CNPq apoia UFSC em projeto que insere Astronomia e Física nas escolas e comunidade

18/02/2014 14:30

Esfera Armilar é um dos instrumentos que fará parte das exposições itinerantes previstas no projeto. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está entre 40 instituições brasileiras contempladas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Chamada 85/2013 – “Apoio à criação e ao desenvolvimento de Centros e Museus de Ciência e Tecnologia”. O projeto selecionado, “A Astronomia e a Física vão à Escola e à Comunidade”, teve início em 2012 e tem como principal meta “fomentar o interesse da comunidade escolar e local pela Astronomia e ciências afins”.

A proposta será executada em articulação direta com o Planetário e o Observatório da UFSC – espaços tradicionais de disseminação do conhecimento dessas áreas no estado de Santa Catarina – e conta com a parceria do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), de grupos de astronomia amadores – Grupo de Estudos de Astronomia (GEA) e Núcleo de Estudos e Observação Astronômica José Brazilício de Souza (NEOA) – e da Oficina do Aprendiz.

No projeto apresentado ao CNPq, mostrou-se a importância da iniciativa frente às necessidades das escolas brasileiras. Explica-se que “a exemplo dos países mais adiantados, a Astronomia era ensinada no Brasil até 1930. Por razões ainda incompreensíveis, foi afastada dos bancos escolares e passou a ter uma tímida aparição em poucas páginas nos cadernos e livros de Ciências, limitando-se a descrever o Sistema Solar e a fornecer tímidas pinceladas sobre as estrelas, galáxias e o cosmo. Nas escolas de nível superior, na formação dos professores, limita-se a um semestre, ou então é disciplina optativa, não preparando adequadamente os futuros mestres das novas gerações, não os habilitando a dar um passo mais além no compartilhamento do conhecimento humano. As escolas básicas, que deveriam inspirar a curiosidade infanto-juvenil e  instigar os jovens ao conhecimento científico, a ensiná-los a gostar das ciências naturais e aos ensinamentos da Física e da Astronomia, não estão equipadas com o mínimo necessário para, de uma forma lúdica e prática, estudar os fenômenos naturais por meio de instrumentos e equipamentos simples e interativos, mas que se tornam fortes em conteúdo, e que são de fácil disseminação, democratizando assim o conhecimento e proporcionando sua clara compreensão.”

O projeto irá levar às escolas da rede pública de ensino fundamental e médio e a espaços culturais e sociocomunitários da Grande Florianópolis exposições itinerantes de instrumentos históricos de Astronomia e de experiências de Física. Também irá desenvolver oficinas de observação e estudo de fenômenos mediante a construção de observatórios astronômicos solares no Planetário da UFSC e nas escolas.

Para tanto, pretende-se criar um grupo de formação permanente, com 20 professores das dez escolas participantes, contando com um professor de Ciências e outro de Geografia por centro educativo. Também serão capacitados alunos do ensino superior, graduados, recém-formados e profissionais do ensino como mediadores científicos para atuar nas exposições. Outras ações interessantes são: publicar um caderno com referências teóricas da história da Astronomia; e criar um portal digital para a inserção de propostas didáticas e conhecimentos por parte de professores, alunos e comunidade.

Everton da Silva, professor da UFSC e coordenador do projeto. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

“Um projeto para se perpetuar”, deseja o coordenador Everton da Silva, professor do Departamento de Geociências da UFSC, que trabalha juntamente com as técnicas do Planetário, Edna Esteves da Silva e Tânia Maris Pires da Silva; o físico Ricardo Gutierrez Garcés; a geóloga Ofélia Ortega; o engenheiro mecânico e presidente do Grupo de Estudos de Astronomia (GEA), Adolfo Stotz Neto; os professores de Física da UFSC, Antônio Nemer Kanaan Neto, e do IFSC, Marcos Aurélio Neves; e o psicólogo Nicolas Lindner.

No dia 4 de fevereiro, foi realizada uma reunião para planejamento das atividades do projeto. O coordenador explicou que o orçamento total era superior ao que foi aprovado pela Diretoria do CNPq. Desta forma, o projeto necessita de novos fomentos, e, para não deixar de cumpri-lo da forma como foi idealizado, busca-se apoio nas pró-reitorias da UFSC, na Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF)/Secretaria de Educação (SED) e no próprio Planetário.

O físico Ricardo, que trabalha diretamente com a construção de observatórios e instrumentos astronômicos históricos, demostrou o uso desses objetos, tais como a Esfera Armilar, que traz a representação dos movimentos aparentes do Sol. Os artefatos, fabricados pela Oficina do Aprendiz em 2013, farão parte das exposições e serão cedidos aos estabelecimentos de ensino. O grande potencial de levar a exposição foi identificado, inicialmente, no Colégio de Aplicação da UFSC e na Biblioteca Pública Municipal de Lages.

Os antecedentes do projeto no Brasil datam de 2012, com a exposição itinerante “Astronomia e Física ao alcance de todos” desenvolvida no âmbito do projeto “Aprendiz de Ciências”, da Oficina do Aprendiz, em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc) e a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc).

O projeto será composto pelas seguintes etapas:

1. exposição interativa nas escolas e nas comunidades;

2. observatórios de acompanhamento solar na área externa do Planetário e Observatório Astronômico da UFSC, e nas escolas;

3. instalação de equipamentos interativos na área externa do Planetário e Observatório Astronômico da UFSC;

4. formação de mediadores científicos para exposição itinerante;

5. formação permanente de professores dos ensinos médio e fundamental;

6. apoio a clubes de Astronomia;

7. promoção de eventos astronômicos;

8. cadernos de divulgação científica de referência teórica e de sugestão de atividades;

9. portal digital;

10. grupos de estudo;

11. visitas técnicas (nacionais e internacionais) a museus e espaços de divulgação científica.

Mais informações pelos e-mails:  / 


Rosiani Bion de Almeida/Jornalista da Agecom/UFSC/Diretoria-Geral de Comunicação - Com informações do projeto

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/Diretoria-Geral de Comunicação