionais que fazer vídeos não é nenhum bicho de sete cabeças, e pode ainda aumentar a renda dessa pessoa a longo prazo, além de ajudar milhares de estudantes – afirma Procópio.

Pedro tem 18 anos, e isso o deixou receoso na hora de enviar suas informações para participar do evento e fazer parte da plataforma.

– Fiquei com medo de mandar meus dados, pois eu seria o único de 1996 lá. Mas, como o professor Procópio já conhecia a mim e o meu canal, explicou a situação para o pessoal. Tanto é que estão me chamando de professor Pedro. Eu, sinceramente, não sei se aceito o título; mas, um dia, quero me tornar um docente – revela.

No final de 2012, o estudante já possuía uma página no Facebook, para divulgar a ciência por meio de assuntos curiosos. A ideia de fazer vídeos veio no ensino médio.

– Muitos sites americanos começaram a fazer vídeos interessantes sobre ciências; mas, como eram em inglês, e eu tinha alguns amigos que não sabiam o idioma, eu não podia mandar para eles. Então pensei: “Por que não existe alguma coisa assim no Brasil?” A educação pela internet é uma iniciativa fantástica! Mas pensei duas vezes antes de começar, achei que ninguém ia acreditar em mim – lembra.

Ele achava que, por ser estudante, não teria credibilidade. Contudo, só o primeiro vídeo teve mais de oito mil acessos.

– Eu compartilhava os primeiros vídeos pelas redes sociais, e meus amigos começaram a gostar, mas aos poucos percebi que não eram só eles. Pelo painel de controle do canal, vi que havia muitos acessos de Portugal, alguns dos Estados Unidos e até da China. Logo percebi que estava funcionando, e que eu estava educando as pessoas – conta com orgulho.

Hoje são 32 produções, que alcançaram juntas mais de 450 mil visualizações.

– Percebi que o canal estava ficando grande este ano, quando começou a virar uma coisa mais palpável. Surgiram oportunidades, como esta do YouTube, e o pessoal começou a me reconhecer na rua. Meu trabalho saiu do mundo virtual – afirma.

O estudante conciliou a preparação para o vestibular com a produção dos vídeos.

– Eu achava maçante passar oito horas estudando. Quando já não aguentava mais, ia gravar um vídeo. Pesquisava e estudava o assunto: foi a forma que encontrei de mostrar para os meus amigos que não é só o que caía no vestibular que tinha que ser interessante – explica.

Ao ingressar na UFSC, ele enfrentou dificuldades para fazer os vídeos.

– O curso de Engenharia Elétrica é complicado, a carga horária era muito grande. Tive que gravar mais aqui, no ambiente da UFSC, e foi daqui que vieram alguns vídeos como “O que são buracos negros?” e “O experimento de Lenz”.

Apesar de ter mais facilidade em trabalhar assuntos relacionados à Física, Pedro afirma que a ideia do canal é tratar de diversos temas.

– Eu escolho os tópicos muito aleatoriamente. Brota aquela ideia, e penso: “Por que não fazer sobre isso?” Então, anoto a ideia em um caderno, vou pesquisar e ver se é interessante mesmo fazer um vídeo sobre aquilo – diz.

O desejo do aluno é, além de continuar o canal de vídeos, ser um divulgador científico.

– Isso realmente é o meu futuro. Quero levar o conhecimento até as pessoas, e não só a ciência. Quero mostrar que ter conhecimento é uma coisa boa. Quero dar palestras, escrever livros, dar aulas – planeja.

Canal “Ciência Todo Dia”: www.youtube.com/user/CienciaTodoDia

Ana Carolina Fernandes / Estagiária de Jornalismo / DGC / UFSC