UFSC constrói centro avançado de petróleo, gás e energia no Sapiens Parque

02/06/2010 18:01

Expectativa é de finalização até dezembro

Expectativa é de finalização até dezembro

A Universidade Federal de Santa Catarina UFSC está implantando no Sapiens Parque, no Norte da Ilha, o Instituto do Petróleo, Gás e Energia (INPetro). O avançado centro de pesquisa e desenvolvimento atuará em projetos, prestação de serviços e formação de recursos humanos.

Apresentado no final de 2009, o instituto é resultado da parceria entre a UFSC e a Petrobras e soma investimentos de R$ 32 milhões. A expectativa é de que a construção seja finalizada em dezembro deste ano e o INPetro entre em operação em março de 2011. Até o final do segundo ano, espera-se gerar cerca de 150 empregos e, em longo prazo, contratar 500 pessoas e envolver cerca de 300 pesquisadores.

Focado nas áreas do petróleo, gás e energia, o instituto tem a intenção de consolidar as pesquisas na área, trazendo visibilidade nacional e internacional para a UFSC e Santa Catarina. Também criará em seu entorno oportunidades para que empresas de base tecnológica sejam constituídas para explorar as aplicações em desenvolvimento.

A iniciativa está sendo viabilizada através de termo de cooperação entre a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), UFSC e Petrobras, com recursos disciplinados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O coordenador de implantação, professor Armando Albertazzi Gonçalves, deixa claro que embora os recursos para a construção tenham vindo da Petrobras, o INPetro será um instituto da UFSC, com autonomia para decidir que projetos contratará.

Reconhecimento

A UFSC é a uma das universidades do país que mais recebe recursos da Petrobras, parceria que se fortalecerá com a instalação do INPetro. A estatal, que está sempre buscando cooperação com grupos de pesquisa capazes de responder à altura suas demandas, pois sabe que para desenvolver pesquisas de elevado nível são necessários recursos, laboratoriais e humanos, e que isto depende de alto investimento. “O fato da UFSC ter sido bem contemplada com recursos da Petrobras é fruto do reconhecimento de médio e longo prazo, da competência e seriedade de muitos grupos de pesquisa que por aqui atuam”, reconhece Albertazzi.

Para o coordenador, o INPetro permitirá a ampliação da quantidade, da qualidade e da abrangência das pesquisas que se faz na universidade. A operacionalização de laboratórios equipados e as instalações permitirão abrigar, com qualidade, pesquisadores em quantidade suficiente para atender a uma demanda que deve naturalmente se ampliar.

Segundo Albertazzi, uma das maiores contribuições do INPetro será o desenvolvimento da cultura de trabalho multidisciplinar e em equipe. “Ele funcionará como um ponto de convergência, aproximando vários grupos que atuam em áreas distintas que se complementam, permitindo que projetos de maior amplitude e impacto possam ser desenvolvidos”.

Sete grupos dos departamentos de Engenharia Mecânica, Automação e Sistemas e Química da UFSC participam de sua implantação e trabalharão juntos, reunindo competências complementares essenciais no desenvolvimento de projetos avançados.

Estão envolvidos o Laboratório de Metrologia e Automatização; Laboratório de Soldagem; Laboratório de Simulação Numérica em Mecânica dos Fluidos e Transferência de Calor; Laboratório de Controle e Automação; Laboratório de Combustão e Engenharia de Sistemas Térmicos e o Laboratório de Corrosão.

De acordo com o coordenador, dificilmente um projeto de engenharia pode ser bem resolvido se o foco da solução ficar restrito a uma área delimitada por um domínio especializado.

“Soluções muito mais ricas, e de maior impacto, podem ser encontradas se grupos com formações e culturas diferentes trabalharem de forma coordenada e integrada. Poderemos atuar com desafios muito maiores e de grande impacto para o país e para o mundo”, esclarece Albertazzi. Para ele, essa é uma forma de trabalho que deve ser valorizada no INPetro, facilitada pela proximidade física.

Além disso, para o coordenador, é necessário fortalecer a capacidade de trabalho em grupo. “Estamos cientes que este é o nosso maior desafio. As equipes que estarão reunidas no instituto são experientes. Certamente aprenderam o que funciona bem e o que não funciona em pesquisa. Ao inaugurar um novo instituto temos uma chance de levar conosco aquilo que consideramos bom e ‘barrar’ o que já percebemos que não funciona. Não queremos perder a oportunidade de começar bem para poder preservar a cultura do que é bom”, destaca Albertazzi.

A UFSC no Sapiens Parque

No início, foi considerada a ideia o implantar o INPetro no Campus da UFSC na Trindade. No entanto, como o complexo é amplo (8.800 metros quadrados de área construída), não foi encontrado um terreno amplo o suficiente.

Em função dos problemas logísticos decorrentes da distância de 24 km do parque ao campus da Trindade, a construção na área doada à UFSC trouxe um posicionamento contrário de alguns grupos da universidade. No entanto, segundo Albertazzi, esta dificuldade será amenizada com a disponibilização pelo Sapiens Parque de um transporte regular entre universidade e o instituto.

Nas conversas com os dirigentes do Sapiens Parque, o reitor Alvaro Prata conquistou a doação de uma área no parque com potencial construtivo de 250 mil metros quadrados, para abrigar futuras unidades avançadas de pesquisa da UFSC. O INPetro é a primeira, mas já há uma segunda em desenvolvimento: o Instituto de Fármacos.

“Em breve, o INPetro estará cercado por vizinhos de alto nível, contribuindo para a criação de uma aura de alta tecnologia, que é uma das componentes perseguidas na concepção do Sapiens Parque”, antecipa.

Para Albertazzi, a construção nesse local tem dois outros aspectos positivos que devem ser destacados: a possibilidade de expansão e a criação de empresas. “A disponibilidade de área física para a construção de novas unidades, por exemplo, motivadas por demandas específicas do pré-sal, é uma possibilidade para a qual não devemos fechar as portas. Não pretendemos ampliar o INPetro a curto prazo, mas do futuro, ninguém sabe”, afirma.

O outro elemento importante para o coordenador é estar no ambiente propício para a criação de novas empresas de base tecnológica. “O Sapiens Parque tem naturalmente essa vocação. A proximidade do INPetro certamente será mutuamente benéfica”, lembra o coordenador.

Segundo ele, a expectativa é motivar e dar apoio a alunos para constituírem novas empresas de base tecnológica a partir dos trabalhos que desenvolvam no INPetro.

“Este processo se afina com o modelo de trabalho da Petrobras, fortemente baseado na terceirização. Uma nova tecnologia desenvolvida no âmbito de um projeto de pesquisa pode se tornar a âncora para a criação de uma nova empresa, envolvendo os alunos, que irá licenciar e explorar comercialmente um produto na forma de prestação de serviços ou fornecimento de novos equipamentos. É uma mão dupla que favorece os dois lados.”, comemora o professor.

Mais informações: Telefone: (48) 3239-2030 /

Por Natália Izidoro / Bolsista de Jornalismo na Agecom

Saiba Mais:

Espaço físico

Concebidos com elevados padrões de eficiência energética, os “prédios verdes” têm como características o aproveitamento da ventilação e insolação natural e o reaproveitamento da água da chuva.

Serão quase 9 mil metros quadrados divididos em uma área principal de laboratórios leves, que não envolvem a movimentação de equipamentos de grande porte, e outra de laboratórios pesados. Cerca de 520 metros quadrados estão reservados para laboratórios multidisciplinares, uma biblioteca especializada, um auditório e salas de reunião e de trabalho para acomodação de 50 pesquisadores permanentes e cerca de 120 temporários (alunos de graduação e pós-graduação).

O prédio de laboratórios leves terá quatro andares e um ático. Serão abrigados 20 laboratórios, dentre eles os de instrumentação, visão computacional, sensores ópticos, corrosão, combustão, escoamento, automação, sensores inteligentes e robótica. Já o prédio de laboratórios pesados abrigará dez salas, para ensaios de dutos, soldagem robotizada, soldagem a laser e uma grande área para projetos multidisciplinares.

Será também montado um tanque experimental, para desenvolvimento de um sistema de visão submarina para monitorar estruturas e auxiliar no reparo de cascos de navios. Estão ainda previstos três poços secos com 120 metros de profundidade, para testar técnicas de bombeamento de petróleo.