Seminário Internacional de Educação Física debate iniciação de crianças no esporte

07/08/2014 17:15

A cerimônia e conferência de abertura do X Seminário Internacional de Educação Física, Lazer e Saúde (Sieflas), que abordará a Educação Física e as interfaces entre ela e o desenvolvimento humano, foi realizada no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na manhã da quarta-feira, 6 de agosto.  O evento, que se estende até o dia 8, é promovido pela UFSC, Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Universidade do Minho, Portugal. À mesa de abertura estiveram presentes a vice-reitora da UFSC, Lucia Helena Martins Pacheco, representando a reitora;  Antonio Heronaldo de Sousa, reitor da Udesc ; Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, da Universidade do Minho; além de outras autoridades . Beatriz Pereira deu as boas-vindas e fez seus agradecimentos, e o professor do Centro de Desportos (CDS) da UFSC, Edison Roberto de Souza, presidente do simpósio, fez um histórico dos outros eventos, agradeceu aos presentes, homenageou os ex-presidentes – todos presentes – e disse esperar que os dias do evento sejam regidos pela emoção.
Lucia Helena discorreu sobre a abrangência da UFSC, da infância à pós-graduação, e ressaltou a contribuição da Educação Física para o desenvolvimento e superação pessoais, para o aprendizado dos ganhos e perdas, além da sua importância à prevenção de doenças e seus benefícios à saúde.  Deu as boas-vindas e desejou que o evento trouxesse contribuição tanto à vida pessoal dos participantes quanto à ciência da Educação Física. A conferência de abertura, ministrada por Jean Côté, da Queen´s University, do Canadá, teve o tema “Os determinantes de experiências e resultados positivos no esporte para crianças e jovens”.

O conferencista explicou que as pesquisas foram desenvolvidas considerando-se o processo dinâmico de desenvolvimento por meio do esporte, tendo como parâmetros as  atividades, os relacionamentos e o cenário apropriados. No estudo apresentado, as qualidades positivas se baseiam e em três “Ps”: Performance, Participation and Personal Development (Performance, Participação e Desenvolvimento Pessoal); e quatro “ Cs”: Competence, Confidence, Connections and Character (Competência, Confiança, Conexões –vínculos – e Caráter). Para o pesquisador é importante possibilitar às crianças diversificação na iniciação às atividades esportivas, jogos e brincadeiras, uma vez que se verificou que isso está relacionado à participação continuada,  performance e excelência nas idades jovem e adulta. A especialização precoce, porém, leva ao abandono e à desistência. Jean Côté propõe que a relação entre professor-treinador e aluno passe de transacional a transformacional, entendendo-se como transacional uma relação baseada em recompensas, punições, correções e monitoramento constante da performance; e transformacional aquela fundamentada em influência idealizada e motivação, estimulando o atleta a fazer questionamentos, incentivar e contribuir com alternativas,  reconhecendo as necessidades e habilidades individuais, incluindo-se aí até o tom de voz e a emoção que o treinador usa.

Outro ponto de destaque para o desenvolvimento esportivo, segundo o professor, é o cenário apropriado, isto é, o local em que a pessoa se inicia tem muita influência na futura performance esportiva.Os dados da pesquisa apontam que nas cidades com menos de 500 mil habitantes há maior chance de um atleta se tornar profissional;  isso está associado ao apoio recíproco e ao aumento do empenho nas cidades menos populosas. Côté ressaltou a importância de se introduzir o esporte dos seis aos dez anos, destacando que a acessibilidade, a integração com a família e a comunidade (como nas cidades com menos habitantes) é mais importante que a qualidade das instalações. Por isso se deve “recriar” nas cidades grandes o ambiente das cidades menos populosas. Terminou citando dez recomendações à prática do esporte infantil (Coté & Hancock, 2014), sendo a décima “compreender as necessidades das crianças, e não as treinar excessivamente”.

Alita Diana/Jornalista da Agecom/UFSC

Claudio Borrelli / Revisor de Textos da Agecom / Diretoria-Geral de Comunicação/ UFSC