Fruto juçara: um novo açaí?

11/02/2014 17:57

Juçara

Na busca por novas fontes alimentares ricas em antioxidantes, foi realizada pesquisa pela mestranda Alyne Lizane Cardoso, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O estudo foi orientado pela professora Patricia Faria Di Pietro, coordenadora do Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo (GENEO), e avaliou o efeito da ingestão única do suco de juçara sobre biomarcadores de estresse oxidativo em indivíduos saudáveis, constatando-se que isso aumenta a defesa antioxidante sérica e enzimática em indivíduos saudáveis.

A popularmente conhecida juçara (Euterpe edulis) deriva do gênero de palmeiras Euterpe , comumente encontrado na Mata Atlântica, desde o sul da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul. Devido à exploração extrativista de seu palmito, a palmeira juçara encontra-se em risco de extinção, uma vez que a retirada do palmito culmina na morte da planta; por outro lado, a coleta do fruto não exige seu corte, o que possibilita a exploração como alternativa de grande potencial ambiental, econômico e nutricional. A emulsão proveniente do fruto juçara possui propriedades sensoriais e nutritivas similares ao açaí – fruto do açaizeiro (Euterpe oleracea). Por essas razões, é comum, para facilitar a comercialização, denominar açaí a emulsão dos frutos processados de juçara.

Existem benefícios relacionados ao consumo de açaí devido ao seu efeito antioxidante, antienvelhecimento, anti-inflamatório, entre outros. Até o momento deste estudo, não foram encontrados trabalhos referente aos efeitos do consumo do fruto juçara sobre a saúde; no entanto, ressalta-se que este tem chamado a atenção de pesquisadores pelo grande teor de antioxidantes nele contido.

A partir de dosagens sanguíneas antes e após uma, duas e quatro horas da ingestão de 450 ml de suco de juçara, em 11 indivíduos saudáveis, observou-se aumento do potencial antioxidante redutor férrico, aumento da atividade da enzima glutationa peroxidase, além de ter sido demonstrada diminuição da oxidação lipídica ao longo do tempo, sugerindo efeito protetor quanto aos danos provocados pelas espécies reativas.

Desta forma, considera-se relevante a exploração, popularização e promoção do consumo deste fruto. Além da importância da exploração deste para a sustentabilidade ambiental da Mata Atlântica, considera-se que esses resultados possam contribuir para o incentivo a estratégias que promovam o consumo regular de frutas ricas em antioxidantes, com consequente proteção contra doenças crônicas não transmissíveis.

Mais informações: Nutricionista Alyne Lizane Cardoso   ( 48) – 9924-4426

Edição: Alita Diana/ Jornalista da Agecom/Diretoria-Geral de Comunicação
 

 Revisão: Claudio Borrelli / Revisor de Textos da Agecom / Diretoria-Geral de Comunicação