Produto regional melhora qualidade nutritiva de alimentação bovina

28/08/2014 09:29

Uma pesquisa feita na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) buscou uma opção para melhorar a alimentação de ruminantes. A ideia, desenvolvida pelo professor Diego Peres Netto, consiste no uso pioneiro de bagaço de maçã misturado a silagem de milho, um tipo de forragem cortada em pequenos pedaços, colocada em silos e prensada.

Bagaço de maçã e silagem de milho melhoram alimentação dos bovinos. Foto: Wagner Behr/Agecom/UFSC

O valor nutritivo da silagem – que pode ser de milho, sorgo ou capim, por exemplo – vem do processo anaeróbico feito por bactérias. A qualidade do processo depende de uma boa compactação, que não permita passagem de oxigênio.

A pesquisa foi idealizada a partir de uma visita a proprietários rurais de Lages (SC). “Na ocasião, nós nos deparamos com agricultores trabalhando com silagem de milho e misturando a ela, empiricamente, bagaço de maçã. Então, tivemos a ideia de avaliar isso de uma forma científica, saber o que acontece com a composição química e a qualidade desse material”, conta Peres Netto, que é professor do Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da UFSC (CCA).

A maçã também foi escolhida por ser um alimento regional – a Região Serrana catarinense é responsável por 50% da produção nacional da fruta. O bagaço para o estudo foi doado por uma empresa de Lages, e o milho utilizado, cultivado na Fazenda Experimental da Ressacada, no campus da UFSC no sul de Florianópolis.

Foram realizados quatro experimentos com porcentagens diferentes de bagaço – 0%, 15%, 30% e 45%. Cada teste foi repetido cinco vezes. A silagem ficou armazenada por 90 dias dentro de minissilos experimentais, confeccionados em baldes com capacidade de 600 kg de silagem/m³. As amostras foram divididas em três partes: a primeira foi utilizada para determinar a composição química; a segunda, para analisar o nitrogênio amoniacal – também conhecido como amônia – e a última parte foi prensada para extrair o suco e determinar o pH, ou seja, o nível de acidez.

Os resultados da pesquisa foram positivos: houve melhora na qualidade e na composição química da silagem oferecida aos animais; os teores de proteína aumentaram, e os de fibra – ruins para o consumo quando em excesso – diminuíram; cresceu o número de carboidratos não fibrosos, melhorando a fermentação; os níveis de pH, que para silagens devem se manter abaixo de 5, tiveram média de 3,52; e a quantidade de nitrogênio amoniacal permaneceu baixa – isso indica que houve pouca degradação de proteínas, o que é benéfico para a alimentação animal.

A pesquisa durou cerca de dois anos e meio e foi realizada com recursos próprios; assim, as análises de ácidos graxos voláteis não foram feitas. Esses testes serviriam para determinar, com melhor precisão, os resultados na fermentação. Cada amostra custa, em média, 150 reais.

Ainda não foram avaliados os gastos para implantação do bagaço de maçã nas silagens. “Queremos, na próxima etapa, testar o alimento com os animais e também a viabilidade econômica”, afirma Diego Peres Netto.

O pesquisador – integrante do Laboratório de Nutrição Animal do CCA – ainda está coordenando o desenvolvimento de dois outros projetos sobre o uso de subprodutos agroindustriais em silagens: um deles utiliza o resíduo úmido de cervejaria (RUC), e outro, o teosinto, uma espécie de milho crioulo. As pesquisas ainda estão no início. “Nossa expectativa é de que o RUC melhore ainda mais o perfil fermentativo, porque ele apresenta menos umidade do que a maçã”, explica o pesquisador. Isso pode implicar melhoria no teor nutricional da silagem.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em 2013, no XII Congresso Internacional do Leite, em Porto Velho (RO).

No semestre passado, Christian Bloemer Brand, do curso de Zootecnia, sob orientação de Diego Peres Netto, desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso, “Valor Nutritivo do Bagaço de Maçã como Aditivo em Silagens de Milho”, a partir dos resultados da pesquisa.

Mais informações, com Diego Peres Netto, pelos telefones (48) 3721-2662 e 3721-2648, e pelo e-mail

 

Tamy Dassoler / Estagiária da Diretoria-Geral de Comunicação

Claudio Borrelli / Revisor de Textos da Agecom / Diretoria-Geral de Comunicação/ UFSC